Sob a proteção de Maria queremos aprender a educar-nos

12 de outubro de 2015

E ser donos de nosso próprio “eu”.

Ir. M. Sandra Maieski – O programa apresentado pelo Pe. José Kentenich aos jovens seminaristas palotinos em 27 de outubro de 1912, tornou-se o marco inicial da Pedagogia de Schoenstatt: “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos para sermos sólidos e livres caracteres sacerdotais”.

Pe. Kentenich recebeu de Deus o carisma de educar. O programa proposto expressava o profundo desejo que os alunos experimentassem o poder de Maria como Mãe Educadora. Sob a proteção de Maria, Pe. Kentenich foi educado para vencer, com ousadia e grande tranquilidade interna, as lutas que teve que enfrentar em sua missão de fundador. Dessa forma, saiu vitorioso em todas as batalhas travadas durante sua vida e não somente ele, como também todos os que lhe foram confiados.

Sob a proteção de Maria…

Pe. Kentenich, desde muito cedo, foi conduzido à Maria e a Ela foi confiada sua educação. Aos 9 anos de idade, sua mãe precisou deixá-lo num orfanato. Sobre este acontecimento, ele faz referência num relato autobiográfico datado de 3 de maio de 1914: “… ‘Educa o meu filho! Sê, para ele, Mãe! Cumpre tu, em meu lugar, os deveres de Mãe!’ Hoje, esse filho é um sacerdote muito zeloso e trabalha para a glória de Deus e de sua Mãe Celestial”.

… queremos

O “querer” denota nosso anseio e empenho por realizar algo. Pe. Kentenich, em 1912, fez o seguinte questionamento aos jovens seminaristas: “Por que tardamos tanto, então, a por mãos à obra na formação de nosso caráter?”.

O caminho da santificação é o caminho do aperfeiçoamento de nosso ser. Um caminho que cada um precisa querer percorrer. Que se deve fazer? “Cada um de nós há de se tornar um Copérnico de seu mundo interior. Temos de explorar e explorar até que saibamos exata e seguramente: esta ação ou reação provém disto e daquilo”, disse o Pe. Kentenich.

… aprender a educar-nos

Ao apresentar aos meninos o elemento aprender, Pe. Kentenich destaca que esta aprendizagem não deve acontecer somente na teoria: “Tal sistema teria pouco valor para nós. Precisamos aprender também de modo prático, pondo mãos à obra todos os dias e em todas as horas. (…) Queremos aprender a educar a nós mesmos”.

No programa proposto, Pe. Kentenich esclarece que a autoeducação deve ser prática e concreta, num trabalho pessoal, sistemático, sério e constante, em profunda vinculação à Maria e em contato vital com o carisma do fundador, em comunidade, em ajuda mútua. Neste sentido, ele destaca que temos que aprender a tratar nossos impulsos, nossas inclinações e sentimentos de maneira que estejam em harmonia. Esta é nossa primeira tarefa que ele considera difícil e, portanto, acrescenta: “Sendo assim, convém concentrar-nos novamente em torno de Maria. (…) Ela nos dirigirá e deve dirigir-nos na exploração e conquista de nosso mundo interior”.

Para a realização de tal trabalho, Pe. Kentenich sugere questionar-se:

>  quais são minhas relações com o mundo exterior?

>  como estão minhas relações comigo mesmo?

Não estamos sozinhos

Em 1951, Pe. Kentenich afirmou: “Temos a firme confiança de que Deus nos presenteou o carisma da educação”. Tal convicção não se refere, primeiramente, à heteroeducação, mas a nossa própria educação. Deus nos concedeu o carisma de nos autoeducar. E nós o queremos.

Aprender a educar-se, como define Pe. Kentenich, se consegue educando-se. Estamos cientes de que não se trata de uma tarefa simples. Contudo, de uma verdade que jamais podemos duvidar: “… quando a Mãe de Deus é venerada em nossos Santuários como a Mãe Três Vezes Admirável, queremos interpretar o título como a Educadora Três Vezes Admirável”, nos diz o Fundador e completa: “Enfim, a educação é tarefa da grande Educadora. A nós cabe, apenas, ajudá-la”. Portanto, não estamos sozinhos. Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos!

Fonte: Tabor em Páginas (Assine a revista Oficial do Mov. Apostólico de Schoenstatt)