Por que coroamos a Mãe de Deus?

Um ato de reconhecimento e amor filial.

sant_origKaren Bueno – Segundo o dicionário Aurélio, ‘coroar’ significa: “Elevar à dignidade real; aclamar, proclamar, eleger”. No ano passado, as famílias da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt (CMPS) dos regionais Sul e Nordeste renovaram a coroação da Mãe de Deus como Rainha de seus lares, em gratidão pelo centenário da Aliança de Amor. Em 2015, é a vez dos regionais Sudeste e Paraná renovarem o brilho da coroa da MTA, como presente pelos 65 anos da CMPS e 60 anos da coroação da Peregrina Original.

A Mãe de Deus realmente merece uma coroa, merece essas conquistas de amor. Mas, qual o significado por trás desse ato? O que significa coroar Maria? Pe. José Kentenich responde: “Coroar Nossa Senhora significa ter a ousadia de anunciar a todo mundo a soberania da Mãe do Senhor[1]”.

O Pai e Fundador diz que “coroar” é um ato ousado, e trata-se de reconhecer, de anunciar, uma verdade: que Maria é Rainha.

O livro ‘Coroar por quê?’ (pág. 63) explica: “Jesus, o Salvador, é rei em primeiro lugar por herança, em segundo lugar em virtude da conquista e finalmente, por eleição. De igual modo podemos dizer que a Mãe de Deus foi constituída Rainha por direito de herança, por seu Filho, mas também conquistou o título de Rainha”.

Assim, Maria é Rainha por ELEIÇÃO, porque desde a eternidade foi pensada por Deus e escolhida para ser a Mãe de seu Filho; também é Rainha por DIREITO, por conquista, já que foi a auxiliar e consorte permanente de Jesus em toda a Obra da redenção; e é Rainha por HERANÇA, já que mereceu o reinado como Mãe do Messias.

Nas palavras do Pai e Fundador compreendemos melhor: “O que Jesus possui por direito, deve ser concedido à Mãe por justiça. Vemos o Deus Homem, Jesus Cristo, como Rei do céu e da terra, antes de tudo como pessoa divina. Mas vemos igualmente a união hipostática, isto é, a misteriosa união da natureza divina com a natureza humana. Ele é Rei por eminência. E a Mãe de Deus? A ordem hipostática exige que reconheçamos a Mãe de Deus como a grande Rainha do céu e da terra”.

Se a Mãe já tem uma coroa, por que coroá-la novamente?

É costume na Obra de Schoenstatt renovar a coroação de Nossa Senhora em momentos especiais. Mas, se a Mãe de Deus já ostenta uma coroa, por que coroá-la de novo? Ir. M. Lúbia Bonfante responde: “Não é nosso ato de coroação que a tornará Rainha. No entanto, faz diferença se a elegemos como nossa Rainha, entregando-lhe a responsabilidade por nossas vidas, nosso futuro, nossa aspiração à santidade, escolhendo-a como Rainha e Educadora[2]”.

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A coroação é um sinal e expressão do amor que nasce do reconhecimento. A experiência de sentir-se amado pela Mãe de Deus faz crescer a confiança, a necessidade e a felicidade de coroar. “Quanto mais nos aprofundamos, pela vida e pelo amor, nas glórias e no poder da Mãe de Deus, tanto mais gostaríamos de repetir sempre de novo a grande cerimônia da coroação”, diz o Pe. Kentenich (23 de março de 1941).

O Pai e Fundador ensinou os filhos a coroarem a Mãe de Deus sempre que estiverem em dificuldade – “Eu também o faço. Eu entrego-lhe a coroa sempre que alguma coisa não dá certo”, afirma. Ele procurou, desde o início da história de Schoenstatt, despertar em seus filhos o amor à Mãe de Deus como Mãe e Rainha, ensinou-os a confiar nela em todas as situações.

Mas não é apenas em momentos de tribulação que ele indica a coroação como melhor caminho, a Mãe de Deus SEMPRE merece uma coroa renovada, pois isso reafirma a dependência pessoal e conjunta diante dela, isso acentua a relação filial a Maria. É por conta disso que em datas especiais a Família de Schoenstatt, muitas vezes, oferece novamente a coroa à Mãe e Rainha.

Em Schoenstatt coroar Maria é muito mais do que dar-lhe um belo ornamento, a coroação é, antes, expressão do amor filial. “Sua coroação não deve somente dar-lhe o direito de sentar-se um pouquinho no trono […]. Ela deve participar no governo, deve reinar no mundo inteiro e em todos os corações. É precisamente isto que denominamos de entrega perfeita, Aliança de Amor perfeita com ela” (Pe. Kentenich, Congresso de Outubro de 1950, 13ª Conferência).

Atitudes nobres: somos filhos do Rei e da Rainha

O livro ‘Coroar por quê?’ (pág. 82) diz que a coroação de Nossa Senhora em Schoenstatt não é apenas um ato piedoso, que diz respeito somente a uma única pessoa e suas aflições, mas trata-se de uma atitude missionária. O Pai e Fundador compreende a coroação como um aprofundamento da Aliança de Amor, então oferecer uma coroa para Maria requer “atitudes de Aliança”, requer uma vida renovada, com o cumprimento das seis exigências – e isso tem grande impacto missionário na renovação do mundo, forma santos na vida diária, cria uma cultura de Aliança.

Se cada ser humano é filho de um grande Rei e de uma grande Rainha, isso significa que são príncipes e princesas, que pertencem à realeza divina. Portanto, é preciso ter uma atitude nobre, que revele pelo ser e pelo agir a dignidade real da Santíssima Trindade e de Maria.

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A Mãe de Deus, como Rainha coroada, é uma Educadora a partir dos Santuários, ela forma os filhos à sua imagem. Assim diz o Fundador: “Meus gestos, gestos de uma Rainha! […] Feliz a Família de Schoenstatt que pode educar tais mulheres. Feliz o jovem, filho de Schoenstatt, feliz a jovem, filha de Schoenstatt assim formada e configurada que se tornou ela própria uma rainha” (Nossa vida à nossa Rainha, pág. 39).

Coroamos a Mãe de Deus porque a amamos, e reconhecemos sua soberania em nossa vida. É nesse espírito que todas as famílias da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt são convidadas a conquistar uma coroa renovada para a MTA. “Para nós, a coroação não é senão uma forma particular de Aliança de Amor com Maria; cremos firmemente que ela nos retribui tudo o que lhe doamos. Quer dizer, quando colocamos uma coroa sobre a sua fronte, ela nos alcança uma coroa. Daí a esperança de nestes dias sermos também coroados por ela. Só os príncipes e princesas, os reis e rainhas recebem uma coroa, ou seja, personalidades de pensar, atitude e sentimentos nobres” (Pe. José, Kentenich, Congresso de Outubro de 1946, pág 39).

[1] Pe. José Kentenich, Congresso de Outubro de 1946, pág. 193

[2] Ir. M. Lúbia Bonfante, Coroar por quê?, 2ª edição, pág. 77