Pe. Kentenich segundo nossos pastores

22 de outubro de 2015

Gratidão por seu Dilexit Ecclesiam.

pai-kentenichKaren Bueno – Podia ter sido tudo muito simples, sem complicações, sem sofrimento. Bastava as autoridades da Igreja reconhecerem o atuar divino e Schoenstatt seguiria cumprindo sua missão, levando adiante seu carisma. Mas a Divina Providência traçou caminhos diferentes, o Bom Deus queria revelar, provar por meio dos 14 anos de Exílio, que Schoenstatt é Obra de seu atuar.

Apesar de ser uma época de grande dificuldade para todos os schoenstattianos, o Exílio comprova a grandeza do Pai e Fundador e da Obra ao qual foi inspirado fundar. Todas as provação impostas ao Pe. José Kentenich testemunham a fidelidade e o amor que ele deposita na Igreja.

22 de Outubro é um marco na história do Movimento Apostólico de Schoenstatt, é a data que põe fim ao período do Exílio e marca um novo começo para a Obra, agora com o olhar confiante e terno da Igreja, que aceita e confirma sua vocação, como testemunham seus pastores:

Papa Francisco

Na audiência com a Família e Schoenstatt, o Papa Francisco se diz impressionado com a “incompreensão e a rejeição que teve que sofrer o Pe. Kentenich”. Segundo ele, “esse é o sinal de que um cristão vai à frente: quando o Senhor o faz passar pela prova da rejeição. Porque é o sinal dos profetas. Os falsos profetas nunca foram rejeitados, porque diziam aos reis ou às pessoas o que eles queriam ouvir”. Os falsos profetas concordam com tudo, dizem: “Ah, que bonito”, e mais nada. O Pai e Fundador foi fiel, demonstrou “a capacidade de aguentar”, ou seja, “suportar na vida ser deixado de lado, rejeitado, sem se vingar com a língua, com a calúnia e a difamação”.

No encontro com os Padres de Schoenstatt no último dia 3 de setembro, o Santo Padre ressalta sua atenção com a herança deixada pelo Fundador: “Após esses anos recorridos lhes preocupa manter vivo o carisma fundacional e a capacidade de saber transmiti-lo aos mais jovens. A mim também me preocupa, que mantenham o carisma e o transmitam, de tal maneira que siga inspirando e sustentando suas vidas e sua missão”

Papa João Paulo II

Também São João Paulo II, na audiência com a Família de Schoenstatt, em 1985, ressalta a importância de se manter o carisma do Pe. Kentenich vivo: “Vós sois chamados a participar da graça que vosso Fundador recebeu e a colocá-la a disposição de toda a Igreja. Porque o carisma dos Fundadores se revela como uma experiência do Espírito, que é transmitida aos seus seguidores, para que vivam, protejam, aprofundem e desenvolvam constantemente em comunhão e para o bem da Igreja, a qual vive e cresce em virtude de sua fidelidade ao seu Divino Fundador” (Roma, 20.09.85).

Dos Cardeais

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Na celebração dos cem anos da Aliança de Amor, o Cardeal Giovanni Lajolo ressalta a fé do Fundador: “Voltemos nosso olhar para a origem. No princípio estava somente a fé do Padre Kentenich. ‘Anda na minha presença e sê perfeito’ (Gen 17,1). A ordem de Deus a Abrão, o pai da fé, pelo visto se aplica também ao Fundador da Obra de Schoenstatt, pois a ele foi presenteado uma fé viva na Providência. Ele viu vida e mundo, vida cotidiana e guerra mundial, atualidade e história sob à luz da condução de Deus e seu plano de sabedoria, bondade e poder. Seu passo ousado na fundação de algo novo foi dado à luz e à força desta experiência de fé”.
Dom Francisco Javier Errázuriz, Cardeal Arcebispo de Santiago/Chile, é Padre de Schoenstatt e pode falar não apenas do que ouviu, mas do que viveu, já que ele próprio conheceu o Pai e Fundador: “A atitude de educador é serviço de doação à vida de outro, o educador é um servidor. O Pe. Kentenich se colocava totalmente ao serviço de outra pessoa, como se não tivesse nada mais que fazer”.

