Mariangela Jaguraba (Vatican News) – O Papa Francisco continua o ciclo de catequeses sobre a paixão por evangelizar. O Papa fez uma profunda reflexão sobre o zelo evangélico a exemplo do Apóstolo dos Gentios.

Zelo distorcido, observância de normas humanas e obsoletas

Paulo não ignora o perigo de um zelo distorcido, orientado numa direção errada. Às vezes nos deparamos com um zelo mal orientado, obstinado na observância de normas puramente humanas e obsoletas para a comunidade cristã.

Não podemos ignorar a solicitude com que alguns se dedicam a ocupações erradas mesmo na própria comunidade cristã; pode-se vangloriar-se de um falso zelo evangélico enquanto se persegue, na realidade, a vanglória ou as próprias ideias ou um pouco de amor-próprio.

No capítulo 6° da carta aos Efésios, Paulo faz uma lista com as ‘armaduras’ para a batalha espiritual. Dentre elas está a prontidão para propagar o Evangelho, traduzida por alguns como ‘zelo’. A prontidão é indicada como um calçado. Por quê? Porque aquele que vai anunciar deve mover-se, deve caminhar.

O zelo evangélico é o apoio no qual se baseia o anúncio, e os anunciadores são um pouco como os pés do corpo de Cristo que é a Igreja. Não há anúncio sem movimento, sem ‘saída’, sem iniciativa. Isto significa que não há cristão se ele não estiver a caminho, se ele não sair de si para pôr-se a caminho e anunciar. Não há anúncio sem movimento, sem caminhar.

Não se anuncia o Evangelho parado, fechado em um escritório, na escrivaninha ou no computador, fazendo polêmicas como ‘leões do teclado’ e substituindo a criatividade do anúncio com copiar e colar ideias tiradas daqui e dali. O Evangelho é anunciado movendo-se, caminhando, indo.

O zelo evangélico é o oposto do desmazelo

O zelo evangélico denota prontidão, preparação, alacridade. É o oposto do desmazelo, que é incompatível com o amor. Um anunciador deve estar pronto para partir e sabe que o Senhor passa de forma surpreendente. Ele deve estar livre de esquemas e predisposto a uma ação inesperada e nova: preparado para as surpresas. Aquele que anuncia o Evangelho não pode ser fossilizado em jaulas de plausibilidade ou no ‘sempre foi feito assim’, mas estar pronto para seguir uma sabedoria que não é deste mundo.

É importante ter esta prontidão para a novidade do Evangelho, esta atitude que é um impulso, uma tomada de iniciativa, um ‘ir primeiro’. É um não deixar escapar oportunidades para promulgar o anúncio do Evangelho da paz, aquela paz que Cristo sabe dar mais e melhor do que o mundo.

Por isso, os exorto a ser evangelizadores que se movem, sem medo, que vão em frente, para levar a beleza de Jesus, para levar a novidade de Jesus que muda tudo. Muda também o coração: você está disposto a deixar que Jesus mude o seu coração? Ou você é um cristão morno, que não se move. Pense bem: você é um entusiasta de Jesus, vai em frente? Pense um pouco.

 

Com informações de: vaticannews.va