No Santuário somos acolhidos, transformados e enviados em missão

Pe. Carlos Padilla Esteban – O Santuário é esse lugar onde Maria quer fazer de mim seu filho. Ela me chama pelo nome e faz eu me sentir como se fosse seu. Ela conhece minhas entranhas, conhece meus sonhos, admira-se ao ver minha pureza de alma. E, sentindo-me amado por Ela, deixo-me levar por sua voz. Eu ouço seu chamado dentro de mim, seu tom claro e firme.

Quando chego, ela me acolhe como sou, com um sorriso, um abraço cheio de ternura e paz. E logo começa, pacientemente, a educar meu coração.

Estou tão distante do que eu posso dar, do que posso me tornar. Eu preciso de tantos milagres em meu coração. Esses milagres diários que são necessários para mudar minha alma por dentro. É por isso que vou ao Santuário. Não só para me sentir em casa, mas porque desejo um pouco de ordem no meu coração.

Quero que minhas paixões, meus instintos, minhas fraquezas não me dominem. Não quero me deixar levar pelas minhas escravidões. Como é possível que minha debilidade seja mais forte do que minha força? Impõe-se em meu coração minha tendência de me querer mal, de amar-me de maneira equivocada, de doar-me de maneira egoísta. Eu tento mil maneiras de superar minhas fraquezas. Eu até desmascaro meus erros quando tento justificar tudo com mil desculpas. Porque é verdade que não quero me ver tão pecador, nem tão sujo.

[…] Assim chego ao Santuário cada dia. Quebrado, ferido, confuso, sujo. Não importa como eu chego. Maria me olha comovida e me abraça em silêncio. E eu, de joelhos, peço a ela que faça milagres da graça em mim e mude meu olhar. E assim, pouco a pouco, dia a dia, Jesus vai atuando na força do Espírito Santo. Ele vai realizando pequenos milagres, aparentemente insignificantes, mas muito grandes para mim, que sou tão pequeno.

E assim, de repente, começa uma mudança em meu coração que quase não percebo e Maria sussurra ao meu ouvido: Vá, saia pelo mundo, não tenhas medo, estão esperando por ti!

Tento arranjar desculpas para não me expor, para não dar tudo o que tenho. Tenho vergonha, tenho medo. Quem sou eu para ser enviado aos homens? Falta-me fé na palavra de Maria. É ela quem quer me enviar. Eu não quero ir. Mas ela precisa de mim. Para ela basta minha pobreza e basta minha debilidade para que realize milagres. Bastam meu olhar torto, meu mau humor, meu orgulho, minha mesquinhez. Ela até se aproveita dos meus pecados, não sei como. E ela quer me enviar em meio aos homens para salvá-los.

Como é vã minha pretensão quando eu me considero importante e creio que eles precisam de mim! Eu não posso salvar a ninguém. Não posso erguer nem um caído sequer. Contudo, também não posso me recusar a ir. Ela me envia porque me ama e necessita que eu seja seu transparente, seu dócil instrumento. Quer que, quando olharem para mim, vejam Maria. Deseja que, quando me ouvirem, ouçam sua voz. Ela pretende que, estando na minha presença, eles sintam que é Ela quem está com eles. Eu sei que sendo transparente tudo será possível em minha vida. Sei que sendo fraco ela mostrará sua força. Sendo criança se manifestará o poder de Deus.

Maria me envia para proclamar as maravilhas que Deus fez em mim. Deseja que eu não olhe para trás com medo. Que não pense no meu passado confuso. Que eu não fique nos fracassos vividos. Ela quer que eu confie novamente e sorria feliz. Maria fará os milagres, Ela é a grande missionária. E eu só tenho que me deixar ir aonde ela me pede. Sem medo, sem angústia. É sua obra e eu sou apenas um instrumento em suas mãos. Essa maneira de ver minha vida me dá paz. Maria olha para mim como o seu filho precioso. E eu me deixo levar pela força do seu abraço. Seu amor infinito faz de mim um apóstolo, capaz de anunciar as maravilhas de Maria. Sou enviado como testemunha de seu amor.

 

Trecho da homilia de 23 de janeiro de 2022, disponível, em espanhol, neste link: https://drive.google.com/file/d/1vHJIGpo6637xQ7si8KizQ1dxhCCQR4Wr/view

 

Fonte: schoenstatt.org.br