No momento em que nos resguardamos o coração fala

Juliana Dorigo– Estamos vivendo um tempo diferente, sem abraços, a família reunida em volta da mesa, sem poder participar das Missas e restritos a visita da Mãe Peregrina. A pandemia transformou nossa rotina há um ano, e tivemos que aprender rapidamente como suprir o vazio. Neste momento difícil que atravessamos, é preciso priorizar um dom valioso: a vida!

“Ofereci minha vida para o de­senvolvimento da Obra da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, se isto for do agrado do Pai do Céu”

[1]. As palavras de João Pozzobon permanecem vivas em cada coração missionário que leva a Mãe Peregrina. Ainda que neste momento ela não possa chegar até a casa das famílias, a visita espiritual da Mãe de Deus se faz presente todos os dias.

Ato de confiança filial

Quantas vezes durante este período nos consagramos a Maria? Um ato de confiança filial, de entrega, sinal de proteção da Mãe de Jesus e nossa, ato de amor de um filho para com a Mãe Celestial. João Pozzobon dizia: “Consagrar-se é pôr-se à disposição da Mãe. É escutar, ouvir quando Ela fala, estar a seu servi­ço, ser um servidor. A consagração implica, também, estar convencido de que se é chamado a uma missão específica.’’[2]

Abrir o coração

Cada família que abre o seu coração para a visita espiritual da Mãe de Deus acolhe Jesus. Nos braços de Maria está o nosso Salvador, como Ele mesmo nos diz: “Eu vim para que te­nham vida em abundância’’ (Jo 10,10). Maria nos leva ao encontro com o próprio Cristo.

O Papa Francisco recorda que Maria nunca nos desampara. “Se alguém se encontra sozinho e abandonado, Ela está ali perto, tal como estava próxima do seu Filho quando todos o tinham abandonado” [3]. Ainda que em momentos difíceis, Maria caminha conosco e como Mãe, sempre ouve a nossa voz. “As orações a Ela dirigidas não são vãs. Mulher do ‘sim’, que aceitou prontamente o convite do Anjo, responde também às nossas súplicas, ouve as nossas vozes, até aquelas que permanecem fechadas no coração, que não têm a força para sair, mas que Deus conhece melhor do que nós”.

Abrigo espiritual

O Pe. José Kentenich, quando estava no campo de concentração de Dachau, ele e os outros sacerdotes prisioneiros também tiveram um momento longe do Santuário e da imagem da Mãe três Vezes Admirável, mas encontram o consolo no abrigo espiritual.

Espiritualmente de joelhos ante a tua imagem,
Três Vezes Admirável, clemente e poderosa,
me uno a todos os que a ti se consagram … (RC 172)

Fonte de esperança

São João Paulo II nos ensina que “a fé foi-nos dada para duas coisas: primei­ro, para saber e crer, e depois, de modo indis­sociável, para viver. E ambos os aspectos sig­nificam crescer. Significam sair do túnel, abrir as janelas e as portas.”[4]

“A mulher que, nas Bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé, para a manifestação das maravilhas de Deus no mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurrei­ção do Filho, e comunica-a aos outros com carinho ma­ternal. Assim Maria torna-se fonte de esperança e de ale­gria verdadeira”.[5]

Como receber a visita espiritual?

No dia em que a Mãe de Deus estaria em sua casa, prepare um altar para recebê-la, acenda uma vela, reúna-se com sua família e rezem juntos a oração do terço. Se não for possível, rezem ao menos 1 Pai Nosso, 3 Aves Marias e 1 Glória ao Pai. Convide Maria e Jesus para visitar o seu lar e passar esse dia com sua família. Ao final da oração, renove a consagração à Mãe de Deus, entregando novamente a ela sua família e os cuidados por toda a humanidade enferma.

 

Referências:

[1] URIBURU, Estebaj J. Heroi hoje não amanhã, Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt. Santa Maria/RS. Pág. 71

[2] Idem. Pág.89

[3] Papa Francisco acesso em : Francisco: Maria estava e está presente durante os dias da pandemia – Vatican News

[4] João Paulo II clamava no início do seu pontificado: “Abri as portas a Cristo! Escancarai as portas a Cristo!”

[5] Mello, Pe. Alexandre Awi, Ela é Minha Mãe. Encontros do Papa Francisco com Maria, Loyola Jesuítas. São Paulo/SP. Pág 280.