“Senhor, tu sabes que eu te amo” (Jo 21,15)

13 de outubro de 2015

Ordenado o primeiro Padre de Schoenstatt brasileiro do novo século.

ordenaçao julioKaren Bueno – A frase do evangelho de São João (21, 15) inspira e norteia a vida sacerdotal do mais novo Padre de Schoenstatt brasileiro, Júlio Fabiano Rodrigues Afonso, ordenado nesse sábado, 10 de outubro. Com grande alegria e gratidão a Família de Schoenstatt se reúne para celebrar esse momento único para toda a Obra no Brasil e render graças ao Bom Deus por mais uma vocação que se consagra a serviço da Igreja por meio de Schoenstatt.

Participam representantes dos vários ramos e comunidades do Movimento, de diversas cidades e estados do país, que formam uma só Família em unidade, presente na Paróquia São João Batista, em Atibaia/SP, para a solenidade. Além desses, alguns chilenos viajaram de Santiago para acompanhar a ordenação e, pela internet, pessoas do mundo todo assistem ao vivo a cerimônia.

De início Pe. Afonso Wosny dá as boas vindas a todos em nome da Paróquia local, da Família de Schoenstatt de Atibaia e do Instituto Secular dos Padres. A procissão de entrada é composta por todos os Padres de Schoenstatt do Brasil, também por sacerdotes da Diocese de Bragança Paulista/SP, seminaristas, diáconos e sacerdotes do Instituto dos Padres de Schoenstatt, tanto do Brasil como da Argentina e do Chile. O último a entrar é o bispo diocesano, Dom Sérgio Aparecido Colombo, que preside a Santa Missa.

“Nunca se canse de ser misericordioso”

julio

Após a liturgia inicia-se o rito de ordenação, com um diálogo entre o bispo e o superior dos Padres de Schoenstatt no Brasil, Pe. Vandemir Meister. O bispo questiona se o candidato ao sacerdócio é digno deste ministério e o superior confirma e dá testemunho de sua vocação.

Em seguida acontece a homilia, quando Dom Sérgio dá conselhos ao diácono e futuro Padre sobre a vida ministerial e o cuidado com os sacramentos. As palavras do Santo Padre são a base para sua reflexão: “Permita-me agora falar ao seu coração, como falou o Papa Francisco ao ordenar um grupo de presbíteros, nunca se canse de ser misericordioso. Por favor, busque sempre a capacidade de perdão que o Senhor deu, ele não veio para condenar, mas para salvar”. E acrescenta: “Não se esqueçam, só amamos porque ele, Deus, nos amou primeiro. Não com um amor abstrato, mas um amor criativo, que leva ao encontro com o outro, para a experiência da solidariedade, da misericórdia, um amor capaz de superar o ódio, a mentira, um amor que salva”.

Da leitura do Evangelho (Jo 21,1-19), de onde é retirado o lema sacerdotal do Pe. Júlio Fabiano, o bispo ressalta a figura de São Pedro: “Consciente de sua infidelidade, pequenez e fraqueza, Pedro com certeza ama Jesus com seu pobre amor. Sabe-se indigno do seu Senhor, mas é assim que o Senhor o quer. Quer que lhe entregue a sua pobreza, e Pedro compreende que a Jesus basta o seu pobre amor, o único que ele é capaz de dar. É assim que Jesus quer Pedro, confia nele, confirma sobre ele o chamado primeiro”.

Segundo Dom Sérgio Colombo, é esse espírito ousado do apóstolo que deve contagiar o coração do sacerdote: “Como Pedro, seu ministério seja vivo na gratuidade, na pobreza, a ser entregue cada dia àquele que o chamou, e é na pobreza e na gratuidade que você será capaz de ir até o fim. Seja de verdade servo de Jesus, escolhido para anunciar o evangelho para além do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt e, como Maria, cultive a espiritualidade do abandono e da entrega confiante da vida e do ministério nas mãos de Deus”.

Um pequeno instrumento

Seguindo com o rito de ordenação, Dom Sérgio interroga o diácono Júlio, que livremente manifesta o desejo de assumir o ministério sacerdotal, em seguida faz a promessa de obediência e se prostra no chão numa demonstração de confiança plena e entrega total a Deus. O momento é de profunda oração por todos os presentes, que acompanham de joelhos essa hora sagrada.

Após a imposição das mãos, quando o bispo comunica o Espírito Santo ao Diácono e reza consagrando-o como sacerdote, acontece a paramentação. Os pais do Pe. Júlio levam ao altar a túnica e os paramentos, entregando-os ao bispo. Pe. Pedro Cabello e Pe. Clodoaldo Kamimura são os escolhidos para vestir o novo Padre com as vestes sacerdotais, pois foram eles os primeiros assessores de Júlio quando ele ingressou no Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Com a unção das mãos do novo Padre e a entrega do pão e do vinho encerra-se o rito de ordenação do Pe. Júlio Fabiano Rodrigues Afonso, o primeiro brasileiro ordenado neste novo século.

“Sião é a minha família, Sião é a nossa família”

As primeiras palavras do neo-sacerdote são de gratidão. Ele diz o quão importante é ter seus amigos, familiares, conhecidos, irmãos na Aliança de Amor presentes nesta ocasião. As falas de agradecimento aos Padres de Schoenstatt saem emocionadas: “Sião é a minha família, Sião é a nossa família, somos filhos da promessa, filhos da Providência, filhos amados do Pai; me enche de orgulho e de esperança o sacerdócio partilhado com vocês”. O momento mais forte é quando rende graças a Deus e à Mãe Três Vezes Admirável, com profunda emoção: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te quero e desse amor quero dar meu testemunho”.

Para o Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt e para toda a Obra no Brasil esse é um momento de gratidão e louvor: “Esperamos que o Júlio seja um Padre bastante carismático, amplo para captar a vida, para se entregar nas mãos de Deus e também para transmitir as graças de Deus, ofertando-as nas mãos e nos corações das pessoas”, diz Pe. Vandemir.

Muitos sentimentos se despertam nesse momento para o novo sacerdote, e deles o que ressai é a gratidão: “O coração está transbordando de alegria, de gratidão ao Deus de amor que foi fiel comigo, foi fiel a tantas pessoas. Eu acho que o Padre do novo século tem que ser o Padre de Jesus Cristo – como foram aqueles do século primeiro – esse Jesus que nos ensinou a estar atento à realidade alheia, a olhar como Deus olha o mundo, a vida e as pessoas, e assim transmitir a sua bênção”.

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