Um verdadeiro milagre de Natal

24 de dezembro de 2015

“Contemplamos a graça de Deus em nossa história”.

santuario-originalKaren Bueno – Em 24 de dezembro de 1965 a Família de Schoenstatt vive o “Milagre da Noite Santa”. Contra todas as possibilidade, depois de 14 anos de exílio, o Pe. Kentenich é, enfim, liberado pelo Santo Ofício para voltar à Alemanha e celebrar o Santo Natal no Santuário Original da Mãe e Rainha.

“Na manhã de 24 de dezembro, literalmente no último momento, a notícia correu como faísca na pólvora por todo Schoenstatt, em plena preparação de Natal: “O Pai está voltando! Ele chega hoje! Realizou-se o tão esperado Milagre da Noite Santa!”. Todos os preparativos natalinos foram deixados de lado e se fizeram correntes de telefonemas para passar a notícia. Em pouco tempo, centenas de schoenstattianos em todo o mundo estavam sabendo da grande novidade. Não poucas famílias recorreram aos bons vizinhos, deixando com eles seus filhos e se puseram a caminho do aeroporto de Frankfurt (e tomara que houvesse passagens aéreas), pois todos iam rumo a Schoenstatt… para esperar o Pai chegar, a quem muitos só conheciam por meio de fotos e de testemunhos de outras pessoas[1]”.

O Sr. Gebhard Maria Basler, Irmão de Maria de Schoenstatt, teve a graça de esperar o Pai e Fundador no aeroporto, na Alemanha. Ele narra:

Na sala de recepção, no aeroporto de Frankfurt, encontramos mais ou menos 80 schoenstattianos conhecidos de todas as comunidades e ramos, como, por exemplo, Pe. Finste, que trouxe consigo jovens do Movimento, de Heppenheim. O avião tinha mais ou menos 45 minutos de atraso e assim havia tempo suficiente para cumprimentar as diversas pessoas. Reinava uma atmosfera alegre e cheia de esperança.

[…] o avião aterrissou. Logo vimos também pessoas que acompanharam o Pe. Kentenich na viagem. Mas, onde estava o Pe. Kentenich, aquele homem do qual ouvira falar tanto, tinha lido seus livros, vira fotos e slides e a cujo séquito me havia unido? Depois de algum tempo, se ouviu um murmúrio em nossas fileiras e descobrimos o Senhor Padre junto da alfândega com uma pasta na mão. Levou ainda algum tempo até que ele viesse pela porta de vidro até nós que estávamos esperando na entrada. Depois, tudo se realizou silenciosamente e num clima familiar. O Senhor Padre […] foi de grupo em grupo, cumprimentando as diversas pessoas com um aperto de mão.

A volta para Schoenstatt é animada e todos se surpreendem ao descobrir que o Pe. Kentenich desejava, antes de ir ao Santuário Original, visitar o superior provincial dos Padres Palotinos – ele queria que esse encontro marcasse a união entre as duas comunidades, encerrando os conflitos que poderiam existir.

Aqueles que estão em Schoenstatt logo ouvem o sino tocar e se voltam para o Santuário Original. De maneira indescritível, todos vivenciam o Milagre de Natal, o Pai e Fundador enfim se encontra com sua Mãe e Rainha de Schoenstatt, no Santuário Original, depois de 14 anos de exílio.

A foto do Pai

1965 - noite santa

Esta é uma das fotos mais famosas do Pe. Kentenich: vemos o Pai ajoelhado no Santuário Original, em profunda oração, depois de uma separação de 14 anos… Esta foto é uma obra do Sr. Blank, Irmão de Maria de Schoenstatt, que, com uma câmera simples, se encontrava perto do Santuário Original. Como não pôde entrar, foi a uma janela, do lado do Monumento dos Herois, abriu um pouco mais a janela, colocou-se na ponta dos pés, levantou a máquina e, sem enxergar nada, bateu a foto… Graças a ele e sua ousadia filial, temos hoje essa foto do primeiro diálogo do Pai com sua Rainha naquela Noite Santa[2].

Uma Família que jamais foi separada

Depois desse reencontro silencioso no Santuário Original, o Pai vai ao encontro de seus filhos no Salão do Colégio das Irmãs de Maria, onde centenas de schoenstattianos, de todos os ramos e comunidades, o esperam para dar as boas vindas. O coro das Irmãs entoa o “Aleluia de Haendel” com tanta felicidade e emoção que até hoje, após 50 anos, ao ouvir essa música, muitos revivem com lágrimas de alegria essa Noite Santa em que o Pai lhes falou, como se os 14 anos de separação jamais houvesse existido. Ele reconhecia a todos os que não via há 14 anos, perguntava por coisas que lhe haviam dito, antes dele ir para o exílio, e que só eles mesmos recordavam, saudava os que conhecia por meio de cartas e se lembrava perfeitamente do que haviam lhe escrito, quando o Pai falou à Família, não dos anos transcorridos até esse momento, mas da missão que juntos deveriam empreender, como demonstração de gratidão a MTA.

Essa Noite agraciada teve como ponto culminante a celebração da Santa Missa de Natal. A meia noite, o Pai celebrou no Santuário Original, o novo Belém. O Milagre da Noite Santa aconteceu!

[1] Trecho retirado de archiv.schoenstatt.de 

[2] Trecho retirado de archiv.schoenstatt.de