Publicado em 14 de fevereiro de 2020

Carlos Padilla Esteban – Acho difícil me adaptar às regras que me são impostas. Especialmente quando essas regras me limitam ou me encurralam. Elas bloqueiam meu desejo de fazer o que eu quero.

A norma me obriga a algo. O preceito exige. Jesus também se submeteu à lei: ele foi apresentado no templo 40 dias após seu nascimento. Jesus e seus pais se submetem à lei.

Deus se submeteu à lei dos homens, à lei inspirada por Deus no povo de Israel. Deus se fez carne em seu povo, de acordo com suas leis.

Eu simplesmente não me acostumei com esse Deus dócil. Não sei por que sou atraído pelos deuses poderosos que impõem sua lei e seu poder.

Eu me rebelo diante de um Deus aparentemente fraco incapaz de se afirmar diante do poder do homem. Um Deus acorrentado aos seus padrões. E é tão difícil para mim me submeter às regras.

Maria Imaculada não precisava ser purificada. Mas atende à norma. O primeiro filho é entregue como uma oferta. E Maria é purificada após o parto.

O filho é oferecido ao próprio Deus. O filho das entranhas de Maria, seu santo filho, já pertencia a Deus desde antes de nascer. Mas ela cumpre a lei e o devolve.

Jesus é Deus, ele é homem, ele é o filho de Deus, ele é a oferta perfeita. Ele é o primogênito para salvar o próprio homem.

Disse José Kentenich:

Como homens e sacerdotes católicos, vemos e experimentamos Deus unilateralmente como lei, legislador ou ideia. E eu sou o primeiro a me incluir nesse grupo. Pelo menos, isso acontece comigo assim. Só Deus sabe há quanto tempo estou lutando para ver e experimentar Deus realmente como pai, como pessoa, e não apenas como uma mera ideia. Entendo muito bem quem me diz que nunca se sente ao lado de Deus, mas que tem pensamentos religiosos [1].

Não é o mesmo ser crente e seguir Jesus para cumprir suas leis, sua vontade, seus desejos. O amor é o que me leva à obediência.

Quero experimentar Deus em minha alma, para que minha fé seja pessoal e mova minha vida. Eu quero que Jesus cresça em meu coração como Ele estava crescendo em sua infância.

Quero que Ele cresça dentro de mim e que as regras que sigo sejam apenas o caminho que permite que Ele se torne forte dentro de mim.

Eu li outro dia: “Existe a lei da vida: todo espírito finito acredita em Deus ou acredita em um ídolo ou fetiche” [2]. Se eu não acredito em Deus, acabarei acreditando em ídolos.

Penso em todas as regras que encontro na minha vida. Essas regras que o mundo me impõe. Aquelas que Deus semeou em minha alma. As que eu me imponho. Tenho medo de não vivê-las com liberdade e alegria.

Eu tenho o desejo de uma criança de quebrar um pouco as regras. Ignorar aqueles que mais me incomodam. O que Deus quer que eu faça? O que está escondido atrás da lei que obedeço?

Tudo que eu quero é que Jesus cresça dentro de mim e assim eu cresça em sabedoria, em liberdade interior, em verdade.

Não quero esquecer o amor de Deus. É esse amor que me eleva e purifica. Faz minha vida brilhar e ter paz.

Ele não fala comigo apenas através de normas e preceitos. Vai além do cumprimento da lei. Ele não pede um pouquinho. Pede tudo.

A única lei que supera tudo é a do amor. É a lei na qual não há outra resposta senão doar a vida inteira. É o que Jesus sempre fez. Renuncie ao seu próprio desejo de amar a Deus. Estou comovido com essa atitude que vai além do necessário.

Jesus nasce em minha alma quando a norma do amor é imposta acima de outras normas. Eu quero que a alma se apegue a Jesus. Ele é o significado da minha vida.

[1] J. Kentenich, Filhos diante de Deus. Infância espiritual

[2] Chronik Notizen, 1955, 433.

fonte: pt.aleteia.org