Os vizinhos da Família Kühr – Parte 1

26 de julho de 2016

Fala-nos a aluna da Sra. Helena Kühr.

casal

Mathilde e Leopoldo Schlommer

Ir. M. Nilza P. da Silva/Karen Bueno – Somente duas palavras definem essa entrevista: Divina Providência!

Nesse final de semana, dias 23 e 24 de julho, chega um casal ao Santuário de Atibaia/SP para celebrar seu jubileu de ouro: Leopoldo e Mathilde Schlommer, de Rolândia/PR. Eles não pertencem ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, pouco conhecem sobre a Obra, mas sua intenção era passar o dia jubilar em uma casa de religiosas, para poder rezar e agradecer pelos anos de matrimônio. Lembraram-se, então, de terem ouvido sobre as Irmãs de Maria em Atibaia/SP, assim, ali chegaram, sem uma prévia, sem avisar.

Na conversa e na acolhida, a Sra. Mathilde conta algo que é uma surpresa para todos: sua família era vizinha da Família Kühr e ela teve muito contato com a Sra. Helena e o Dr. Fritz. Mais ainda, Mathilde foi aluna de Helena Kühr.

Os dois, Mathilde e Leopoldo, não imaginavam que há uma semana atrás, toda a Obra das Famílias de Schoenstatt se unia para resgatar a história do co-fundador da Obra de Famílias do Movimento Apostólico; que as famílias tinham se juntado para unir os restos mortais de Fritz e Helena, para sempre, junto ao Santuário de Londrina/PR.

A Divina Providência conduziu os Schlommer ao Santuário, para que Mathilde pudesse compartilhar sua história:

Quantos anos a senhora tinha quando conheceu Helena Kühr?

fritz kuhr

Fritz e Helena, os co-fundadores da Obra das Famílias de Schoenstatt

Eu conheci a Helena Kühr a partir dos 5 ou 6 anos. Durante alguns anos nós frequentamos a fazenda dos Kühr, porque ela nos dava aulas de alemão. Papai não permitia que nós falássemos em português, então, como nós morávamos em um sítio vizinho da fazenda da Dona Helena e do Dr. Fritz Kühr, ele nos autorizou para que pudéssemos ir uma vez por semana receber aula de alemão. Foi um período muito, muito gratificante. Ela era uma pessoa extremamente humana, era muito dócil, uma senhora carinhosa, que nos recebia com guloseimas. Ao mesmo tempo, na fazenda, vivia a irmã dela, que também participava das aulas. Com ela nós aprendíamos cantos e poesias, poema, e com a Dona Helena era mais a parte de ortografia.

Quantas crianças aprendiam alemão junto com a senhora?

Nós éramos quatro apenas, quatro crianças da vizinhança. Porque muitos moravam longe e não tinham condições, íamos a pé, naquela época ainda não tínhamos bicicleta, então só os mais próximos que participavam dessa aula.

E como era a aula em si, como funcionava?

Eu lembro que nós levávamos caderno e ela tinha livros da Alemanha – que eu creio que ela já usava na época – e através desses livros ela nos orientava. Eu comecei o ABC com ela praticamente, eu tinha na época uns 7 ou 8 anos, porque antes eu não tive oportunidade de frequentar uma escola, que não existia por perto, as aulas eram ali com a Dona Helena em particular, espontaneamente por ela.

A Dona Helena, como administradora de fazenda, certamente não precisava dar aulas de alemão. Os senhores pagavam essas aulas para ela? Como funcionava?

Nós não pagávamos, era por livre e espontânea vontade da Dona Helena, porque ela se sentia bem no meio de crianças da mesma nacionalidade. Nós nunca pagamos nada. Ela ainda nos presenteava com certos objetos – eu me lembro de um xale que ela deu naquela época; eu não usava xale, porque a temperatura no Brasil é de muito calor, mas lembro de que recebi um xale dela. Então era assim, uma troca de amizade e ela nunca cobrou por uma aula.

A senhora disse que a Dona Helena ensinava mais a parte de gramática e ortografia do alemão e que a irmã dela vinha com a parte mais artística, cultural… Como era o relacionamento entre as duas?

A Dona Ana, irmã da Dona Helena, que veio de Vestfália, eu creio que ela deve ter vindo para fazer companhia à irmã. Eram duas pessoas alegres, sempre de bom humor, ela jamais demonstrou momentos de tristeza, de depressão, de impotência, de fracasso. Ela foi em frente até onde Deus permitiu forças.

De que ano a que ano foi esse seu contato com a Dona Helena?

Por volta de 1948-49, até 1956, mais ou menos. Cerca de dez anos.

Veja também

Os vizinhos da Família Kühr – Parte 2
Os vizinhos da Família Kühr – Parte 3