Pe. Kentenich: Paternidade que marca histórias

9 de agosto de 2015

“Como não devo me preocupar com meu filho e com minha filha?!”

olindo-e-marilenaKaren Bueno – O Pe. Kentenich se comprova um verdadeiro Pai para muitos que se encontram com ele. São várias histórias que revelam sua paternidade vivida e experimentada pelos filhos espirituais, que demonstram a grandeza deste homem singular.

Um casal que experimentou isso de perto é Olindo e Marilene Toaldo, de Santa Maria/RS, da União de Famílias de Schoenstatt. No Natal de 1966, recém-casados, vão a Schoenstatt pela primeira vez visitar a Mãe e Rainha no Santuário Original, e com grande expectativa de encontrar o Pai e Fundador. “Nós chegamos e o padre que nos atendeu nos jogou um ‘balde de água fria’, dizendo: ‘é mais fácil falar com o Papa do que falar com o Pai’”.

Olindo e Marilene pediram, então, que a Mãe cuidasse para que pudessem encontrar o Fundador, e dali a algumas horas lhes anunciaram que o Pe. Kentenich os receberia ao meio dia – era dia 24 de dezembro e seria um encontro bem curto, pois o Pai e Fundador tinha um compromisso em seguida. “Foi uma grande alegria. Fomos acompanhados com dois padres brasileiros e um padre chileno. O Pai se apresentou muito alegre com cada um de nós, com brincadeiras, nos fazendo rir. Ele foi logo buscar um presente para nós e perguntou-nos o que fazíamos, se interessando por tudo. Ele disse, então, que tinha um compromisso, mas que nos convidava a participar de sua palestra às 17 horas”.

Os brasileiros foram, naquela tarde, para a palestra, mas não compreendiam suas palavras em alemão, então ficaram apenas observando-o. “Na saída ele nos cumprimentou e pediu aos padres que estavam junto que nos passassem o conteúdo da palestra, e nos disse para que fôssemos, no dia seguinte, na missa das dez horas, que era missa de Natal, porque ele iria falar conosco”.

O rosto de um Pai

O casal Toaldo vai à Santa Missa de Natal no dia seguinte, e encontra a Igreja completamente tomada de pessoas, pois muitos querem participar da Missa presidida pelo Fundador. Em seguida se dirigem para a sala que o Pe. Kentenich atendia: “Havia alguns padres e irmãs conosco na sala. Nós ficamos esperando – o Pai vinha pelo corredor, e havia muitas pessoas para cumprimentá-lo, então demorou um pouco. Ele chegou com uma braçada de fotos e imagens da Mãe, sentou e começou a distribuí-las. Nós pedimos – uma ousadia muito grande de jovem – que ele escrevesse seis mensagens e colocasse seu nome para levarmos aos casais do nosso grupo de Liga de Famílias. Ele não teve dúvidas, com toda calma sentou e começou a escrever, geralmente um versinho do Rumo ao Céu. Isso demorou um pouco, e para nós ficou claro como de fato ele se dedicava às pessoas que vinham até ele”.

A conversa continua, e surge uma questão inesperada: “O Pai e Fundador perguntou onde nós estávamos hospedados. Nós dissemos que estávamos numa casa de família. Ele perguntou, então, quanto nós pagávamos pela estadia – imagina, os detalhes – e nós lhe respondemos que não sabíamos ainda, pois não tínhamos conversado com o responsável, e lhe dissemos: ‘mas o senhor não precisa se preocupar com isso’. Ele nos respondeu: ‘Como não devo me preocupar com meu filho e com minha filha?!’. Disse então ao padre que fosse ver o valor, pois ele queria pagar nossa hospedagem”.

O cuidado integral com o ser humano

Em agosto de 1967, Olindo e Marilene retornam a Schoenstatt e no dia 18 vão encontrar o Pe. Kentenich novamente: “O Pai nos deu um presente – ele sempre dava algo, como que indicando que queria ‘dar de si’, o presente era uma expressão da doação dele. Nesse dia, logo que chegamos, ele buscou e entregou para mim uma garrafa de vinho e disse: ‘esse é o símbolo do meu cuidado material por vocês’. Depois pegou dois Terços, e deu um para cada, dizendo: ‘Este é o símbolo do meu cuidado espiritual por vocês’”, recorda Olindo Toaldo e afirma: “Seus gestos dão direcionamento na vida das pessoas”.

A experiência de sentir o Pe. Kentenich como um PAI marca a vida das pessoas. Durante o Exílio, o Fundador explica para um grupo de casais que ele, no dia 18 de outubro de 1914, foi o representante perante a Mãe de Deus de todos aqueles que um dia selariam a Aliança de Amor. Assim afirma: “A corrente que desde 1914 percorre o mundo abrangeu-nos. Nessa corrente vivemos, nessa corrente nos movemos. Daqui decorre também a relação singular que têm comigo e eu com os senhores. Embora não nos conhecêssemos, eu já os representava. Por isso também devem prever que sua sorte, em última análise, seja participação na minha sorte[1]”.

A solidariedade de destinos, o vínculo que une o Pe. Kentenich a seus filhos espirituais é real, tanto para quem o conheceu como para aqueles que apenas ouvem sobre ele: “Vemos que ele era realmente um Pai, que se preocupava com tudo aquilo que diz respeito aos seus filhos espirituais, e que queria dar o máximo do seu amor para que esses filhos fossem autênticos instrumentos nas mãos da Mãe” dizem Olindo e Marilene.

[1] WOLF, Peter (editor). Tua Aliança, nossa missão. 1ª Edição. Santa Maria/RS: Sociedade Mãe e Rainha, 2014, p.65.