Juliana Dorigo– Nas serranias do Rio Grande do Sul, em 12 de dezembro de 1904, a pequena aldeia de Ribeirão viu nascer um menino destinado a tocar profundamente a vida da Igreja. João Luiz Pozzobon, de raízes italianas, cresceu no seio de uma família simples, onde a fé se aprendia pelos gestos diários: o trabalho honesto, a oração fiel, o amor cultivado na humildade do lar.
Ainda criança, aos 10 anos, foi enviado ao internato de Vale Vêneto para fazer o primário. Porém, pouco tempo depois retornou à casa para trabalhar ao lado do pai, que o conduziu ao serviço na roça: “Voltando para casa, então papai disse: ‘Vamos trabalhar’. Mostrou ele o trabalho, trabalho da roça, de agricultor.”
Na lida diária, João cresceu oferecendo suas mãos onde faltava recurso e aprendendo que a fé ganha força quando se transforma em serviço.
Em sua casa, a oração era alicerce: “Na casa de seus pais era costume, como em todas as boas famílias, rezar o Santo Rosário todas as noites. Porém, se o pai não chegasse em tempo, o jovem João, acompanhado dos irmãos, puxava a reza diária do Terço.”
Humilde, pai de sete filhos, gigante na fé
Casado e pai de sete filhos, Pozzobon fez da própria família sua primeira escola missionária. Sua generosidade brotava do cotidiano simples, mas seu coração era largo como o horizonte que contemplava desde menino. Na Missão da Mãe Peregrina encontrou o chamado que moldaria sua vida: levar Cristo e Maria a cada lar — às escolas, hospitais, presídios e, sobretudo, aos que mais precisavam.
Com a Imagem Peregrina aos ombros, o “pobre peregrino” caminhou mais de 140 mil quilômetros. Atravessou estradas de chão, subidas íngremes e comunidades isoladas. Onde muitos não chegavam, ele chegava. Onde a Igreja parecia distante, tornava-se presença viva.
Seu exemplo permanece como um farol para os missionários de hoje. Em cada visita da Imagem da Mãe e Rainha, revive-se o gesto daquele homem simples que não mediu esforços para que Cristo fosse encontro, consolo e luz para as famílias.
A missão que continua pelas mãos dos missionários
Hoje, missionários e coordenadores da Campanha da Mãe Peregrina assumem a mesma entrega que incendiou o coração do Venerável João Luiz Pozzobon. São homens e mulheres que abrem caminhos onde a vida pesa, carregando nas mãos um sinal de esperança. Mantêm viva a chama que Pozzobon acendeu, dando continuidade a um apostolado que evangeliza lares e fortalece a Igreja.
Com passos firmes, fazem a Campanha alcançar os confins, onde a Palavra precisa ser sussurrada de perto; onde os sacramentos encontram terreno sedento; onde muitas ovelhas, dispersas, voltam a sentir o cuidado de Deus.
Um homem simples que transformou a Igreja
João Pozzobon deixou ao mundo a certeza de que a santidade cotidiana pode mover montanhas. Na pequenez de seus gestos, abriu caminhos pastorais, renovou famílias e despertou uma consciência missionária que marcou profundamente a história da Igreja no Brasil e além.
Seu legado segue vivo nos missionários que hoje encontram nele inspiração para caminhar com coragem, delicadeza e ardor apostólico. O “pobre peregrino” continua presente nos passos daqueles que levam Maria para visitar seus filhos e, com Ela, levam Cristo ao encontro dos que mais necessitam.
Ele mesmo testemunhou:
“No Santuário da Mãe e Rainha aconteceu minha grande descoberta. A bondade e a misericórdia de Deus e da Virgem Mãe e Rainha me confiaram uma grandiosa missão evangelizadora: a Campanha do Santo Terço. Entendi a missão e, por ela, fiz minha entrega total.”
De sua consagração nasceu uma confiança que o guiou por toda a vida:
“Quando algo é de Deus, algo divino, um homem sozinho pode mover o mundo. Eu havia dito à Mãe e Rainha que pouco me importava mover o mundo inteiro, se descuidasse de minha família. (…) Porém, tudo foi bem. Quando Deus quer que se realize uma missão, uma pessoa pode cuidar de sua família, pode fazer tudo.”
Na aurora de seu nascimento, há mais de um século, brilhou a sabedoria da simplicidade. João Pozzobon permanece prova viva de que um coração humilde pode transformar o mundo: de porta em porta, passo a passo, conduzindo a Mãe de Deus pelos caminhos da vida.
Referência:
URIBURU, Esteban J. 140.000 Km com a Virgem. Instituto dos Padres de Schoenstatt. Santa Maria.







