Um advento em saída no Ano da Misericórdia

12 de dezembro de 2015

Pozzobon, missionário em constante saída

org. Em atitude de Advento, atitude de espera e de preparação, atitude de renovação e anúncio profético, atitude de Maria no Magnificat, como milhares e milhares de missionários da Aliança de Amor peregrinamos rumo a Belém, onde a pequenez e a simplicidade nos são presenteados como o caminho – o melhor deles – escolhido por Deus para nos levar à plenitude d’Aquele que nos criou e redimiu.

Este Advento 2015 é Advento em saída – Advento do ano da misericórdia, quando se sente o chamado de oferecer a aliança vivida – com alegria e humildade – como preciosa contribuição para a Igreja de nosso tempo. É momento de nos perguntarmos como levar o Evangelho, o amor misericordioso de Deus, ao homem de hoje, desde o mais sofisticado intelectual ao mais simples trabalhador do campo, tanto nas vilas como em novas sociedades e nações…

É neste Advento em saída que nosso olhar se dirige a um homem simples e humilde: João Luis Pozzobon.

Pelo memorando somos convidados:  “Repletos de espírito missionário, propomos a todas as pessoas, para além de todas as fronteiras – até às periferias da sociedade – a aliança de amor como caminho e esperança. Construímos assim uma abrangente cultura de aliança.”

Isso João Luis Pozzobon viveu em sua vida e em sua missão. Ele estava em perene saída e dizia:  “quando algo é de Deus, algo divino, um homem sozinho pode mover o mundo.” Ele transformou Schoenstatt para sempre, presenteando a todos nós, pela Campanha da Mãe Peregrina, seu rosto missionário; ele transformou o mundo, seguido por milhões de missionários capazes e dispostos a levar as graças do Santuário de Schoenstatt até os confins do mundo, para que Cristo nasça novamente.

“Ele olhou para a humildade de sua serva”

Simplicidade, humildade, serviço desinteressado: esse é o espírito que animou o “pobre peregrino e diácono” João Pozzobon, que se considerou e aspirou a ser um “simples servo”, “instrumento” e “burrinho” da Mãe e Rainha… O mesmo espírito que deve reinar na em cada filho de Schoenstatt neste Advento em saída.

João Pozzobon teve que deixar a escola depois de poucos anos de estudo, para trabalhar no campo. Foi um trabalhador humilde, um leigo simples, que em seu momento soube captar o chamado de Deus e nunca mais deixou de cumprir a missão assumida… sem nunca cair na tentação do poder ou do medo. A humildade e a simplicidade podem ser cruciais nos momentos de enfrentar doutrinas complicadas, e devem estar refletidas na atitude de serviço de seus agentes quando também se encontrarem diante de situações de corrupção e lutas pelo poder. Pozzobon fez surgir algo tão simples quanto eficiente. Sendo simples, a CMPS está ao alcance de todos. Tem como suporte a espiritualidade sólida e uma pedagogia eficiente, leva a concretizar a grande meta do Ano da Misericórdia.

“É preciso seguir em frente”

“Quando vi que das visitas da Peregrina às famílias brotavam tantos frutos, não consegui deixar…”. Um comentário do Sr. João, contado muitas vezes pelo Ir. Germano Arendes, companheiro e aliado do “pobre peregrino”. As visitas com as Imagens da Mãe Três Vezes Admirável começaram como uma espécie de novena, em preparação ao 1º de novembro de 1950, dia da proclamação da Assunção de Maria ao Céu. Quantas outras coisas interessantes poderia ter feito João Pozzobon a partir de  1º de novembro? Que seria de Schoenstatt e da Igreja se ele tivesse deixado aquela pequena peregrinação, como era previsto, pois, já tinha alcançado a meta proposta pela Irmã? A obra iniciada merece nossa fidelidade, alimentada pela observação da vida desse missionário e peregrino; por isso hoje temos a Campanha… e a corrente missionária deve se tornar uma corrente tão forte e tão dinâmica em Schoenstatt.