A abertura do ano jubilar em Schoenstatt foi presidida pelo Cardeal Stanisław Ryłko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, na qual ele afirma: “Em sua atuação pastoral, vosso Fundador pintou continuamente a imagem de Maria nos corações. Padre Kentenich escreveu a seu modo num número incontável de corações o ‘Totus tuus’ do beato [hoje santo] João Paulo II, formando assim personalidades marianas para a Igreja”. Ele recorda ainda o período do Exílio: Além dos muitos acontecimentos felizes e consoladores, não faltaram na história de Schoenstatt provações e até provações muito dolorosas. Não me refiro apenas às duas guerras mundiais e à prisão do Fundador no Campo de concentração de Dachau, mas também, particularmente, ao longo exílio nos Estados Unidos que lhe foi imposto pelas autoridades da Igreja. No entanto, nesses anos difíceis, o amor à Igreja não diminuiu no coração do Padre Kentenich, nem no coração de sua Família de Schoenstatt… Justamente hoje a Igreja necessita de um novo ardor missionário e olha com esperança os movimentos eclesiais. Ela olha com grande esperança para Schoenstatt. A Igreja conta com Schoenstatt!”.

Bispos do Brasil

O Arcebispo Militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães, afirma sobre o Pe. Kentenich: “Vejo, em primeiro lugar, a figura de um sacerdote apaixonado pela Igreja, que procurou viver em plenitude o seu sacerdócio e que, apesar das inúmeras dificuldades e provações que teve de enfrentar ao longo de sua vida de ministério, nunca perdeu a confiança nem a atitude obediente aos superiores e à Igreja. Creio que ele é um modelo de vida sacerdotal, é um modelo de devoção mariana e uma devoção que se abre numa perspectiva missionária, de maneira que a sua Obra permanece viva e atuante na Igreja, sempre moderna”.

Ele aponta, segundo a sua concepção, os dois principais presentes que o Pai e Fundador oferece à Igreja: “Creio que a principal contribuição do Pe. Kentenich é exatamente a sua Obra, além de seu testemunho de vida. Ele traz uma visão que engloba um corpo sacerdotal, pessoas consagradas, famílias, os batizados em geral, cada um em sua entrega pela Aliança de Amor; Schoenstatt é uma presença em todos os níveis que compõem a Igreja Católica, uma presença que a partir de Maria se dirige a Jesus, em vista da salvação, da construção do reino”.

Segundo Dom Fernando, Pe. Kentenich “deixa um exemplo enorme”: “De muitas maneiras ele antecipa o que o Concílio Vaticano II vai falar mais tarde sobre a vocação universal à santidade, sobre a santificação de cada um no seu estado de vida – o leigo como leigo, o pai de família como pai de família, o jovem como jovem… Essa busca da santidade de Deus que se traduz em nós, nessa profunda comunhão e sempre pelas mãos de Maria; o Capital de Graças é uma contribuição sempre atual”.

Dom Eduardo Benes de Sales, Arcebispo de Sorocaba/SP, recorda em seu blog a história do Pe. Kentenich com destaque para o período do Exílio e afirma: “Pe. José Kentenich realizou aquilo que alguns anos depois São Maximiliano Kolbe, que deu sua vida para salvar um companheiro de prisão nazista, ensinou em uma de suas cartas (1973): ‘Pela obediência ultrapassamos os limites de nossa pequenez e conformamo-nos à vontade divina, que nos dirige com sua infinita sabedoria e prudência, a fim de agirmos com retidão… Esta é a vereda da sabedoria e da prudência, este é o único caminho pelo qual possamos dar a Deus maior glória’”.

A lista de autoridades da Igreja que conhece e estima a vida e a Obra do Pe. Kentenich é imensa. Na celebração do centenário da Aliança havia mais de 30 epíscopos – entre bispos, arcebispos e cardeais –, além de uma infinidade de representantes religiosos e consagrados e autoridades civis.

Sua vida é um verdadeiro ‘Dilexit Ecclesiam’ – hoje visto como verdadeiro tesouro – deixado como herança e missão para seus filhos, que agora têm a tarefa de viver esse mesmo amor e fidelidade no novo século de Schoenstatt.