Schoenstatt: uma comunidade de comunidades

18 de dezembro de 2015

Pequenos grupos, uma grande Obra.

uniao-de-familiasKaren Bueno / Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Em começos de dezembro de 1915, há cem anos, formava-se na Alemanha o primeiro ‘grupo’, fora do seminário, do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Esse passo mostra de maneira clara que a Obra, já nos primeiros meses, expandia seus limites, a Mãe atravessava as fronteiras iniciais para alcançar o mundo todo.

Tanto o primeiro grupo externo como o grupo dos congregados que selaram a Aliança de Amor por primeiro, marcam uma característica muito peculiar de Schoenstatt: o cultivo da vida comunitária. No Movimento Apostólico, as Uniões e Institutos formam, obrigatoriamente, os chamados “cursos”, ou seja, grupos de pessoas que juntas crescerão e se desenvolverão de acordo com a espiritualidade de Schoenstatt, da Igreja e da comunidade a qual pertencem. Os cursos não representam, necessariamente, pessoas que vivam na mesma casa ou que estão o tempo todo juntas, mas aquelas que se juntam regularmente e compartilham suas vivências visando o crescimento mútuo. Assim, é comum ouvir a expressão “irmã ou irmão de curso”, tanto para as Irmãs, Senhoras, os Padres, Famílias, etc.

Ao contrário do que acontece nas Uniões e nos Institutos, a Liga Apostólica – Liga de Famílias, Liga de Mães, Juventude Apostólica, etc. – não exige a formação de grupos. Pe. Alexandre Awi explica melhor: “Quando surgiu o Movimento, o Pai e Fundador acreditava que em Schoenstatt deveria ter lugar para todos. Aqueles que não têm vocação de vida comunitária, mas querem estar em Schoenstatt, pertencer à Família por meio da Aliança de Amor, pelo ideal de um ramo, podem entrar na Liga”.

Porém, muitas vezes também as Ligas formam grupos. “Quem pertence à Liga não precisa, necessariamente, estar num grupo, embora isso seja altamente recomendado porque a experiência comunitária é boa. A nossa forma de ser como brasileiros, latinos em geral, valoriza muito a vida em grupo , mas têm pessoas que não estão inseridas neles, nem nunca estiveram, e nem por isso deixam de pertencer à Liga. Pede-se que essas pessoas participem de um retiro, de um encontro anual do ramo, uma atividade geral, mas não necessariamente precisam estar num grupo”, explica Pe. Alexandre.

Porque em Schoenstatt se formam grupos?

A vida comunitária, segundo o Pe. Rafael Fernandez, é uma resposta à necessidade fundamental da pessoa humana de estar em comunhão com outras pessoas, também representa seguir o método pedagógico de Jesus e combater as mazelas do momento histórico que prega o individualismo.

Formar comunidade era o “método” de Jesus:
A formação do grupo corresponde àquilo que o Senhor ensina. Cristo veio fazer de todos verdadeiros irmãos, sua Boa Nova anuncia que há um Pai comum para a humanidade, ao qual se deve chamar “Pai Nosso”. Aos discípulos ele deixa como último encargo: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo. 13,34-35). Cristo chama cada pessoa a formar uma comunidade, de modo semelhante à comunidade profunda que ele mantinha com o Pai, no Espírito Santo. Os grupos de Schoenstatt querem ser uma reatualização da comunidade fundada por Jesus, comunidade de missão.

Uma resposta ao momento histórico:
A formação de grupos e cursos é ainda uma tentativa de responder às correntes ideológicas do individualismo que tomam conta do mundo. A liberdade individualista não permite enxergar as necessidades do próximo, mas encerra-se em si mesma; tornando-se, dessa forma, autodestruidora para o próprio homem. Há ainda, entre outros, o risco do totalitarismo de ideias, quando o homem não pensa por si só e segue as correntes da massa, tornando-se o que o Pe. Kentenich chama de “peça de uma grande maquina”. O grupo, em suas discussões e pela luz do Espírito Santo, ajuda a combater esses males do tempo.

Como devem ser os grupos de Schoenstatt

Pe. Rafael Fernandez, de acordo com os ensinamentos do Pai e Fundador, aponta cinco características essenciais que devem ser a marca, o “rosto” de um grupo schoenstattiano:

– Uma comunidade fraterna ou familiar, na qual cada pessoa sente o outro como verdadeiro irmão e vive em íntima solidariedade com ele;
– Uma comunidade mariana de Aliança, que quer dizer uma comunidade de fé que cresce e se aperfeiçoa tendo como base uma profunda e ardente vinculação a Maria – em Maria o grupo encontra o caminho mais direto para alcançar a vivência com Cristo, com o Pai e o Espírito Santo;
– Uma comunidade de ideais, que se orienta pelas metas mais elevadas e conscientemente quer lutar para alcançá-las;
– Também uma comunidade de autoformação; entra-se nos grupos para crescer, para transformar-se, para despojar-se do homem velho e revestir-se do homem novo;
– O grupo é ainda, e especialmente, uma comunidade apostólica. Como destacava o Fundador, Pe. Kentenich, não se entra em Schoenstatt para “tranquilizar a consciência”, encerrando-se num pequeno “clube de autossantificação”. O grupo é uma célula de renovação dinâmica da vida da Igreja e da sociedade. Assim como cada pessoa, o grupo também deve dar fruto e fruto abundante, que permaneça.

Um grupo, uma missão

Os cursos e grupos schoenstattianos são uma escola de apóstolos, querem ser a semente da nova Igreja e da nova sociedade. “Queremos vencer o individualismo e o coletivismo reinante; queremos superar a massificação e a desumanização; queremos, sobretudo, mostrar que o ideal evangélico não é uma utopia, mas um ideal realizável”, afirma Pe. Fernandez. Trata-se de não apenas acompanhar a história, mas fazer parte dela, mais que isso, tomar suas rédeas e tornar-se protagonista, privilegiando o espírito comunitário que combate o individualismo. “A transformação do mundo tem de começar em um lugar concreto, em nosso próprio coração e em nossos grupos. Dali deve expandir-se como a luz e penetrar a massa como o fermento”.

Fonte: Cadernos de Formação, nº 1 – O grupo: uma comunidade de autoformação. Pe. Rafael Fernandez, série introdução.