Enfrentar a rejeição

Rejeição foi o que Jesus enfrentou da parte dos dirigentes do povo de Israel; também, em cada momento da história, os profetas enfrentaram rejeição; foi o que enfrentaram os Movimentos e seus fundadores: a rejeição… O Papa Francisco, na audiência com a Família de Schoenstatt disse que enfrentar rejeição com amor é sinal dos profetas, referindo-se ao Pe. Kentenich. João Pozzobon também enfrentou a rejeição por parte de representantes da igreja, (embora com boa intenção) tentaram fazer com que ele mudasse a imagem; acusaram-no por pertencer à Obra de Schoenstatt (que estava sendo provada)  durante o tempo do exílio do Pe. Kentenich… Ele enfrentou a rejeição. O Sr. João enfrentou tudo isso, chorando, como testemunha, porém sem nunca perder seu amor pela Igreja e por Schoenstatt. Permaneceu fiel a Schoenstatt que, no início, não o apoiou de modo suficiente, mas que hoje luta pela sua canonização e sabe que ele merece.

“Sem a Campanha, Schoenstatt teria permanecido como o cristianismo sem São Paulo”, afirmou Pe. Guillermo Carmona: “uma realidade paroquial, sem horizonte, sem terra para conquistar… A Campanha conseguiu mobilizar as forças que estavam adormecidas. Para onde quer que um missionário olhe, vê uma oportunidade apostólica”.

A Campanha oferece, ao missionário a oportunidade para renovar o ardor por sua missão e por Schoenstatt. Não se trata apenas de um simples método pastoral; trata-se, sim, de uma mística. Desperta-se uma forte consciência apostólica, um “entusiasmo irreprimível” e um compromisso que torna confiável o testemunho. O princípio de Pe. Kentenich: “a vida se incendeia pela vida” leva o missionário a sempre se entusiasmar pelo seu trabalho apostólico. Na Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt “todas as forças fundamentais de Schoenstatt se tornam eficazes”, declarou Padre Kentenich, em 1968.

Por uma Cultura da Aliança

;O que João Pozzobon começou não é algo apenas devocional, nem algo simplesmente estratégico ou pastoral; na verdade, é uma irrupção de graças e de vida, da nova evangelização e transformação das famílias. É uma missão inserida na Igreja, um caminho moderno de pastoral, que tem como um dos objetivos a evangelização das famílias. Trata-se de um apostolado que vai ao encontro de todos, promovendo os valores cristãos. Trata-se de uma concretização e popularização do mistério de Schoenstatt: pela CMPS, a Mãe Três Vezes Admirável quer sair do Santuário como a “Grande Missionária”, como “aquela que realiza milagres”, para levar a incontáveis homens e mulheres a Aliança de Amor e, por ela, a Cristo e à plenitude do Evangelho. A Campanha quer ser um instrumento de Maria em sua missão evangelizadora para que Ela – a grande pedagoga da fé – eduque os povos e os conduza a Cristo, na força do Espírito Santo, ao Pai.

Podemos dizer que da Campanha surgiram várias outras inciativas. Entre elas, as missões da Juventude de Schoenstatt, dos Universitários e as Missões Familiares – tudo isso é outra força evangelizadora de Schoenstatt, inseparavelmente unida à Imagem da Mãe Peregrina como sua bandeira. O Terço dos Homens, que reúne milhões de homens em todo o país, unidos em oração e serviço ao próximo, é fortemente vinculado à pessoa de João Luiz Pozzobon. A Vila Nobre da caridade, lugar de ajuda aos pobres que João Pozzobon fundou motivado pela Aliança de Amor em sua “face solidária”, pode ser vista, com toda razão, como projeto precursor de centenas de outros projetos apostólicos sociais…

Tenhamos um Advento da misericórdia, em constante saída, no qual cada missionário abre caminhos para a Grande Missionaria, a Rainha da Misericórdia, para que ela leve cada pessoa ao encontro do amor misericordioso do Pai.

Fonte: sch.org (trad. Mari Rita Vianna – adapt. IMNPS)