Schoenstatt em saída: Partimos em missão

25 de outubro de 2015

Tomar nas mãos o futuro da Igreja e da Obra.

congressoKaren Bueno – “A Igreja em saída deve superar uma pastoral de conservação para assumir uma pastoral decididamente missionária, numa atitude de conversão pastoral… É preciso ajudar as pessoas a conhecerem Jesus, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo[1]”.

O último dia de Congresso no regional Sudeste inicia “com a mão no pulso do tempo”, refletindo sobre os desafios do período atual, e “o ouvido no coração de Deus”, buscando respostas para essas questões. O ardor à missão incendia os corações reunidos no auditório Pe. José Kentenich, em Atibaia/SP, tornando-os inquietos para levar a mensagem da Aliança de Amor a todos os confins.

A palestra de envio tem o tema do Congresso – ‘Schoenstatt em saída’ – e é apresentada por Ir. M. Nilza Pereira da Silva, assessora nacional de comunicação da Obra. “Quem ouve esta expressão – Schoenstatt em saída – pode pensar que se trata apenas de uma adaptação para se atualizar com as correntes de vida que Deus desperta em toda a Igreja, por meio do Papa Francisco. No entanto, basta conhecer um pouco da história do Movimento Apostólico de Schoenstatt para saber que Deus nos fez em permanente saída e é isso o que nos mantém vivos: Somos um Movimento em movimento”.

Na palestra são utilizadas várias citações do Papa Francisco, em especial da audiência com a Família de Schoenstatt de um ano atrás, também trechos das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – texto da CNBB – e várias falas do Pai e Fundador que conversam com o tema.

Chegou a hora de Schoenstatt

Ir. M. Nilza é pontual em suas palavras: “Ao selarmos a Aliança de Amor nos registramos como voluntários para a batalha no tempo atual e não há outra escolha: ou sacrificamos a nossa vida, ou perdemos a luta! Não há como permanecer no meio termo! Não existe schoenstattianos mornos, pois, se não são íntegros, na verdade, não tem em suas veias o sangue schoenstattiano. Schoenstatt é um Movimento em luta e quem não se move não tem vocação para este carisma”.

A luta que ela se refere esta ligada à mudança de tempo, pois “a ciência define as eras da humanidade como extrativista, agrícola, industrial e nos anos que antecederam a segunda guerra mundial, dá-se o início um novo período ou era, a era da Informação, a era digital”. A CNBB confirma essa posição em suas Diretrizes Gerais: “Mudanças de época afetam a compreensão e os valores a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações”.

As diversas correntes contrárias ao pensar cristão são o grande desafio colocado nessa época. Segundo análise da CNBB, reiteradas na palestra, as consequências dessa mudança de tempo são a insegurança (não viver a fé prática na Divina Providência), o relativismo (a ausência de referências sólidas, excesso de informações, superficialidade, desejo de conforto e facilidades, aceleração do tempo), o individualismo (centrado no bem estar pessoal, sem vínculos) e o fundamentalismo ou unilateralismo (agarrar-se ao passado, sem contextualizar a aplicação dos princípios e fechando-se a tudo o que é novo).

Maria, luz de esperança

A arena de batalha está montada e cada um sabe em quais locais necessita lutar – no trabalho, na família, na Igreja, etc. – e quais são seus desafios. Para ser vitorioso nessa empreitada de renovação do mundo em Cristo por Maria, Ir. M. Nilza aponta um aspecto fundamental: “Esta é a nossa arma de combate: Aliança de Amor! A Aliança de Amor vivida é capaz de transformar a sociedade, é capaz de gerar um mundo novo, uma nova cultura, da vida, da família, do amor, a Cultura da Aliança”.

Três pontos são essenciais para cada missionário cumprir sua tarefa: oração, missão e sair – isso é o que diz o Papa Francisco. “Nós somos enviados, somos instrumentos. Anunciamos um carisma que não nos pertence e, por isso, precisamos ser fieis servidores do carisma do Pai, da missão que a Mãe tem no Santuário. O primeiro serviço está no testemunho, na alegria que brota do esforço para aplicar esse carisma, essa pedagogia e ensinamentos em nossa própria vida”, diz Ir. M. Nilza.

A inquieta os congressistas: “Eu me senti realmente enviada. Marcou-me essa necessidade do mundo, que precisa de nós, precisa que sejamos instrumentos de Maria, instrumentos que vão com ela, mostram sua face para o mundo. Precisamos de ousadia, deixarmos de ser uma pastoral conservadora para assumirmos decididamente uma pastoral missionária. Esta é nossa hora!”, afirma Maria Dolores, da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt do Rio de Janeiro/RJ.

Em Aliança, incendiar o mundo

Depois do intervalo, a Santa Missa prepara e envia os missionários do novo século para suas trincheiras. Pe. Vandemir Meister preside a celebração e resume, em sua homilia, os principais temas tratados no encontro.

Ele mostra que a liturgia deste domingo complementa-se com o conteúdo do Congresso: “Jeremias relata a passagem do povo retornando do exílio e todos são recebidos entre preces e lágrimas”. Isso recorda o Exílio do Pe. José Kentenich: “Às vezes trazemos em nosso coração a impressão de que o Exílio do nosso Fundador é um período negativo da história. Não podemos vê-lo assim nem passar isso para as pessoas, mas devemos enxergá-lo como um período de amadurecimento para a Obra. Vemos em nossa história que as dificuldades trouxeram a maturidade para os filhos de Schoenstatt, eles tiveram que se comprometer mais com a missão, já que o Pai, o ‘cabeça’ da Obra, não estava ali à frente. Pelo Exílio a Família foi amadurecida para o momento de sua partida alguns anos depois”.

Foi nesse período que o Pai pode mostrar para a Igreja, de forma clara, a missão à qual foi chamado, de anunciar as glórias de Maria: “Não é somente um discurso teológico bonito para a Igreja ouvir, é Maria encarnada em cada pessoa, em cada filho de Schoenstatt, aí está a dimensão pedagógica do Movimento”, ressalta o Padre.
O fim da celebração e o almoço encerram as atividades do Congresso de Outubro de 2015 no regional Sudeste. Agora começa a batalha, começa a missão, pois como afirma Ir. M. Nilza Pereira da Silva em sua palestra, Schoenstatt em saída significa Liga das Famílias em saída, Jufem em saída, Jumas em saída, Mães em saída, LAFS em saída… – todos construindo, sob o olhar atento do Pai, os novos tempos.

[1] Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil,56