Um encontro com o Papa Francisco

23 de abril de 2015

“Schoenstatt está dentro da perspectiva do Papa”

papa-padresIr. M. Nilza P. da Silva – O Papa Francisco recebeu, neste mês de abril, oito padres de Schoenstatt, entre eles o diretor nacional do Movimento no Brasil, Pe. Alexandre Awi Mello.

A conclusão do retiro dos Padres de Schoenstatt, que formam um curso, teve como auge o encontro com o Santo Padre, no dia 14 de abril, no Vaticano. Por sugestão de um sacerdote deste curso, Pe. Alexandre pediu ao Papa Francisco se poderiam encontrá-lo, muito brevemente, para cumprimentá-lo. Prontamente, o Santo Padre lhe respondeu, aprovando o pedido. Porém, a conversa que deveria ser breve, de 10 a 15 minutos, se estendeu por quase uma hora.

Pe. Alexandre Awi partilha que esse encontro foi uma vivência particular do curso, com conversas direcionadas para o sacerdócio. Contudo, aproveitaram a ocasião para falar também sobre o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele nos conta um pouco sobre esse encontro:

Por que aconteceu esse encontro com o Papa Francisco?

Nós tivemos um pequeno terciado de curso – os cursos são as turmas que nós formamos no noviciado, vinculados para toda vida.

Há sete anos, meu curso não se reunia e nós precisávamos nos encontrar, depois de tanto tempo. Decidimos, então, que seria em Portugal, porque três dos nossos irmãos (no sacerdócio) moram nesse país. Uma graça muito grande foi que eles conseguiram que nós fizéssemos um retiro em Fátima. Nós nos reunimos durante uma semana ali, fizemos retiro e também momentos de partilha entre nós.

No meu curso, nós somos em oito Padres – dois chilenos, três argentinos, dois portugueses e eu, brasileiro. O objetivo desse pequeno terciado foi uma renovação do nosso sacerdócio – todos têm entre 12 e 15 anos de Padre.

Um dos nossos irmãos de curso sugeriu que, se possível, fossemos cumprimentar o Papa e pedir a ele, caso conseguíssemos, uma palavra em relação ao sacerdócio e uma nova motivação para nós, nesse sentido. Não foi fácil encontrar o momento certo para fazer essa pergunta ao Papa. Mais ou menos, há um mês, apresentei esse pedido ao Papa, disse que nosso curso poderia estar em Roma durante uma semana no mês de abril. Imediatamente, ele aceitou e disse que poderia nos receber no dia 14 de abril, às 19 horas, na Casa Santa Marta. É assim que conseguimos esse encontro.

Como foi esse encontro?

Foi um encontro muito amigável, fraterno, descontraído, como ele é. Não tinha um tema especial, porque não sabíamos quanto tempo nós teríamos – eu tinha pedido de 10 a 15 minutos, somente para cumprimentá-lo e para que ele nos dissesse uma palavrinha sobre o sacerdócio. Mas,nós ficamos 50 minutos com ele.

Chegamos um pouco antes e o Papa Francisco também veio a nós antes do horário marcado. Ele disse que tinha tempo e que poderia ficar conosco até 19h45min. Conversamos sobre a sua visão do sacerdócio, agradecemos a homilia que ele fez na Quinta-Feira Santa, que falava do cansaço dos sacerdotes. Ele nos falou que sempre temos de tomar cuidado com o “quarentaço” – uma expressão que usou para se referir aos 40 anos, à crise que pode surgir nessa fase da vida. Também perguntamos como ele estava, se estava bem, ele respondeu que estava muito bem, tranquilo e que sentia muita paz.

Nós lhe agradecemos pela proclamação do Ano da Misericórdia, porque isso motivou muito nosso terciado. Nós nos reunimos bem no período em que foi lançada a Misericordiae Vultus, que é a bula de convocação do ano santo. Ele nos contou que a ideia do Ano da Misericórdia lhe veio muito espontaneamente, não era nada planejado. Ele pensou: ‘seria bom ter um ano dedicado à misericórdia’ e comentou isso com Dom Rino Fisichella, do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, fundado recentemente.

No mês seguinte, Dom Fisichella já tinha todo um projeto para o Ano Santo da Misericórdia. Então, o Papa compreendeu que isso era vontade de Deus, surgida de seu interior, com a inspiração do Espírito Santo. Eu, pessoalmente, acredito que esse ano santo trará muitos frutos para a Igreja. Será muito especial para se cultivar o perdão, a indulgência, o amor a Deus, o amor ao próximo, as obras de misericórdia, tudo isso que ele fala na própria bula.

Os senhores falaram sobre Schoenstatt com o Papa?

Em vários momentos, nós nos referimos a Schoenstatt, porque ele sabia que nós éramos Padres de Schoenstatt. Ele agradeceu ao nosso Instituto, por termos cedido o Pe. Francisco Pistilli para ser bispo no Paraguai. O Papa sabia que o Pe. Pistilli era um superior provincial da comunidade, por isso era difícil de liberá-lo para a nova função. Ele lembrava-se bem do nome do Padre (hoje, bispo) e estava consciente de que ele era um Padre de Schoenstatt.

Também conversamos com ele sobre uma corrente de coroação que há no nosso curso e pedimos que ele rezasse conosco. Esse foi um momento bem schoenstattiano, em que nós pudemos, juntos, proclamar nossa Mãe e Rainha como Rainha do nosso sacerdócio, das nossas vidas.

Como diretor nacional do Movimento, o que o senhor traz desse encontro para o Brasil?

Eu acho que, em primeiro lugar, é uma contribuição para nós mesmos, mas é também uma forma de Schoenstatt manter contato com o Santo Padre, de alguma maneira estar dentro da sua perspectiva. É sempre em um contato próximo com a nossa comunidade de Schoenstatt.

Em alguns momentos, nós voltamos a mencionar as coisas que ele tinha dito para nós, como Família de Schoenstatt, na audiência do dia 25 de outubro de 2014. Percebemos que Schoenstatt está dentro da perspectiva do Papa e ele, certamente, se solidariza conosco. No momento em que lhe pedimos para rezarmos juntos, ele disse: ‘temos que somar sempre’. Inclusive acrescentou: ‘O que eu tenho que fazer?’. Ele foi muito espontâneo, como que dizendo: ‘Estou aberto ao que vocês propuserem, estamos juntos em tudo isso’.

  • Daniel Simões

    Oito padres de Schoenstatt, entre eles o diretor nacional do Movimento no Brasil, Pe. Alexandre Awi Mello e também o director nacional do Movimento em Portugal, Pe. José Melo. Certamente que foi um momento único, para o Schoenstatt de língua portuguesa.

  • Carmen Gouvea Benedetti

    QUE LINDO A VISITA DOS PADRES DE SCHOENSTATT AO SANTO PAPA FRANCISCO

  • Maria Da Aparecida Guedes

    Sê instrumento, a filialidade a Deus Pai.