Os cem anos das Flores de Maio de José Engling

1 de maio de 2016

Uma aspiração sempre atual.

floresKaren Bueno – Quem pertence ao Movimento Apostólico de Schoenstatt já ouviu – ou vai ouvir em algum momento – sobre a aspiração das Flores de Maio. Trata-se de conquistar um ramalhete de flores espirituais para a Mãe de Deus por meio das contribuições ao Capital de Graças. Essa vivência tão conhecida começou com o jovem José Engling, um dos primeiros congregados de Schoenstatt, e em 2016 completa 100 anos.

No mês de maio de 1916, todos os alunos do seminário de Schoenstatt – incluindo os membros da Congregação Mariana – recebem permissão de passar as férias em casa, por causa das dificuldades de alimentação desse período de guerra. Para José Engling, porém, uma viagem tão longa não compensava, então ele decide permanecer em Schoenstatt e aproveitar, com isso, uma boa oportunidade para estar um pouco só consigo mesmo.

É nesse contexto, no começo do mês de Maria, que surge a inspiração para as conhecidas Flores de Maio. Como sabia apreciar a beleza, Engling buscou, ao ar livre, inspirações para o mês mariano; na simples e ingênua motivação das Flores, expressou seu empenho de oferecer à Rainha de Schoenstatt o seu filial e puro amor.

“Somente para homens de aço”

Concretamente falando, o jovem congregado escolheu cinco flores e, em cima de suas características, determinou alguns atos de amor que ofereceria como presente à Mãe de Deus.

engling

A cada uma delas ele trabalhou as características de um autêntico soldado, por exemplo, define as Flores de Maio como um “combustível para o braseiro”, sobre a conquista da violeta da humildade, pontua que é “somente para homens de aço”.

Dia a dia ele cultivava o jardim de seu coração e colhia novos ramalhetes para o Capital de Graças. Cada “flor” era anotada em seu caderno de controle espiritual, com um traço ao lado do propósito correspondente. Somados todos esses traços, no fim do mês obteve o total de 1.712 flores, ou seja, uma média de cinquenta e cinco por dia, comprovando que maio realmente foi um mês florido para o seu jovem amor.

Que flores José Engling ofereceu em 1916?

Assim escreve o congregado em seu diário: Flores de maio do jardim de meu coração, oferecidas à Rainha de maio, no mês de maio de 1916. Mãe, a ti consagro o pequeno jardim de meu coração. Para Ti vou semear e cultivar:

A rosa do amor e da estima
Quero que essa rosa simbolize a ti, Mãe. Assim como a rosa é a rainha das flores, sê tu a Rainha do meu coração. À tua disposição, minha Soberana, coloco tudo o que tenho, em especial: Atos de entrega a ti; promover tua honra; leituras referentes a ti; conversas referentes a ti; saudações à tua imagem; visitar a Capelinha da Congregação (o Santuário); Terço; comunhão; comunhão espiritual; atos de apostolado; fazer de ti o ponto central do meu dia; jaculatórias.

O miosótis da fidelidade a teu serviço
Quero ser-te fiel por estes meios: Rezar bem as orações dos congregados; preparar a reunião; fazer com atenção a leitura espiritual; estudar com afinco; guardar silêncio na sala de estudos; silêncio ao toque da campainha; cumprir com exatidão meus trabalhos; fazer particularmente bem minha cama; ter ordem na carteira; ser dócil às inspirações da graça e da consciência.

A violeta da humildade e da modéstia
Irei cultivá-la, procurando: Aceitar as correções com paciência; perdoar as ofensas; obedecer com alegria;

A flor da paixão (flor de maracujá) e do amor ao sacrifício
Desabrochará pelo: Paciente aturar das coisas desagradáveis; comportamento cheio de atenções; cortesia; domínio de mim mesmo à mesa; cumprimento exato do exame particular; leitura do livro de boas maneiras; leitura do regulamento; prestar favores; outros sacrifícios.

O lírio da pureza
Vigiar os olhos; silêncio no dormitório; implorar a pureza na santa comunhão.

As Flores de Maio em 2016

A vivência sugerida por José Engling é tão viva e prática que se torna sempre atual. Cem anos depois, é possível seguir os passos do jovem soldado e conquistar um lindo jardim espiritual para a Mãe e Rainha. Não precisam ser tantos ponto como Engling determinou, basta que sejam sinceros, com amor; cada um segue a criatividade de seu coração na hora planejar suas Flores, sempre impelidos pelo amor à Rainha de Maio.

Paulo Hannappel escreve: “Com essa descoberta, Engling deu a Schoenstatt algo impagável. Abriu uma fonte de energia muito importante. Com as Flores de Maio, valorizou as contribuições para o Capital de Graças, mediante uma delicada linguagem simbólica, e despertou novas e profundas emoções do coração”.

Rezemos com José Engling…

“Rainha de maio, minha Mãe e Rainha! A ti consagro este mês. Tudo o que me pertence seja propriedade tua, e eu, teu fidelíssimo escravo. Não quero ter outra vontade senão a tua. […] Mãe, a ti me entrego inteiramente como vítima. Ofereço-te todo o meu ser com tudo o que sou e tenho. Mãe, faze de mim o que te aprouver. Nada te peço, senão amar-te e honrar-te sem fim […]” (oração escrita junto às primeiras Flores de Maio).

Referências

Cesca, Olivo. Heroi de Duas Espadas. 3ª edição. Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, São Paulo/SP, 1978.

Hannappel, Paulo M. José Engling, Nosso Irmão Maior. 1ª edição. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS, 2010.