Os vizinhos da Família Kühr – Parte 3

28 de julho de 2016
casal 3

Mathilde e Leopoldo Schlommer

Na última parte da entrevista, a Sra. Mathilde Schlommer, de Rolândia/PR, conta sobre o dia a dia na fazenda da Família Kühr, acompanhe:

O que havia na fazenda da Dona Helena Kühr? Como eram as coisas nessa época?

Era plantação de café, tinha gado, uma colônia muito grande por onde nós passávamos. As famílias eram muito bem tratadas, não eram, como se diz, simples empregados, eram pessoas acolhidas. A Dona Helena dava muita assistência para elas, inclusive ela teve um motorista muito bom, que sempre a levava para a cidade, enquanto o Dr. Fritz estava no hospital em Londrina/PR, eles deram muita assistência a ele, sempre dentro do possível.

Quando a senhora diz que os empregados eram bem acolhidos e bem tratados, o que te leva a dizer isso? Tem algum exemplo?

Os negros, os brancos, eles não faziam diferença. Eu lembro que, de vez em quando, vinham crianças da colônia e eles também recebiam com guloseimas – pedaços de bolo, bolachas, balas… – todos eram recebidos da mesma forma como nós, que éramos vizinhos e amigos, éramos recebidos. Então eles não faziam distinção e isso ficou gravado, não havia uma diferença entre o pobre, entre o médio, entre o rico.

Nesse período havia alguma paróquia que atendia as fazendas, como era?

A nossa primeira igreja era do Pe. José Herions, que era o nosso pároco, depois construíram a igreja do centro da cidade, onde hoje é a nossa matriz e onde a Dona Helena também participou no começo.

Como era a prática religiosa da Dona Helena?

Nós rezávamos durante o início das aulas e também no final fazíamos uma prece de agradecimento, agora não posso falar de sua convivência no lar e na Igreja.

Depois que o Dr. Kühr faleceu, a Dona Helena continuou morando por perto de vocês. A senhora percebeu nela algum sentimento de revolta pela morte do marido?

Ela jamais demonstrou uma revolta. Ela sempre foi uma mulher firme, em pé. Ela conseguiu manter o equilíbrio na perda do marido, porque na hora da morte, eu lembro que ouvi o seguinte: Que ambos juraram amor eterno e que ele pediu muito a ela que continuasse a missão que eles iniciaram, em prol da família, isso eu me lembro. E ela jamais demonstrou tristeza ou fracasso, ela sempre foi uma mulher como Maria, em pé diante da cruz – porque foi uma cruz pesada que ela enfrentou, por um grande amor que partiu muito cedo.

A senhora se lembra de quando ela deixou a fazenda?

Ela passou essa fazenda para um sobrinho, Hellbrugge, e a esposa. Depois disso, nós também não frequentamos mais a fazenda, perdemos o vínculo. O meu irmão caçula trabalhou muitos anos com o Sr. Hellbrugge, dando assistência na administração da fazenda. E foi depois de muitos e muitos anos que nós ficamos sabendo que ela faleceu em São Paulo/SP. Foi essa a última informação que recebemos.

Tem algo a mais que gostaria de dizer?

A vida do Dr. Fritz Kühr e da Dona Helena é um exemplo para muitas famílias. O sofrimento que ele passou em Dachau, junto com o Pe. Kentenich é muito grande; eu lembro quando eles comentavam que celebravam a Eucaristia, a Santa Missa, e ambos eram muito unidos, já com planos para o futuro a partir do momento em que eles fossem liberados. Essa união que o Pe. Kentenich teve juntamente com o Dr. Fritz Kühr, também a união do Fritz Kühr com a esposa são um grande exemplo para os casais – também para nós, Leopoldo e eu, Matilde –, porque eles sempre demonstraram muito carinho, muito amor um para com o outro, isso é o alicerce da família.

Hoje completando 50 anos de matrimônio, o que a senhora pode dizer que aprendeu com a Dona Helena e o Dr. Fritz, com o casal Kühr?

Em primeiro lugar, o respeito, o amor e a doação de ambas as partes, porque eles nunca, nunca desanimaram diante das dificuldades, eles sempre se uniram. Enquanto ele estava preso em Dachau, ela sempre mantinha correspondência, na medida do possível, com os familiares mais próximos para dar força. A oração dela e a sua perseverança foram o alicerce dessa grande união, desse grande amor que persistiu até que a morte os separasse.

Veja também:
Os vizinhos da Família Kühr – Parte 1
Os vizinhos da Família Kühr – Parte 2