Schoenstatt em saída na cidade de Mariana/MG

23 de novembro de 2015

“Não somos um clube de autossantificação, mas um Movimento Apostólico” (Pe. José Kentenich).

mariana barroKaren Bueno – No nome da cidade mineira, Mariana, está visivelmente marcado o nome de Maria. Também na fé desse povo está cravada a presença da Mãe de Deus, desde os primórdios. Em um momento de grande tristeza e dor, que a nação presenciou recentemente, com o rompimento da barragem e o mar de lama que arrasou várias regiões da cidade, sabe-se que o cuidado maternal de Maria é fundamental para os habitantes. E a Família de Schoenstatt quer ser esse sinal.

Por todo Brasil vê-se schoenstattianos mobilizados para ajudar as vítimas do rompimento da barragem. Alguns recolhendo ajuda material, outros rezando pelos desabrigados, quem nada pode fazer ao menos oferece uma prece por aqueles que necessitam. De todos esses, vale ressaltar o bonito trabalho que a Família de Schoenstatt de Mariana/MG vem realizando para seus conterrâneos.

Na cidade há grupos pequenos da Liga das Mães e da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt e elas estão presentes aonde necessitam de sua ajuda. Virgínia Magalhães, dirigente da Liga das Mães, na cidade, conta que o Centro de Convenções municipal tornou-se um ponto de distribuição de recursos para as famílias atingidas – de roupas, brinquedos, calçados, alimento, etc. Ali as liguistas se revezam para estarem, de manhã e de tarde, todos os dias. “Nem todas têm disponibilidade de ajudar, mas quem pode vai. Nós nos dividimos em duplas para ajudar, estamos tentando articular para ter pelo menos duas de nós em cada expediente”.

“Levamos nossa Mãe Peregrina”

Atualmente, as famílias estão hospedadas, provisoriamente, em hotéis da região e a Família de Schoenstatt tenta ajudá-las como pode: “Como agora as famílias estão em vários hotéis, não conseguimos visitá-las todas, mas é nossa intenção estar com essas pessoas. Por enquanto, visitamos apenas dois hotéis para conversar com o pessoal, levamos nossa Mãe Peregrina, rezamos com eles e nos colocamos à disposição, caso necessitem de algo que a empresa Samarco ou os hotéis não consigam suprir”.

Um exemplo prático de ajuda: “Há um grupo de artesãs que fazia tapetes de retalhos em talagarça na sua comunidade de origem e, como perderam toda a matéria prima, conseguimos umas doações de uns retalhos e levamos para elas. Isso lhes deu condições de produzirem seus tapetes e ocuparem o seu tempo”, explica Virgínia. Esse é um pequeno exemplo de todo esforço que as integrantes do Movimento vêm realizando, mas elas fazem questão de ressaltar que é muito pouco diante de tudo que é necessário.

Como podemos ajudar?

Segundo a dirigente da Liga das Mães, a melhor forma é rezar por todos. Algo bonito que o país acompanhou foi o grande número de doações, de todos os cantos, que chegaram a Mariana/MG. Por isso, as autoridades do município já não pedem mais recursos materiais. A grande necessidade no momento é de voluntários para colaborar na organização e distribuição de produtos, porém isso se limita àqueles que moram na região.

“Temos que rezar muito para eles terem calma e tranquilidade para enfrentar essa situação de uma forma mais amena, dentro do possível. Porque são pessoas que perderam tudo. Todos estão bastante deprimidos, uns choram muito”, conta Virgínia. Ela explica que o distrito de Bento Rodrigues, o principal atingido, fica a 25 quilômetros da cidade e tem pessoas idosas que nasceram e viveram toda sua vida ali, nunca iam sequer para a cidade de Mariana/MG. “É muito triste ver essas pessoas, acostumadas a trabalhar em suas casas, hortas e quintais, agora confinadas num quarto de hotel. Há muitos idosos e crianças entre eles”.

Como Maria, precisamos subir as colinas

O ardor que incendiou os corações durante o centenário da Aliança coloca todos em saída e responde ao apelo do Papa Francisco. Isso que leva a Família de Schoenstatt a colocar-se a serviço.

“Não entramos em Schoenstatt para tranquilizar nossas consciências e nem para formar um clube de autossantificação, diz o Pe. José Kentenich. Percebemos o seguinte: Nós estamos nesse Movimento, selamos uma Aliança com a Mãe. Então, como Maria foi ajudar Isabel, nós também temos que sair de nós, do nosso comodismo, do nosso conforto e ir aonde for preciso para ajudar”, diz Virgínia Magalhães. “É uma forma também de levarmos a todos uma mensagem de fé, de esperança, de oração, levando Cristo a todos os lugares. É uma forma de nos colocarmos como Pequenas Marias. Temos que subir as colinas e ajudar as ‘Isabeis’ de hoje, cada um da sua maneira, com suas limitações, mas fazendo tudo o que pode”.

A todos fica o pedido: rezemos por Mariana/MG, rezemos por todas as famílias atingidas e por aqueles que necessitam, que perderam parentes e amigos. Como disse a dirigente da Liga de Mães, de Mariana: É tempo de subir as colinas ao encontro dos que necessitam e ser um sinal da Mãe e Rainha para o mundo.