Neste Mês Missionário Extraordinário, vamos conhecer o testemunho de alguns brasileiros que se mudaram para outras nações e continuam espalhando as sementes da missão. É o caso de Silvana Balduino, de Londrina/PR, que hoje mora no Canadá e é missionária da Mãe Peregrina numa comunidade de língua portuguesa.

Meu nome é Silvana Balduino e moro em Montreal, no Canadá, há quase dois anos, junto com meu filho João Emmanuel. Anteriormente morávamos em Londrina/PR, onde há um Santuário de Schoenstatt, Tabor Esmagadora da Serpente.

Minha devoção à Mãe e Rainha vem desde quando eu era criança, pois recebíamos sua visita todo mês em nossa casa – minha mãe, muito católica, fazia questão de tê-la conosco. No entanto, vim a entender um pouco mais sobre a história e os ideais que envolvem a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt quando meu filho já estava indo à escola, justamente um colégio ligado à espiritualidade de Schoenstatt. Eu trabalhava próximo ao Santuário e, durante meu horário de almoço, a oração do Santo Terço lá era algo sagrado de todos os dias.

Depois de tudo isso, no final do ano de 2017, eu e meu filho (ele com 13 anos na época) resolvemos vir morar no Canadá, na parte francesa que é Quebec. Durante esse período de preparação, comecei a pesquisar onde teria um Santuário de Schoenstatt, porém, o mais próximo ficava em Nova York/EUA.

Sabendo disso, resolvi procurar a Casa do Movimento e ver a possibilidade de levar uma imagem da Mãe Peregrina. As Irmãs de Maria acolheram minha ideia e me deram formação intensiva, uma vez por semana. Assim, no dia 18 de novembro de 2017 aconteceu o envio da imagem que viria ao Canadá.

Ela nos acompanhou!

Em minha cabeça, os desafios tinham apenas começado, pois eu precisaria reunir 30 famílias para receber a imagem de nossa Mãe querida. Onde? Em qual paróquia? Como, se não conheço pessoa alguma? A Mãe resolveria tudo! As Irmãs então disseram que, nesse caso, as visitas da imagem poderiam ser eventuais, como acontece em algumas zonas rurais.

Durante a viagem, a imagem da Mãe e Rainha não foi em minha mala, ela foi levada pelo meu filho todo o caminho. Por incrível que pareça, no avião havia três lugares onde iríamos nos sentar: um para mim, outro para o meu filho e o outro estava vazio – mas, na verdade, sabemos que estava vazio aos nossos olhos, mas não aos nossos corações, temos certeza de que a Mãe Deus nos acompanhou por todo o percurso.

Sob o sopro da Providência

Chegamos ao Canadá no dia 24 de novembro e em meados de dezembro comecei a frequentar a comunidade portuguesa aqui de Montreal. Nessa comunidade há um grupo de brasileiros responsáveis pela liturgia em alguns finais de semana. Falei então com o coordenador, que logo em seguida falou com o pároco e a imagem da Mãe e Rainha foi apresentada à comunidade. Com todo o incentivo e a colaboração dos amigos brasileiros da comunidade, conseguimos reunir cerca de 20 famílias. Hoje esse grupo está com aproximadamente 35 famílias e já temos duas imagens da Mãe Peregrina.

Vimos, então, que a Mãe de Deus realmente encaminha tudo, em seu modo carinhoso e tranquilo. Eu sou missionária de uma imagem na região de îles des Soeurs e Rive Sud, onde está centralizado certo número de famílias, assim fica mais fácil passar a Mãe Peregrina de casa em casa. Aqui em Montreal tudo é muito distante, o casal Luciana Neves Araújo e Luiz Onélio Vanderlei são os missionários da outra imagem, que visita famílias espalhadas por toda a Montreal, por isso, a Luciana e o Luiz combinaram que cada família repassaria a imagem durante os finais de semana na missa.

Hoje sei que existe um grupo do Movimento de Schoenstatt no Canadá. Eu entrei em contato, mas, devido minha correria com o Mestrado, ainda não consegui aprofundar uma conversa mais concreta, que pretendo fazer em breve. Neste ano de 2019, rezo a oração do Terço todo dia 18 em minha casa e, para 2020, as orações para o Dia da Aliança de Amor estarão no calendário paroquial.

A Mãe tem uma missão

Depois da década de 60 houve um grande esfriamento da religião por todo o Canadá. Ocorreu uma revolução (Revolução Tranquila) pela qual se expandiu o laicismo em massa e, pior que isso, houve uma verdadeira ruptura com a religião católica, realmente foi algo de dar dó. Há muitas igrejas lindas, verdadeiras obras de arte, que atualmente são vendidas ou se transformam em centros para diversos tipos de atividades – visitei uma que se tornou uma escola de circo em um projeto social. Sabemos que, na verdade, isso foi uma grande insídia do inimigo. Por questão de curiosidade, antes de a cidade de Montreal ter esse nome, ela era chamada de ‘Cidade de Maria’, com o tempo foi modificado para o nome de um monte que tem na cidade, que se chama Mont Royal (por isso Montreal). Mas é lindo ver que no topo desse monte há uma grande cruz que pode ser vista em diversos pontos da cidade e que no pé dele há uma imagem enorme de São Miguel Arcanjo.

Diante desse cenário, creio que nossa querida Mãe pode e ainda fará muitos milagres. Como dizemos na oração de acolhida da imagem Peregrina, que Ela possa “transformar o vinho que falta na vida de cada um”. Com a Mãe Peregrina, desejo verdadeiramente que o Movimento Apostólico de Schoenstatt se expanda por todo o Canadá. Desejo que o amor da Mãe de Deus encontre muitas outras pessoas e nelas possa infundir sua docilidade, que essas pessoas recebam cada vez mais as graças que a Mãe tem para cada um.

 

*Matéria publicada originalmente na Revista Tabor, edição 116