Espaço vital da família em tempos de pandemia

Juliana Dorigo– Nos últimos tempos a pandemia transformou o dia a dia, a correria, a falta de tempo e a rotina dentro de casa. A convivência trouxe algumas dificuldades no relacionamento entre pais e filhos. Ao mesmo tempo, essa convivência também pode ser positiva, mas requer desafios para serem superados.

É no interior da família que encontramos a Igreja doméstica, um passo importante que nos guia desde a infância pelos caminhos da fé. Ali, no cantinho de oração em casa, é onde aprendemos com nossos avós, pais, irmãos as primeiras orações e iniciamos de modo especial o nosso diálogo com Deus.

Nas palavras de São João Paulo II a família “é confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua Esposa’, é na Sagrada Família, nesta originária ‘igreja domés­tica’, que todas as famílias devem espelhar-se. Nela, efetiva­mente, por um misterioso desígnio divino, viveu escondido du­rante longos anos o Filho de Deus: ela constitui, portanto, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs”

[1]

O Pe. José Kentenich nos ensina que a família unida “pela força da aliança de amor com a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, se empenha em realizar, de uma maneira mais perfeita possível e atualizada, o ideal da Família de Nazaré”.[2] Maria é nossa Mãe e Educadora. “Ela quer usar o lugar e os homens como instrumentos para renovar o tempo e o mundo de hoje, como também a família”.[3]

O que diz o Catecismo da Igreja Católica:

1655. Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e de Maria. A Igreja outra coisa não é senão a «família de Deus». Desde as suas origens, o núcleo aglutinante da Igreja era, muitas vezes, constituído por aqueles que, «com toda a sua casa», se tinham tornado crentes» (179). Quando se convertiam, desejavam que também «toda a sua casa» fosse salva (180). Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã no meio dum mundo descrente.

1657. É aqui que se exerce, de modo privilegiado, o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, «na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade efetiva» (183). O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e «uma escola de enriquecimento humano» (184). É aqui que se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado, e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida.

A família cristã

O Papa Francisco na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia fala da igreja doméstica como um espaço vital para a família. “O espaço vital duma família podia transformar-se em igreja doméstica, em local da Eucaristia, da presença de Cristo sentado à mesma mesa. Inesquecível é a cena descrita no Apocalipse: «Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (3, 20). Esboça-se assim uma casa que abriga no seu interior a presença de Deus, a oração comum e, por conseguinte, a bênção do Senhor […]”.[4]

João Pozzobon e a Igreja doméstica

O Servo de Deus, João Luiz Pozzobon, é um exemplo de pai exemplar, de guardião da família. Em sua casa a igreja doméstica se revelou como dádiva nas lembranças dos filhos da convivência com o pai.

“A gente procurava sempre acompanhar os Terços quando eram rezados perto de casa; íamos sempre, rezávamos e era tão bom, juntava toda a vizinhança e era uma alegria ver todo mundo conversando. Eram lindos os Terços que ele fazia, cada pessoa queria fazer o altar mais bonito que a outra, era impressionante”.[5]

“Quando lhe foi oferecida a Imagem da Mãe e Rainha, para visitar as famílias, ele perguntou a nós se estávamos de acordo com a Campanha. Ele não fazia nada às escondidas de nós. Então, nós acompanhávamos e o ajudávamos quando era perto de casa. Liamos para ele os mistérios do terço e a leitura da Bíblia. Todos nós chegamos a participar com ele”.[6]

Mãe Peregrina das famílias

Em meio as dificuldades da atualidade, a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt quer resgatar a beleza de ser família. Hoje, o objetivo da campanha é mostrar que a família é um “campo” no qual se esconde um tesouro: a vida! Em sua visita, a Mãe Peregrina em sua presença materna, ensina a amar e a valorizar a família.

Maria é nossa Mãe e Educadora e quer nos conceder as graças abundantes de transformação, de educação e de santidade, nos ajudando a ser missionários para este novo tempo. Quando recebemos a visita da imagem da Mãe Peregrina, não abrimos apenas a porta da nossa casa, mas sobretudo a porta do nosso coração, para que ela possa realizar o seu atuar, transformando os lares em pequenos santuários de graças, ainda que essa visita seja de modo espiritual.

Referências:

[1] Cfr RC 7.

[2] KENTENICH. Pe. José. Família à serviço da vida– Encontros com famílias. pág.25

[3] Idem. pág. 27

[4] Papa Francisco. Exortação Apostólica Pós- Sinodal. Amoris Laetitia. 16 de março de 2016

[5]  Humberto Pozzobon citado em entrevista. Acesso em:  João Pozzobon segundo seu filho – Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt (maeperegrina.org.br)

[6] Nair Pozzobon de Souza, citado em João Luiz Pozzobon, evangelizador da família na pós-modernidade. Simpósio Teológico Pastoral sobre a família. Pág. 117