O empenho de João Pozzobon pela canonização do Padre Kentenich

“Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto!” (Lc 6, 43-44)

Sonia Tubino, Thelma Soutello, M. Dulce Torres – Quando conhecemos a vida e a história de fé de João Pozzobon, com maior clareza reconhecemos a influência e a força do modelo que inspirou sua caminhada: Pe. José Kentenich!

O Fundador da Obra de Schoenstatt, que ele conheceu ainda em vida, lhe deu um testemunho concreto do que seria uma estreita Aliança com Deus, por meio de Maria e seu filho Jesus!

A vida em Aliança se realiza nos pequenos e singelos encontros que a vida diária nos proporciona, mas fortalece o laço de amor que une e nos assemelha àquele ao qual nos aliamos!

Pe. Kentenich e seu carisma se tornam então, farol e norte da espiritualidade de João Pozzobon e, mais do que uma simples liderança ou exemplo, a força de sua benção o torna capaz de se comprovar como um filho heroico do Pai!

 “A formação schoenstattiana, fundada pelo Revmo. Padre José Kentenich, constitui uma espiritualidade heroica, capaz de destruir montanhas. Por isso, sinto a responsabilidade de solicitar, em consciência, a Sua Santidade, a beatificação do Padre Kentenich, para o bem da Santa Igreja que ele tanto amou.”[1]

Mostrando-se um “aluninho” atento e incansável no exercício de tão belas lições, João Pozzobon experimentou na sua vivência pastoral as atitudes que se tornaram os pilares de sua espiritualidade schoenstattiana:

  • Confiança na Providência Divina e a certeza do amor da Mãe: “Ela percorre o mundo, sobre as nuvens, sobre o mar, para ser conhecida e amada, criando uma grande vinculação de Santuário a Santuário”.
  • A vinculação ao Santuário – sua fonte de graças: “Nesta hora recordamos aquela benção do Pai Fundador, Padre José Kentenich, no dia 4 de agosto de 1951, que ele enviou do Santuário Original, aquela maravilhosa benção foi a força desta Campanha.”[2]
  • A grandeza e compromisso de sua missão como resposta ao amor do Pai: “o dedo de Deus apontou e a Mãe e Rainha dirigiu, iluminado pelo Espírito Santo e o burrinho pôs-se a caminhar”…[3]
  • Seu espírito heroico, sua docilidade e ardor apostólico ancoravam-se na força e na fidelidade de quem lhe ensinara a compreensão da beleza de ser um instrumento da Mãe: “o Revmo. Padre Kentenich é um santo instrumento enviado por Maria. Tudo o que ele quiser, e tudo o que ele exigir, é Maria quem quer.”[4]

Como pedra bruta e simples foi lapidado pelas palavras de incentivo e pelo respeito com o qual mantinha uma relação filial com o Pe. Kentenich. Com ele aprendeu a magnanimidade de ir cada dia mais além e a fazer de cada desafio um apostolado incansável pelo bem da Igreja e da Família.

Não foi um aprendizado passivo ou superficial, mas uma decisão consciente daquele que queria agradar e ser grato aos que tanto lhe importavam! Seus sacrifícios no exercício desse mesmo apostolado seriam ressignificados e se tornariam ofertas de amor!

Em 1952, quando João fica sabendo que o Pe. Kentenich iria a Santa Maria, “oferece uma semana de comunhão e Missa, orações e sacrifícios, em uma palavra, tudo o que seja possível fazer, ele entrega para o Capital de Graças”.

Quando o Pai e Fundador de Schoenstatt estava no ‘exílio’, em Milwaukee/EUA, João Pozzobon não deixava de enviar relatórios de suas atividades pastorais. Pedia para uma Irmã de Maria, Ir. M. Judite Lauer, traduzi-los para o alemão. E um detalhe importante, sempre assinava as cartas ajoelhado, devido ao respeito e a estima para com o Pe. Kentenich. Isso testemunhou Ir. M. Judite anos mais tarde.

Suportou duas hérnias inguinais, como oferecimento para o Capital de Graças, pelo retorno do Pe. Kentenich do exílio. Não quis operar para oferecer como sacrifício pelo seu Pai, mestre e educador, até que ele retornasse a Schoenstatt.

“O Sr. João experimentava duas dificuldades físicas, de modo crescente: o cansaço das pernas e a perda da visão. Em outubro de 1982, encontrou providencialmente um galho de árvore, que transformou em bastão: ‘Andar com o bastão é um oferecimento à Mãe e Rainha por seu fiel instrumento, Pe. Kentenich, e por sua beatificação’”.[5]

João Pozzobon nos atesta em cada passo de sua constante caminhada um parentesco espiritual e a afinidade da Graça que havia entre ele e o Fundador, Pe. Kentenich “…fui capaz de fazer tudo isso pela Santa Igreja, no amor à nossa Mãe e Rainha porque recebi esta formação no meu espírito através de Schoenstatt.”

Pe. José Kentenich uma árvore frondosa, semeada pelo amor de Maria; João Pozzobon, o bom fruto sempre ligado às raízes e sua origem. Ambos, tocados por Deus, conduzidos pelas mãos de Maria, portadores da mensagem de Cristo, convites concretos a uma Nova Aliança de Amor!

_____________________________

[1] Uriburu, Pe. Esteban. Herói hoje, não amanhã (1ª Edição) pág. 107

[2] Idem pág. 108

[3] João Pozzobon, evangelizador da família na pós-modernidade- Simpósio Teológico Pastoral sobre a família pág. 63

[4] Uriburu, Pe. Esteban. Herói hoje, não amanhã (1ª Edição) pág. 50

[5] Uriburu, Pe. Esteban. Herói hoje, não amanhã (1ª Edição) pág. 119