Pe. Kentenich e a história de um telegrama

13 de setembro de 2015

A Providência tecendo os fios da história.

pai-kentenichKaren Bueno – Era dia 13 de setembro de 1965. Um período difícil para a Família de Schoenstatt no mundo todo, pois o Pai e Fundador está no Exílio e o Movimento passa por duras provações. Nessa segunda-feira corriqueira chega a Milwaukee/EUA um telegrama da Direção Geral dos Padres Pallottinos comunicando ao Fundador de Schoenstatt que ele deveria apresentar-se imediatamente em Roma.

Pe. Kentenich faz suas malas e sem demora parte para a Europa. Sua sorte estava lançada, o que o futuro lhe reservaria?

A chegada do Pai a Roma causa grande confusão, afinal, ninguém sabia quem havia enviado esse telegrama. A direção dos Pallotinos nega ter escrito qualquer carta, os filhos de Schoenstatt também não desobedeceriam uma ordem da Igreja. Todos questionam e ninguém descobre o autor da mensagem. Mas, afinal, de onde e de quem partiu esse comunicado?

50 anos se passaram e ninguém sabe a resposta dessa pergunta. A empresa que enviou o telegrama não tinha nenhum registro dessa atividade. É um mistério que permanece aberto e leva à reflexão.

“Quanto mais enigmas apresentavam as circunstâncias, foi-se firmando nele a convicção de que aqui não se tratava de outra coisa senão do atendimento de seu pedido (do Pai e Fundador). Como sabemos, ele pedira à Mãe de Deus que seu exílio terminasse de modo a não restar dúvidas sobre a identidade da pessoa a quem se devia a honra dessa façanha […]. Por isso o Pe. Kentenich, mais tarde ao falar do misterioso telegrama, confessou singelamente que aqui não se tratava de outra coisa senão de uma intervenção extraordinária daquela que sempre manifestou seu poder em sua vida e na história de Schoenstatt: a Mãe de Deus, a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt[1]”.

Com vários autos e baixos, depois de mais de um mês de espera, o Pai e Fundador é finalmente recebido pelo Papa Paulo VI e seu exílio encerra-se, e tudo começou com um telegrama misterioso.

Por quê? Para quê?

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Como tudo na história de Schoenstatt, mais uma vez a Divina Providência age nas pequenas coisas e causa grandes transformações. A pergunta chave desse episódio não é ‘quem enviou o telegrama?’, ou ‘de onde?’, mas ‘por que isso aconteceu?’. Como o próprio Pai disse, o atuar da Providência e o cuidado maternal de Maria estão visivelmente presentes nesse acontecimento.

A fraqueza e a miséria humana já não eram capazes, ou dificultavam o atuar do Espírito Santo na Igreja por meio da Obra de Schoenstatt, por isso foi preciso que algo extraordinário acontecesse para abrir os olhos das lideranças da Igreja, dos Pallottinos, de Schoenstatt. Somente assim – e foi assim que o Pai quis que acontecesse – a Obra tomou rumos de vitória e pode cumprir sua missão.

Nosso telegrama de todos os dias

Assim como aconteceu ao Pai e Fundador no dia 13 de setembro de 1965 e em diversos outros momentos de sua vida, a Divina Providência também envia “telegramas” para nós, inspirando-nos a seguir seus acenos. Enxergar esses sinais de amor é o grande desafio que dá colorido à vida. Pe. Kentenich chama esse perceber a vontade de Deus por meio dos acontecimentos da vida como ‘Lei da Porta Aberta’.

Quais “portas” a Providência já nos abriu, que mudaram o rumo de nossa vida? Como atendemos aos seus acenos? Estamos dispostos e confiantes a dizer um ‘sim’ para o próximo “telegrama” que nos chegar?

“Muitas vezes, parece-nos como se estivéssemos diante de um abismo. Pensamos que vamos afundar, mas logo se abre uma porta e nos salvamos. Nossa Senhora já nos protegeu de muitíssimos perigos. Para isto recebeu a responsabilidade por parte de Deus. […] Quem é capaz de proteger seus filhos dos perigos do corpo e da alma neste momento? […] Como me protegeram estas mãos? Como se entrelaçaram e amarraram os fios de minha vida de uma maneira admirável! Assim devemos considerar nossa Aliança de Amor (Pe. José Kentenich, Paso Mayor, Argentina, 14 de abril de 1952).

Confiantes e certos de que MTA está por detrás de toda nossa história podemos rezar: Confio em teu poder e em tua bondade, em ti confio com filialidade. Confio cegamente em toda situação, Mãe, no teu Filho e na tua proteção. Amém.

[1] MONNERJAHN, Engelbert. Pe. José Kentenich – Uma vida pela Igreja. Editora Pallotti, Santa Maria/RS, 1977. 1ª Edição, pág 234-235.