Semana Santa

31 de março de 2015

Ajudar Jesus a carregar a cruz dos pecados da humanidade aceitando a cruz pessoal.

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Pe. Nicolás Schwizer – Quero convidar-lhes, no início desta Semana Santa, a acompanhar Jesus, a solidarizar-se com Ele, a atualizar sua paixão. Porque não basta escrever, lembrar e admirar esses grandes acontecimentos em torno a Jesus.

Mas, como podemos acompanhá-lo em sua paixão e morte? Podemos fazê-lo, principalmente, se por amor a Ele aceitamos corajosamente nossa própria cruz, nossas dores e sofrimentos pessoais, em todas suas formas e aparências. Também se não só aceitamos todas as adversidades de nossa vida, mas também as oferecemos alegremente ao Senhor.

A Páscoa se faz possível apenas por meio da paixão. Chegamos à ressurreição só por meio da cruz, como Jesus e com Ele. Aceitar e oferecer nossa cruz deve ser nossa pequena contribuição pessoal para a redenção do mundo, que realizou Jesus por sua paixão e morte.

Na Missa, ao apresentar a Deus as oferendas do pão e vinho, lhes convido a colocar sobre a patena também o seu próprio sofrimento, sua cruz pessoal, para que Deus os aceite, junto com o sofrimento e a cruz de seu Filho Jesus Cristo.

É tornar vida aquela aclamação que, depois da consagração da missa, todos juntos dizemos: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição, enquanto esperamos vossa vinda gloriosa”.

O que significa isso? Não é só a lembrança e a participação interior na sua morte. É também nos comprometer a anunciar sua morte em nossa vida diária. É nos esforçar diariamente para fazer morrer o pecado e o egoísmo. O que deve morrer em mim? Que coisas dificultam a entrega de meu coração, a entrega de minha vontade?

Na missa, subo com Cristo a cruz e me deixo cravar nela. Então, devo permanecer cravado na cruz, durante o dia e a semana, até a próxima missa. Devo anunciar a morte do Senhor durante o dia.

Devo demonstrar durante o dia que entreguei totalmente minha vontade à vontade do Pai. Devo demonstrá-lo por meio dos pequenos sacrifícios e renúncias diárias, que Deus e os demais me pedem. Se não estou disposto a isso, desço da cruz, deixo Cristo sozinho com sua cruz, renuncio a anunciar a morte do Senhor.

E o sentido de todo nosso esforço, de nossa luta diária, é sempre o mesmo: Como na consagração da missa o pão e vinho se convertem em corpo e sangue do Senhor, assim também nós vamos nos transformando em Cristo. O mistério da cruz em nossa vida é o mistério de uma santa transformação, um tornar-se Cristo e uma divinização. E na medida em que nos tornamos semelhantes a Cristo, vemos o sofrimento com outros olhos, todas as dificuldades diárias, todas as moléstias e preocupações, todas as pequenas batalhas diárias. No mais profundo da alma, isto deixa de nos fazer desventurados.

O coração está em Deus, mesmo que os olhos estejam cheios de lágrimas. Permanece em paz, sereno, feliz. Como desejamos esta transformação! Com o tempo será uma realidade: A alma será divinizada. Já não viveremos nós, mas Cristo viverá em nós.

Então, em união com o sacrifício de Cristo, também nossos dons serão transformados e darão frutos infinitamente fecundos.

Assim nossa entrada na Jerusalém celestial, no final de nossa vida, será tão jubilosa e feliz como a entrada do Senhor, que lembramos no domingo de Ramos.

Perguntas para a reflexão

1. Reclamo de minhas cruzes?

2. Sou daqueles que diz ou pensa: Senhor, porque comigo?

3. Ofereço as minhas cruzes durante a Missa?