Pe. Cattoggio: Temos que sair ao encontro de todos

27 de agosto de 2015

Primeira entrevista do novo Superior Geral dos Padres de Schoenstatt.

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O portal católico ACI Prensa entrevistou Pe. Juan Pablo Cattoggio, que falou um pouco da espiritualidade de Schoenstatt e ressaltou que o Movimento se coloca em saída neste novo século. Acompanhe:

Na primeira entrevista que concede logo após sua eleição como Superior Geral dos Padres de Schoenstatt, o sacerdote argentino de 61 anos, Pe. Juan Pablo Cattoggio, fala dos desafios desta família espiritual marcada por um profundo amor à Virgem Maria e que está presente em mais de 90 países.

O sacerdote argentino, o segundo latino americano no cargo, sucede Pe. Henrich Walter, que esteve à frente da instituição durante 12 anos.

Em conversa com a ACI Prensa em Schoenstatt/Alemanha, comenta que sua eleição o surpreendeu porque “não a esperava, não a buscava. Em segundo lugar, também com um pouco de susto pela tarefa, mas confiando também que Deus dá as forças e as graças necessárias para as tarefas que nos confia”.

Sobre o centenário da Família de Schoenstatt, celebrado em 2014, Pe. Cattoggio afirma que é um tempo de “renovação no espírito do Fundador, em seu carisma, em sua missão. Foi uma experiência de internacionalidade. Nunca o Movimento havia se reunido tão multiforme e tão colorido, com representantes de tantos países, de tantas culturas, de tantos lugares novos, uma geografia nova”.

O Superior Geral recorda que “Schoenstatt nasceu como um acontecimento, não foi uma decisão ou um projeto de escritório do Pe. Kentenich, senão que foi o resultado de um processo de vida, de uma irrupção do Espírito Santo, de um acontecimento de graças que nós chamamos: ‘a Aliança de Amor com a Virgem’. O Pe. Kentenich, o Fundador , era um homem que permanentemente buscava a vontade de Deus. Para ele a vontade de Deus não era uma verdade que havia que contemplar, mas muito mais, um plano que se havia de descobrir e realizar”.

Para o Fundador, continuou o sacerdote, “o amor à Virgem não era simplesmente um deixar-se mimar por ela, para ele sempre teve o aspecto, o caráter de um compromisso mútuo. Por isso falamos em Schoenstatt, chamamos a consagração à Maria de Aliança de Amor. Uma Aliança recíproca, mútua. ‘Nada sem vós, nada sem nós’ dizemos em Schoenstatt muitas vezes”.

Isto, prosseguiu, “é um intercâmbio onde há um compromisso mútuo, que é amor por amor, que é compromisso por compromisso e onde, portanto, esse amor a Maria não é simplesmente afetivo e devocional, mas que tem também consequências na vida”.

“Tem consequências pedagógicas, poderíamos dizer, porque transforma nossa vida; deixamo-nos educar por Maria, que sempre quer plasmar Cristo em nós e quer que o evangelho se faça vida em nós”.

O Santuário de Schoenstatt

Schoenstatt foi fundado em 18 de outubro de 1914 pelo Pe. José Kentenich e um grupo de seminaristas do antigo seminário dos Padres Palotinos como um caminho de renovação espiritual dentro da Igreja Católica. O nome do Movimento vem de uma pequena aldeia da cidade de Vallendar, próxima de Coblença, Alemanha, na qual fica o Santuário Original de Schoenstatt que tem se convertido em um lugar de peregrinação mundial.

O Pe. Cattoggio explicou à ACI Prensa que “o Santuário não foi uma decisão estratégica ou uma genialidade ‘marketeira’ do Pe. Kentenich. Realmente ajuda muitíssimo a identificar Schoenstatt em todos os lugares, mas é algo muito mais profundo que isso”.
“O Santuário é nosso mistério, se assim podemos chamar, o Santuário é a fonte de graças, porque é ali onde Maria se estabeleceu, onde nos chama, é dali que se alimenta nossa espiritualidade e toda nossa força para a missão e para o apostolado”.

Portanto, prossegue, “a rede de Santuários, que tampouco surgiu desde o começo, se deu porque a vida foi se manifestando assim, foi se abrindo e mostrando novos caminhos. Na América do Sul, concretamente no Uruguai, foi onde surgiu a iniciativa das Irmãs de Maria de construir uma réplica exata do Santuário Original”.

“Quando o Fundador, estando no campo de concentração, soube disso, o aprovou de imediato. Ademais, descobriu que não era estratégia, senão que era estratégia de Deus, que Deus queria realmente estender esse presente, esse carisma de Schoenstatt, ao mundo inteiro, precisamente por meio dos Santuários, porque sem Santuários não se pode entender Schoenstatt”.

Pe. Cottaggio disse logo que “essa Igreja pela qual o Pe. Kentenich viveu , morreu, trabalhou, sofreu, sonhou, é a Igreja que o Papa Francisco nos propõe, a que ele leva em seu coração, a que ele está anunciando por todos os lados e por isso creio que o encontro com ele (na audiência privada do dia 26 de outubro de 2014) foi um encontro de compromisso; compromisso com ele, com a Igreja e foi um encontro de envio. De envio”.

“Creio que o maior fruto dessas celebrações, do encontro com ele é que desde nossas origens, de nosso carisma, de nossas fontes, temos que estar em saída”.

Para concluir, o novo Superior Geral dos Padres de Schoenstatt disse à ACI Prensa que “usando as palavras do Papa, temos que sair ao encontro de todos. Schoenstatt é saída, é um pouquinho da palavra que entendemos agora com nosso programa”.

Fonte: aciprensa.com