“O amor precisa de tempo disponível e gratuito, colocando outras coisas em segundo lugar” (Papa Francisco)

Rafael e Vanessa Melquiades – Uma grande questão que vivemos hoje é: como conciliar a vida familiar com a vida profissional? Nós trabalhamos para dar conforto e felicidade para nossa família, porém, como podemos fazer para que o trabalho e o cansaço do dia a dia não interfiram em nossa vida familiar?

Queremos dar o exemplo de como tentamos responder a esta pergunta em nossa família (Rafael e Vanessa, Samuel, com 9 anos, e Marina, com 4 anos). Sobre a realidade do trabalho, explicamos aos nossos filhos que o trabalho é bom e, com a graça de Deus, temos trabalho para o nosso sustento e conforto; também dizemos que o trabalho contribui para o bem de toda a sociedade.

Para uma boa convivência familiar temos uma rotina em torno ao nosso Santuário Lar (para onde tudo converge): iniciamos o dia com a oração da manhã e encerramos o dia com a oração da noite, agradecendo a Mãe de Deus pelo dia que passou. Também estipulamos uma rotina para os afazeres domésticos, a tarefa escolar e também tempo livre para as crianças brincarem.

E todas essas atividades buscamos fazer com muita entrega, alegria e magnanimidade, nas palavras do Pe. José Kentenich, “sabemos que a família é impensável sem sacrifício. Sabemos que a mesa familiar é, antes de tudo, um altar de oferenda sacrifical. Quem quer fundar, nestes tempos, uma família, deve contar com uma enorme reserva de alegre disposição ao sacrifício e vontade de sacrifício” (Abbá José, Textos del Pe. Kentenich, pág 37). E podemos viver o sacrifício de duas formas: reclamando ou entregando com alegria – nós, schoenstattianos, escolhemos a segunda opção e entregamos à Mãe de Deus como contribuição ao Capital de Graças para a santificação de nossa família.

Atualmente as famílias encontram muitas dificuldades de estarem juntas, uma delas são as “jornadas de trabalhos longas e, muitas vezes, agravadas pelo tempo gasto no deslocamento. Isto não ajuda os esposos a encontrarem-se entre si e com os filhos, para alimentar diariamente as suas relações” (Amoris Laetitia, 44).

O Papa Francisco nos orienta que “o amor precisa de tempo disponível e gratuito, colocando outras coisas em segundo lugar. Faz falta tempo para dialogar, abraçar-se sem pressa, partilhar projetos, escutar-se, olhar-se nos olhos, apreciar-se, fortalecer a relação. Umas vezes, o problema é o ritmo frenético da sociedade, ou os horários impostos pelos compromissos laborais. Outras vezes, o problema é que o tempo transcorrido em conjunto não tem qualidade; limitam-se a partilhar um espaço físico, mas sem prestar atenção um ao outro” (Amoris Laetitia, 224). E também hoje um grande vilão que nos rouba o tempo é o uso incorreto da tecnologia. Ela, ao mesmo tempo que nos torna próximos uns dos outros, também nos afasta pelo uso excessivo de alguns meios, como o celular. Por isso, temos de priorizar as relações pessoais e adaptar o tempo que passamos nas redes sociais, nos sites, no ambiente digital como um todo, sobretudo na presença dos nossos filhos.

Assim sendo, em nossa família, entre uma viagem e outra a trabalho, por vezes a semana inteira fora de casa, aproveitamos ao máximo o nosso tempo aos finais de semana. Damos preferência para atividades em conjunto, vamos à missa juntos, rezamos o terço em família, fazemos passeios ao ar livre, pois, além do tempo que passamos juntos, queremos que seja um tempo de qualidade no qual nossa família possa enriquecer os laços familiares

Por fim, o nosso desejo é o de viver com alegria a vida laboral e familiar e nunca esquecer que a vinculação a Deus deve estar presente de modo orgânico nesses âmbitos. Que nossa vida seja uma parcela da estrofe 603 do Rumo ao Céu:

Conhece a terra impregnada de alegria,
porque nela o sol não conhece ocaso;
onde os corações vivem serenos,
na posse dos bens eternos;
onde coração e vontade se deleitam, sem cessar,
com os abundantes dons de Deus;
onde a vara mágica do amor logo transforma
toda a tristeza em alegria?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt!

 

*Contribuição do Instituto de Famílias de Schoenstatt

(Foto: unsplash.com)

Fonte: schoenstatt.org.br