Tecnologia: dominaremos ou seremos dominados?

22 de março de 2015

Somos capazes de dominar os nossos conhecimentos?

“Será que os povos mais desenvolvidos estão maduros e são capazes de utilizar devidamente os enormes progressos alcançados nos últimos tempos, nos mais diversos setores? Não é verdade que nosso tempo está ainda mais escravizado às suas conquistas? Realmente. O domínio sobre os poderes e forças da natureza externa não andou paralelamente a sujeição das tendências mais elementares e instintivas aninhadas em nosso próprio peito. Essa divergência alarmante, esse abismo imenso torna-se cada vez mais profundo. Colocar-nos-á diante do fantasma da questão social, diante da falência da sociedade, se omitirmos o empenho por sua reforma. E em vez de dominarmos nossas conquistas, tornarmo-nos suas vítimas, como também escravos de nossas paixões.

Não há alternativa! Ou avançamos ou retrocedemos.

Retrocedamos! Então teremos de voltar à Idade Média… fechar as universidades! Não. Jamais consentiremos em tal atitude! Isto não nos é permitido. Nunca haveremos de agir desta forma.

Por isso, avante! Avancemos nas pesquisas e conquistas de nosso mundo interior, através da autoeducação consciente. Quanto mais progresso exterior, tanto mais aprofundamento interno. Este é o brado, a senha difundida por toda a parte, não somente no campo católico, mas também no setor inimigo. Também nós, de acordo com nossa formação, queremos incluir-nos nestas aspirações…

No futuro não nos deixaremos suplantar por nossos conhecimentos, mas nós os dominaremos. Não haverá de acontecer que dominemos diversas línguas estrangeiras, impostas pelo programa escolar, e permaneçamos grandes ignorantes no conhecimento e compreensão da linguagem do coração. À medida que penetramos com visão profunda nas forças que atuam na natureza, temos igualmente de alcançar maior compreensão para enfrentar as energias elementares e os poderes demoníacos do nosso interior.

O grau de nosso progresso nas ciências tem de ser acompanhado de igual aprofundamento interior e crescimento espiritual. Do contrário, cavar-se-á em nossa alma imenso vazio, tremendo abismo que nos tornará imensamente infelizes. Por isso, autoeducação!

Assim o exigem nosso ideal e as aspirações de nosso coração; exige-o nossa sociedade, os que convivem conosco… Precisamos exercer influência profunda e eficaz em nosso ambiente. Haveremos de obtê-la não pelo fulgor de nossa sabedoria, mas pela força e riqueza interna de nossa personalidade.

Precisamos aprender a arte de educar-nos. Urge educar a nós mesmos e educar-nos com todas as nossas capacidades…

Temos de educar-nos caracteres firmes, sólidos. Há muito tempo depusemos os «sapatos de criança». Na infância, nossas disposições eram movidas por caprichos e disposições emocionais. Agora, porém, cumpre agir por princípios firmes, claramente reconhecidos. Tudo poderá vacilar em nós. Sobrevirão momentos de vacilação total. Em tais ocasiões os exercícios religiosos não mais nos auxiliarão. Uma coisa somente nos poderá valer: os nossos princípios. Urge sermos caracteres firmes.

Devemos ser caracteres livres. Deus não quer escravos de galera, mas remadores voluntários. Arrastem-se os outros diante de seus superiores, para lamber-lhes os pés e mesmo agradecer quando forem pisados. Nós estamos bem conscientes de nossa dignidade e direitos. Acedemos à vontade de nossos superiores, não por medo ou coação, mas porque livremente o queremos, pois todo ato de submissão razoável nos torna interiormente livres e autônomos.

Queremos colocar nossa autoeducação sob a proteção de Maria… Importa agora pôr mãos à obra. Temos grande tarefa a realizar…”

Gostou do texto? Acha que ele corresponde à realidade em que vivemos?

Pela atualidade, parece que esse texto foi escrito hoje de manhã. Mas ele foi dito em 27 de outubro de 1912, há mais de cem anos, pelo Pe. José Kentenich, em Schoenstatt, na Alemanha. Esta conferência é conhecida como Documento de Pré-Fundação da Obra Internacional de Schoenstatt, pois contém em germe todos os princípios da sua espiritualidade e pedagogia.

Compartilhamos com você esse tesouro! Leia, divulgue! Que o carisma do Pe. Kentenich possa ajudar todas as pessoas de nosso tempo a se educarem para dominar o conhecimento e a tecnologia e não serem por eles dominados.

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  • Luciammuniz

    Um século pode ser algo distante, todavia mergulhando no texto percebemos que hoje, cem anos depois, sua mensagem é o grito de alerta para que, diante da “emergência educativa” possamos com a pedagogia Kentenechiana, ajudar a formar o novo homem para a nova sociedade.