Virtude da santidade é um dom para todos e não para alguns escolhidos

Por: Pe. Vandemir Meister

Rui Barbosa (1849-1923) escreveu: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Hoje, mais que nunca, parece que as palavras de Rui Barbosa se fazem realidade.

Os meios de comunicação nos inundam com notícias de corrupções, de maquinações contra a verdade, a busca de subvertê-la. A exposição pública dos pecados pessoais mais traz honra que desonra, e isso parece formar uma atmosfera comum. A virtude pessoal já não é um valor a ressaltar. Ao não ser um valor a ressaltar no denominador comum, também se torna algo em desuso.

No jargão popular um ditado soa: “Deus escreve direito por linhas tortas.” Se hoje estamos vivenciando uma corrente onde, não se enfatiza e não se vivencia a virtude, Deus nos mostra através de pessoas concretas valores que aos homens parece estranho.

Vida de virtudes

João Luiz Pozzobon, Servo de Deus por seu testemunho virtuoso de vida, nos leva a perguntar pela nossa vida de santidade, pela nossa vida de virtudes. O encaminhamento do Processo de Canonização de João Luiz Pozzobon, está na etapa conhecida por “Posítio”. Esta é a chamada etapa para o reconhecimento das “Virtudes Heroicas”, de quem é preposto ao grau de Santidade. Quando aprovado esta etapa, por uma comissão de teólogos e cardeais, o Servo de Deus passa a ser chamado Venerável.

Quando o Bispo de uma referida Diocese, abre um “Processo de Canonização”, é porque acredita que aquela pessoa foi um exemplo de virtudes, e quer propor para toda a Igreja este exemplo. Dom Ivo Lorscheiter acreditou na pessoa de João Luiz Pozzobon, como uma pessoa simples, mas cheio de virtudes, que era um exemplo a ser seguido.

Temos que diferenciar o virtuoso em uma determinada área da vida, por exemplo: o virtuoso na música, mas as outras áreas da vida é um verdadeiro desastre, não sabendo integrar os valores em todas as áreas. O homem virtuoso, que é aquele que integra os valores em todas as áreas da vida. Assim era João Luiz Pozzobon. As pessoas que eram tocadas por ele, através de suas palavras, gestos e ações não o deixavam de seguir os seus passos.

Virtude da santidade

A virtude atrai virtudes. Hoje estamos carentes de exemplos virtuosos, e por isso “de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude”. Mas ela é um gérmen que não morre no poder da erva daninha; sempre renasce com força transformadora. Para renascer é preciso também que exista o terreno aberto para receber.

A virtude da santidade é um dom para todos e não para alguns escolhidos. Um dom gratuito de Deus e que depende de cada um de nós dar o sim. “João tinha uma extraordinária penetração nos mistérios de Deus e por isso ensinava a muitos com suas palavras acessíveis. João era para muitos, especialmente na sua família, presença e ação de Deus. Também mostrava a habitação de Deus em si e nas outras pessoas. “Ele era a própria morada de Deus”.

Ser servo de Maria

João era homem de uma única peça. Não era homem de dupla personalidade, manipulador das situações e das verdades segundo conveniências. Dizem que era homem de uma única ideia. “Ser Servo de Maria, para salvar almas”. Esta era sua grande ideia e envolta dela ele sempre girava com suas ações diárias, seja na família, no trabalho ou na pastoral. Todos os espaços eram para ele campo de missão e por isso era conhecido como pessoa de uma única tempera.