Os chamados e os escolhidos

26 de janeiro de 2016

Qual papel Deus ocupa em nossa vida?

mairiporaPe. Nicolás Schwizer – Muitos homens dizem que Deus é silencioso, que está longe, que não o podem encontrar. Entretanto Deus, através de toda a revelação, nos assegura que Ele fala, que chama, que estimula os homens, mas que em poucas vezes é escutado.

Deus diz que Ele é, essencialmente, Pai de todos os homens. Mas parece que os homens não têm mais que uma ambição: libertar-se, prescindir-se de Deus. Diz-nos também que a fome que nós podemos ter de Deus não é nada em comparação com a fome que Ele tem de nós. Os homens podem estar sem Deus, mas Deus não pode, não quer estar sem os homens.

Como o diz São Paulo: “Deus quer que todos os homens se salvem”. É o que os teólogos chamam do desejo salvífico universal de Deus. Seu amor de Pai não conhece limites nem coloca barreiras. Seu maior desejo é que todos os seres humanos, saídos de sua mão criadora, possam participar um dia com Ele no banquete celestial. Por isso convida para sua mesa inclusive os pecadores e os pagãos, se seus próprios filhos se negam a vir.

Muitas vezes buscamos e encontramos desculpas quando se trata de Deus. Facilmente nos enclausuramos em nossos próprios assuntos: em algum negócio ou trabalho que julgamos mais urgentes, numa festa que devemos participar ou numa viagem que temos que fazer. Cremos que nosso caso é legítimo, que nossos motivos são perfeitamente válidos. E assim colocamos mil e um pretextos para não ir ao encontro.

Alguns pensarão: “já se entende que sou cristão, basta, que me deixem em paz”. Outros dirão: “sou cristão a minha maneira, não necessito dessas manifestações externas, que não me incomodem”. São cristãos de nome, sem coerência entre sua vida e o que dizem crer.

Também existem aqueles que deixam para mais tarde o tempo de se ocupar com Deus: “Depois que me casar”, “Quando construir minha casa ou minha fortuna”, “Quando não tiver que trabalhar”, “Quando meus filhos ou meu marido ou minha profissão me deixarem em paz”. Somente aí poderão ocupar-se de Deus.

Mas isso significa que expulsamos Deus de nossa vida real, que o encurralamos nos templos, que nos negamos a santificar nosso estado, que julgamos incompatíveis o serviço de Deus e a vida cotidiana que levamos.

E Deus é um Deus da vida. O Senhor não se desanima e se dirige de novo a nós renovando sua chamada. Vale-se de seus enviados, seus apóstolos, seu filho Jesus Cristo, sua Igreja. Por meio da voz de seus ministros, lembra às nossas consciências dormidas e esquecidas o destino eterno que nos tem reservado.

“Aquele que te criou sem ti não te salvará sem ti”, diz Santo Agostinho. Deus quer nossa livre aceitação e colaboração. De outra maneira não teria mérito o amor nem o acesso ao banquete celestial.

Entretanto, o tempo da paciência e da espera de Deus tem seu limite. Por isso temos que responder HOJE a sua palavra, seu chamado, sua passagem no meio de nós. Temos que lhe dar resposta pessoal de nossa entrega e compromisso, participar de seu banquete.

Queridos irmãos, se endurecemos nosso coração, se não atendemos a seu convite, se lhe damos as costas a seu chamado, então ficamos “do lado de fora, nas trevas”. Como indica o Senhor ao final de uma de suas muitas parábolas, “que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”.

Peçamos por isso, a Deus, que nos inclua entre os escolhidos e que nos permita participar de seu banquete celestial e pertencer para sempre a seu Reino do Céu.

Perguntas para a reflexão

1. Para mim, Deus é alguém próximo?
2. Sinto que sou um convidado do Senhor?
3. Qual é minha resposta ao escutar um convite do Senhor?

Se desejar escrever, comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva para: pn.reflexiones@gmail.com

  • Francisco Parente de Carvalho

    Deus está próximo e meu contemporâneo, ao rezar o Pai-Nosso.