Uma carta para cada família

15 de abril de 2016

68 anos da Carta de Santa Maria.

encontro_familias_01Ir. M. Nilza P. da Silva – Nesta sexta-feira o Movimento Apostólico de Schoenstatt recorda os 67 anos da Carta de Santa Maria, escrita pelo Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, no dia 15 de abril de 1948, à sombra do Santuário Tabor, em Santa Maria/RS. O documento é redigido a apenas três dias da inauguração deste primeiro Santuário brasileiro e tem uma importância histórica singular.

Transcorre o ano de 1948. Pe. José Kentenich está no Brasil e acaba de participar da inauguração do Santuário Tabor. Na Alemanha, acontece uma grande jornada das famílias, na qual ele não pode estar presente e, por isso, escreve uma carta, que se tornou o Documento de Fundação da Obra das Famílias de Schoenstatt, um documento preciosíssimo para a Obra.

O casal Nivaldo e Terezinha Abra, de Curitiba/PR, pertence ao Instituto de Famílias de Schoenstatt e explica a importância e atualidade desta Carta histórica:

Para quem e por que o Pe. Kentenich escreve essa carta?
No ano 1945, o Pe. Kentenich nomeou o Pe. Johannes Tick, sacerdote de Schoenstatt, para organizar e aprimorar toda a Obra das Famílias, a partir da Liga, União e Instituto. Pe. Tick substituiu nessa função o Pe. Albert Eise, falecido em Dachau em 3 de setembro de 1942. Era costume entre as famílias se reunirem em Schoenstatt para uma jornada na festa de Pentecostes. Em 15 de abril de 1948, estando em Santa Maria/RS, o Pe. Kentenich enviou uma mensagem endereçada ao Pe. Tick para este evento.

Porque ela é considerada o Documento de Fundação da Obra das Famílias?
Ela é considerada Documento de Fundação da Obra das Famílias porque contém os elementos básicos e essenciais para a missão e santificação da família. O Pe. Kentenich se refere a esta carta dizendo:

“A Carta de Santa Maria encerra basicamente os princípios de preparação e realização do ato de 16 de julho de 1942, em Dachau, e apresenta aquilo que queria dizer a Fritz Kühr (co-fundador da coluna familiar) com mais detalhes, se a situação tivesse permitido e o tempo não fosse limitado”.

Qual a mensagem dessa carta para as famílias da atualidade?
O núcleo é: formar uma família à imagem da Sagrada Família de Nazaré. Sabemos dos desafios que vivemos, caracterizados pela desordem generalizada, mudança cultural, uma fé reduzida, etc. Vivemos em meio a luzes e sombras. Não nos deixemos confundir: “a meta é formar um novo homem para uma nova sociedade”.

O centro da Família de Nazaré é Cristo e é este Cristo que devemos espelhar. Uma família, na força da Aliança de Amor e unida a Cristo poderá tornar mais santa esta sociedade e ajudar na formação de famílias autenticamente cristãs.

O que há de promessas da Mãe de Deus nessa carta?
De acordo com o que nosso Pai Fundador escreveu, ele relaciona a festa de Pentecostes com a importância e dignidade da Obra das Famílias. Para modelar e aperfeiçoar uma nova sociedade humana e um novo tipo de homem, Nossa Senhora concentra necessariamente todo seu poder de graças na criação e multiplicação de sólidas famílias schoenstatianas. Ele intuiu também que, se criarmos ilhas santas de famílias schoenstattianas, Nossa Senhora cumprirá as promessas que fizera no Documento de Fundação. Nossa Mãe é a grande suplicante das graças do Espírito Santo para que a família conheça, ame e viva a nova tarefa de vida oferecida por Deus

O que há de exigência para a colaboração humana?
Que levemos a imagem da Mãe de Deus para nossa casa e lhe demos um lugar de honra. Assim elas se transformarão em pequenos Santuários. A exigência para nós é que sejamos “ilhas santas de famílias schoenstattianas”, unidas numa obra comum de famílias que busquemos forças para cumprir a moral familiar da Igreja. O caminho é a elaboração de uma ascese e pedagogia familiar próprias, para ser um reservatório para a renovação permanente dos demais ramos do Movimento.

Nosso Pai e Fundador sempre respeitou a vida e a liberdade, porém, nos deixou princípios. Em nosso estilo de vida é que poderemos encontrar o caminho para aplicar esta ascese e pedagogia schoenstattiana. Por isso, precisamos ver quais são os valores que queremos garantir em nossas famílias, por meio de usos e costumes comprovados.

Inspirado pelo Espírito Santo

Na Carta de Santa Maria, Pe. Kentenich traça o perfil daquilo que o Espírito Santo lhe revela sobre a Obra das Famílias de Schoenstatt, a sua missão, e também apresenta os meios para que isso se realize. Para que cada família se torne, no meio do mundo, uma ilha que irradia o divino, semelhante a Família de Nazaré, é preciso que se una em torno da Mãe de Deus. Ela conduzirá cada um ao amor heroico a Cristo.

Quando descreve a família como ilha, de modo algum Pe. Kentenich quer indicar a um grupo isolado de outros grupos. Mas, a uma comunidade sólida, que não se deixa abalar pelo mar agitado da realidade que a cerca.

Quis a Providência Divina que um documento de tal envergadura para toda a Obra fosse escrito em nossa Pátria. Com isso, certamente, Deus quer demonstrar a cada família brasileira o quanto a ama e o quanto acredita em sua missão. Levemos a imagem da MTA para nossos lares e reunamos nossos familiares em torno a ela!

Leia a Carta de Santa Maria na íntegra