A missão de entender a vontade de Deus

Catarina Andrade e Adriano Costa Pinto – Estar no movimento de Schoenstatt como um casal cristão nos proporciona aprender, cada vez mais, sobre o sacramento que recebemos por missão, entender a vontade de Deus para nossas vidas e o que Deus sonhou para nós enquanto família. Através deste Carisma, podemos nos aprofundar nos aspectos desse compromisso que assumimos um com o outro, com Deus e com a igreja.

Podemos dizer que a autoeducação, a vinculação Mariana, a confiança na divina providência entre outros muitos elementos da pedagogia de Schoenstatt os quais transformam-se em caminho e direção para buscarmos viver o mais elevado grau desta missão: atendermos ao chamado de Deus para o matrimônio e sermos uma família evangelizadora e missionária.

Como um casal jovem, vivemos a realidade da família moderna, que pode ser muitas vezes perigosa e desafiadora. A correria dos dias, a vida profissional, a pressão social. Tudo isso pode nos afastar um do outro e da comunidade em que devemos estar inseridos como igreja. Consequentemente, as demandas podem abstrair-nos da nossa missão como família, da nossa vocação primeira.

Em Schoenstatt, encontramos um lugar seguro, abrigados pela Mãe Três Vezes Admirável, para rever nossa missão, aprofundarmos em nosso papel como família, sermos fortalecidos, educados e enviados a ajudar outras famílias. Vincular-se, com outras famílias, à Schoenstatt, faz reverberar dentro de todos nós os mesmos ideais, respondendo à vocação como uma grande família e, em movimento, sendo igreja.

Podemos partilhar em linhas gerais que formar uma família exige dedicação, empenho, entrega, tempo, oração. É necessário estruturar nossas rotinas de forma prática para manter a família como prioridade maior, cuidarmos um do outro, seguirmos o plano da família, estabelecermos um projeto de criação e educação dos filhos, enfim, sermos uma verdadeira escola das virtudes humanas e da caridade cristã.

Um pouco de prática

Para nós, estabelecer rotinas com horários semanais e combinados/acordos têm sido essenciais. Muitas vezes precisamos flexibilizá-los, mas o ideal deve sempre estar no coração. Durante a semana, instituímos uma noite para o casal, outra uma hora semanal para trazer solicitações e apontamentos, para expor necessidades pessoais e solicitações de ajustes. Buscamos fazer pelo menos uma refeição juntos durante o dia e se deitar no mesmo horário para rezar.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, a participação se realiza, antes de tudo, assumindo os setores pelos quais se tem a responsabilidade pessoal: pelo cuidado na educação da prole, por um trabalho consciencioso, o homem participa no bem dos outros e da sociedade (1914).

Atualmente é nossa realidade com mestrado e doutorado em curso. Mas sabemos que muitos outros casais vivem situações diversas e é necessário ser criativo no amor conjugal, são os pequenos detalhes que nos tornam fortes, que nos fazem estabelecer a Igreja doméstica. A participação é o empenhamento voluntário e generoso da pessoa nas permutas sociais. É necessário que todos tomem parte, cada qual segundo o lugar que ocupa e o papel que desempenha, na promoção do bem comum. Este é um dever inerente à dignidade da pessoa humana. (Catecismo da Igreja Católica, 1913)

Educação e dedicação

A união de forças, o suporte que os membros da família podem oferecer entre si, podem fazer as provas serem superadas com tranquilidade. Por isso, é necessário a coordenação entre os indivíduos, um mesmo objetivo, uma sintonia. Ao nosso ver, esse aspecto exige muita atenção, educação e dedicação dos cônjuges e muitas graças da Mãe e Rainha: cuidar da sintonia entre o casal, exercitar a retidão do espírito para não se assustar com os desafios e para as forças e ferramentas necessárias para suplantá-lo.

O grande desafio então, não é um evento pontual, mas diariamente preparar-se para os eventos pontuais. A grande virtude é não estarmos sozinhos, é estarmos os dois ouvindo a mesma vocação, seguindo a mesma voz, olhando na mesma direção. É ser um vestígio e imagem da Trindade, sermos mais de um e um ao mesmo tempo. (Catecismo da Igreja Católica, 2205).