Confio em teu poder e em tua bondade.
Em ti, confio com filialidade.
Confio, cegamente, em toda situação,
Mãe, no teu Filho e em tua proteção.

Ir. M. Nilza P. da Silva – Esta é a pequena, mas muito poderosa, oração da confiança rezada por milhares de pessoas em todo o mundo. Uma oração do Movimento Apostólico de Schoenstatt e que está presente em muitos manuais e sites de oração de outros Movimentos, comunidades e paróquias. Há muitos que rezam esta oração, até mesmo sem saber que se trata de uma oração schoenstattiana.

Embora, ela não faça parte do Rumo ao Céu, livro compilado pelo Pe. José Kentenich, com orações que ele elaborou no Campo de Concentração de Dachau, em alguns países a oração da confiança foi incluída. No Brasil temos até uma novena – Aprendendo a confiar – inspirada nessa singela e poderosa “Oração do Confio”, como a chamamos.

Vamos publicar alguns artigos sobre ela, inspirados em um texto publicado nos EUA. Hoje, vamos conhecer a sua história.

O contexto no qual a oração foi criada

Quando estava preso no Campo de Concentração de Dachau, na Alemanha (1942 – 1945) Pe. Kentenich continuou a dirigir sua Obra, mesmo correndo sérios riscos de vida, pois era ilegal todo contato fora do Campo, a não ser pelo correio oficial do local.

Primeiro, ele tentou escrever por meios legais. Mas, em outubro de 1942, ele percebeu que sua correspondência quinzenal normal não estava chegando ao seu destino. Suas cartas, em vez de ir para as pessoas a quem eram destinadas, em Schoenstatt, eram enviadas para o centro de censuras e serviam como fonte de investigação para o nazismo, que procurava meios para acusar os líderes do Movimento.

A partir de então, Pe. Kentenich deixa de enviar correspondências com o seu nome, como remetente, mas, passa a enviar junto com as correspondências que o Pe. Fischer e o Pe. Dresbach enviavam para seus familiares, que levavam as suas mensagens para Dachau, correndo, com isso, um sério risco de vida.

Pe. José Kentenich reza e procura saber o que Deus deseja, que caminhos ele abriria para que pudesse enviar cartas, sem ter que colocar outros em risco. Em março de 1943, ele faz uma novena para a festa de São José e para a festa da Anunciação a Maria, pedindo um sinal do céu.

Na noite do dia 25 de março, ele comunicou aos dois sacerdotes que o ajudavam com as correspondências que tinha recebido clareza e a partir de agora:

  1. Não realizaria mais trabalhos obrigatórios, dados pelo nazismo, mas iria dedicar-se totalmente à edificação da Obra de Schoenstatt,
  2. Procuraria um meio para assumir novamente a direção de sua Obra fora do campo.

Como isso não era possível pelo correio oficial, procuraria estabelecer uma ligação postal “clandestina”. Com essas duas decisões, o Pe. Kentenich elaborou para os próximos meses uma espécie de programa de trabalho, que deveria ser iniciado sem demora.

Deus mostrou vários caminhos para que suas correspondências saíssem de Dachau e chegassem com segurança nas mãos dos dirigentes das várias comunidades de Schoenstatt, entre outras: Pelos coirmãos que trabalhavam no correio oficial do Campo, pelos prisioneiros que trabalhavam fora do Campo, pelos schoenstattianos que passaram a trabalhar numa estufa de venda de flores, na parte externa do Campo e, por fim, um funcionário do Campo se ofereceu para levar as correspondências para sua casa, na cidade. Então, era o meio “mais seguro”, por isso, passou a ser o mais usado. A casa desse funcionário era a central por onde os líderes do Movimento enviavam e recebiam correspondências com o seu Fundador.

Pedidos de ajuda, vindos de sua Família

A Divina Providência cuidou também que, devido ao aumento contínuo de prisioneiros, os trabalhos dentro do Campo diminuíssem, o que possibilitava mais tempo, e a proteção dada pelo chefe da barraca, veio somar. Tudo isso fez com que Pe. Kentenich, mesmo sob constante pressão e perigo, pudesse ditar textos para dois “secretários”, enviando orientações, conferências e orações, enfim, continuar a dirigir a Obra que Deus lhe confiara.

