Palavras de quem viveu o Exílio

14 de outubro de 2015

Testemunho de um momento histórico.

olindo-e-marilenaKaren Bueno – Às portas de comemorar 50 anos da volta do Pai e Fundador do Exílio – em 22 de outubro – muitas histórias são recordadas para mostrar a grandeza e importância desse período histórico. Os 14 anos em que o Fundador esteve afastado de sua Obra foram acompanhados por belos testemunhos de todos os ramos e comunidades da Obra. Muitos permaneceram fiéis à Aliança de Amor, como o casal Olindo e Marilene Toaldo, de Santa Maria/RS, que hoje compartilha suas lembranças e colabora para tornar viva e fecunda a história da Obra de Schoenstatt.

Olindo fez parte do primeiro grupo da Juventude Masculina de Schoenstatt no Brasil, que iniciou em 1956 em Santa Maria/RS e permaneceu no ramo até 1963. Nesse ano começou a preparar-se para o matrimônio com Marilene. Ela ingressou na Juventude Feminina em 1962.

“Pegamos o auge do exílio do Pai na juventude, quando tudo era proibido em Santa Maria. As coisas eram muito difíceis naqueles anos, a situação do Movimento estava complicada”.

Os tempos eram muito diferentes da realidade atual. Ser schoenstattiano no período do Exílio exigia um certo heroísmo, pois as pessoas eram vistas com reserva no âmbito da Igreja: “O Santíssimo foi retirado do Santuário; o sacerdote que nos assessorava foi transferido para outra cidade e não podia mais trabalhar com o Movimento. O único vínculo pessoal que tínhamos era com a Ir. M. Teresinha Gobbo, a quem o Pai e Fundador designara como responsável pelo inicio e desenvolvimento do Movimento leigo no Brasil. Ela nos dava um atendimento individual e, eventualmente, nos convidava para participar de alguma reunião com um grupo de pessoas de outros ramos a quem dava formação em caráter reservado, pessoas de muita confiança, pois a ninguém era permitido trabalhar pelo Movimento. Como se pode depreender, foram anos muito difíceis para toda a Família, especialmente para a compreensão da juventude”.

Mesmo assim, a convicção de que Schoenstatt tinha uma grande missão para a Igreja e o mundo fez com que muitos permanecessem fiéis. “A gente se reunia como grupo, clandestinamente, em geral nas casas dos membros. Íamos individualmente ao Santuário – não se podia frequentá-lo em grupos. Sentíamos necessidade de nos encontrar com a Mãe e receber suas graças e forças, por isso, ali comparecíamos com assiduidade”. Além disso, se colocavam como missionários: “Estávamos sempre em busca de mais aliados: convidávamos colegas e conhecidos para participar da Juventude de Schoenstatt. Alguns vinham, mas os párocos e os assistentes da Juventude da Ação Católica ‘pressionavam’ para que não participassem com o argumento de que se tratava de um Movimento proibido. Enfrentávamos muita resistência na tentativa de conquistar outros jovens e de manter aqueles que já estavam”.

Schoenstatt é missão

A Obra de Schoenstatt passava por um período de tempestade, “ventos contrários” batiam de frente com esse carisma, tudo levava para a ruína; o que fez, então, com que as pessoas permanecessem fiéis à Aliança de Amor? Para Olindo, uma certeza: “Nós acreditávamos que Schoenstatt traz uma missão muito grande para a Igreja e para o nosso tempo, embora, naqueles anos, conhecêssemos pouco sobre o Movimento. Encontrávamo-nos com Ir. M. Teresinha e na medida em que aumentavam nossos conhecimentos e nos aprofundávamos, compreendíamos sempre mais que Schoenstatt era uma grande missão. Com o passar dos anos fomos compreendendo que esses foram os caminhos da Divina Providência. Confirmando as palavras do nosso Pai: a grandeza das dificuldades, a pequenez dos instrumentos e a grandeza do êxito – que hoje podemos constatar – comprovam a divindade da Obra”.

Segundo Marilene, apesar das dificuldades “o Exílio trouxe frutos enormes que agora podemos usufruir largamente, através dos ensinamentos e da bibliografia resultantes do trabalho muito fecundo que o Pai realizou naqueles 14 anos”. Para o casal, que pertence à União de Famílias de Schoenstatt, esse período “foi uma era de ouro para as famílias, porque o Pai nunca poderia ter-se dedicado tanto a elas como o fez em Milwaukee/EUA, nas reuniões que realizava ‘às segundas feiras ao anoitecer’. Foram mais de 400 palestras proferidas nessas reuniões – com debates e esclarecimentos a dúvidas e perguntas dos casais – nas quais focalizou não somente os diversos aspectos da vida matrimonial e familiar, mas também toda uma variedade de temas ligados à espiritualidade e à pedagogia de Schoenstatt. É uma preciosíssima herança do exílio para toda a Família de Schoenstatt”.

O casal Toaldo pode celebrar com toda Família de Schoenstatt, em 1965, o fim desse período complicado para a Obra e teve a alegria, no ano seguinte, de encontrar-se pessoalmente com o Pe. Kentenich na Alemanha. Esse encontro se repetiu por mais uma vez, em 1967, ficando marcado para eles o amor e o cuidado paternal do Fundador a cada filho seu. “O seu exemplo de fidelidade durante os 14 anos do exílio é algo extraordinário, naquelas condições que, humanamente, podemos dizer, foram terríveis. O Pai deu um testemunho de total confiança na Mãe de Deus, ao esperar que ela realizasse o milagre da sua libertação como efetivamente aconteceu. Precisamos aprender com ele a confiar na Mãe e acreditar que nossa Aliança é real”.