Os vizinhos da Família Kühr – Parte 2

27 de julho de 2016
casal 2

Mathilde e Leopoldo Schlommer

Continuação da entrevista com Mathilde Schlommer, de Rolândia/PR, que foi vizinha da Família Kühr e aluna da Sra. Helena.

Quando a senhora conheceu a Dona Helena, o Dr. Fritz Kühr já estava no Brasil ou ele veio depois?

Eu não me lembro bem. Eu nasci em 1943 e não lembro o ano em que o Dr. Fritz Kühr voltou para o Brasil, porque ele ficou muito tempo em Dachau. Eu me lembro dele durante pouco tempo, por poucos anos, da sua convivência junto com a Dona Helena, mas depois, como ele faleceu muito cedo, nós continuamos a frequentar a fazenda e ter aulas de alemão com a Dona Helena Kühr.

Como era o Dr. Fritz Kühr?

Ele era um homem muito generoso. Quando o meu pai recebia correspondência da Alemanha, ele pedia para que nós a levássemos para o Dr. Fritz e ele retribuía essa correspondência com livros para o meu pai, porque eles eram muito amigos. Então era uma troca de informações sobre o pós-guerra, sobre os acontecimentos da Alemanha e sobre os assuntos gerais da agricultura e tudo o que acontecia naquela época, porque nós morávamos em situações bastante precárias. O Dr. Fritz já tinha uma residência melhor, por ser um fazendeiro, e ele era uma pessoa de um grande coração.

A senhora se lembra de algum fato pelo qual formou esse conceito? O que te leva a dizer que ele tinha um grande coração?

Pelo olhar dele. No momento em que nós nos aproximávamos, ele tinha um sorriso de pai, de amigo, de conselheiro, era assim, como um segundo pai para nós. Porque meu pai era mais rígido e o Dr. Fritz era dócil, ele era uma pessoa extremamente acolhedora.

A senhora se lembra de alguma vez em que o Dr. Fritz Kühr falasse do Pe. Kentenich?

Não para nós, era só com o meu pai, os dois iam para a sala e lá eles comentavam sobre o relacionamento com o Pe. Kentenich. Porque o meu pai, na época, falava muito do Pe. Kentenich, mas para nós era algo tão distante, nós não entendíamos ainda, éramos muito jovens para entender. Mas com o Dr. Fritz Kühr, meu pai trocava muitas ideias, por isso também – nós somos em nove irmãos, uma família muito grande – ele manteve essa família até a hora da morte, graças a um grande amigo, o Dr. Kühr, que deu muito apoio para o meu pai.

Quem era o seu pai e porque ele veio para o Brasil?

Ele foi perseguido por Hitler e conseguiu embarcar para o Brasil apenas com um baú que continha velas e as roupas pessoais. Ele teve um começo muito difícil, comprou uma propriedade de dez alqueires, vizinha da propriedade do Dr. Kühr, e foi nessa época que eles se aproximaram, que criaram essa amizade, esses laços que duraram até a morte dele [do Dr. Kühr] e depois continuando com Dona Helena, que se tornou também uma grande amiga, uma grande companheira, que sempre nos auxiliou em todos os momentos. Nós temos lembranças gratificantes dessa grande mulher, porque ela certamente tinha uma missão a cumprir, que era a continuação [da missão] do Dr. Fritz, de unir as famílias, de passar aquele amor, as boas-vindas para todos aqueles que iam à fazenda.

Veja também:

Os vizinhos da Família Kühr – Parte 1
Os vizinhos da Família Kühr – Parte 3