As comunidades schoenstattianas eram todas, praticamente, recém fundadas e, num tempo de tanta insegurança e perigo de vida, seus superiores tinham perguntas sobre temas muito importantes. As Irmãs de Maria tinham apenas 15 anos de existência, uma comunidade muito diferente das que existiam na época, já haviam enviado missionárias para vários países no além-mar, ainda não tinham a aprovação oficial da Igreja e seu número de membros crescia cada vez mais. Mesmo com todas as proibições do Nacional Socialismo, cerca de 50 membros eram incorporados a cada ano. Por isso, era compreensível que Pe. Kentenich, como Pai espiritual, se dedicasse a elas.

Surge a oração da confiança

No dia 9 de abril de 1943, ele começa a ditar a mais extensa e mais significativa obra para a sua fundação: o “Espelho do Pastor”, um manual para a Direção das Irmãs de Maria. Ao todo são 5870 estrofes de 4 versos cada uma.

Pe. Kentenich trabalha nessa obra até fevereiro de 1944, portanto cerca de 9 meses. Inicialmente o “Espelho do Pastor” era previsto com um volume cinco vezes maior. Mesmo em sua edição abreviada, é uma obra que causa admiração e que representa o testemunho autêntico do espírito do Pe. Kentenich, orientado totalmente pelo amor a Deus e às almas, com um pensar metafisicamente claro e profundo, pedagogicamente iluminado e seguro, sempre orientado pela fé na Providência, de modo que se pode perceber como aqui, em última análise, quem dirige suas palavras escritas é o Espírito de Deus.

O Espelho do Pastor tem um conteúdo totalmente mariano, pois Maria é contemplada em sua posição única na obra da Salvação, de seu Filho, e como o ideal do homem formado por Cristo e que forma Cristo nos homens.

Chama a atenção um verso que sempre se repete nesse compêndio, quer seja em sua totalidade ou, às vezes, só os últimos versos. Percebe-se que esse conteúdo deve ser muito importante para o Fundador, pois depois de listar algumas dificuldades, ele sempre repete esse verso e, finalmente, ao concluir esse compêndio, Pe. Kentenich ressalta esses versos, como se fosse uma chave se ouro para concluir a obra feita.

Esse verso é a Oração da Confiança no seu texto original, em alemão:

Ich bau’ auf deine Macht und deine Güte,
vertau’ auf sie mit kindlichem Gemüte;
ich glaub’, vertrau’ in allen Lagen blind
auf dich, du Wunderbare, und dein Kind.

Uma oração prodigiosa

Pode se interpretar que, por meio desse pequeno verso, ele quis resumir tudo o que tinha dito antes sobre a entrega a Maria e nos dar um meio para enfrentarmos os acontecimentos difíceis. Após Dachau, ele indicou muitas vezes que as pessoas rezassem essa oração. Uma pessoa dá este testemunho :

“Durante uma visita ao Pe. Kentenich, comuniquei-lhe uma preocupação muito grande e difícil. Tratava-se da sobrevivência de uma família e de sua casa. Ele ouviu tudo, com muita atenção, e eu tive a impressão que ele vivenciava, bem profundamente, em si mesmo toda essa situação. Após uns momentos, ele me prometeu que ajudaria a rezar e aconselhou: ‘Reze a minha oração prodigiosa: Confio cegamente em toda a situação, Mãe, no teu Filho e na tua proteção!’ A partir daquela hora, passei a rezar essa oração e, de fato, sempre a experimentei como oração prodigiosa.”

Outra pessoa diz: “Após contar-lhe uma grande preocupação pessoal, o Pe. Kentenich respondeu espontaneamente: ‘Faça como eu e reze muitas vezes: Confio cegamente em toda a situação, Mãe, no teu Filho e na tua proteção “‘.

Rezemos, nós também, essa oração, com muita confiança!

Fontes consultadas:

Pe. Engelbert Monnerjahn, Uma Vida pela Igreja, p. 345 ss

https://schoenstattsistersofmary.us/es/la-oracion-de-confianza/

Arquivo das Irmãs de Maria

 

Publicado em: schoenstatt.org.br