Onde está meu tesouro?

31 de julho de 2016

O homem novo é livre de toda escravidão interior.

bau tesouro coraçaoPe. Nicolás Schwizer – Jesus fala aos seus sobre o uso dos bens terrenos. Propõe-lhes acumular bens espirituais e eternos, em lugar de coisas materiais e perecíveis: “Acumulem um tesouro inesgotável no céu, onde não chegam os ladrões, nem a traça rói. Porque onde está vosso tesouro, ali estará também vosso coração”.

Já sabemos que não é o dinheiro ou riqueza como tal que Jesus condena, mas o abuso desses. Sempre existe o grande perigo de que o homem não seja o dono de seus bens, mas que se converta em escravo deles. E o verdadeiro cristão, o homem novo, deve ser um homem livre: livre de toda escravidão interior, de toda atadura que prende aos bens e riquezas terrenos.

A cobiça é uma das muitas formas de egoísmo, o que está metido dentro de nós mesmos e contra o qual temos de lutar durante toda nossa vida.

Deus não nos exige renunciar ao dinheiro e aos bens materiais, o que nos pede é que nos coloquemos a serviço dos demais. “Faça caridade e acumulará um tesouro nos céus”. Quem tem bens materiais deve saber que a verdadeira riqueza não é a que possui, mas a que dá aos seus irmãos necessitados. O homem será sempre mais feliz dando que recebendo, e dando de sua riqueza experimentará a generosidade de Deus.

A riqueza leva consigo um perigo ainda maior que a escravidão interior: não aproximar o homem de Deus, o afastar d’Ele. O rico acredita que pode prescindir de Deus; coloca toda sua confiança em seus bens; corta suas relações com a Divina Providencia; crê que suas riquezas lhe permitem deixar de lado a Deus; espera seguir adiante sozinho, por seus próprios meios, sem ter que recorrer a Deus.

Por outro lado, o pobre, por assim dizer, aquele homem que busca ter um tesouro no céu, percebe que depende totalmente de Deus. Tem uma consciência clara de sua limitação humana.

No fundo, cada homem, ainda sem saber, é um pobre. E a pobreza material é um sinal visível de uma pobreza muito mais profunda e universal: a pobreza moral, a fé miserável, o amor raquítico. Todos somos pobres frente a Deus, com nossa culpa, nossa miséria, nossas deficiências.

O rico se afasta de Deus e se afasta também dos irmãos. Ao contrário, o pobre é fraternal: abre-se aos demais como se abre a Deus, compartilha com eles suas coisas; ele sabe bem que os bens são bens de família, a serviço de todos os membros. O pobre não é uma pessoa que não tem nada, mas sim uma pessoa que entrega tudo o que tem. Percebe que é melhor dar que receber.

Mas nem todos se reconhecem diante de Deus. Apenas aquele que conhece e reconhece sua debilidade e pequenez ante o Pai coloca toda sua confiança nele. Espera tudo dele, busca sua proteção poderosa; nessa atitude se despe de si mesmo e se entrega filialmente; e porque está aberto e disponível para Deus, há lugar para a atuação divina.

“Onde está vosso tesouro, ali estará também vosso coração”. Onde está meu tesouro? Busco os bens deste mundo ou busco as riquezas de Deus? Dedico meu tempo aos interesses terrenos ou aos interesses de Deus? Qual é o sentido, a verdadeira meta de minha vida?

Pe. José Kentenich, Fundador do Movimento de Schoenstatt, costumava dizer: “O sentido de minha vida de cristão é buscar a Deus, voltar para Deus, caminhar rumo ao Pai”.

Perguntas para a reflexão

1. Onde está meu tesouro?
2. Tenho no armário roupas que não uso há anos?
3. Ajudo a instituições de caridade?

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