O vínculo ao Fundador – parte 4

14 de novembro de 2015

Em que período esse vínculo é importante?

ir.elizabet

Nesta penúltima parte da entrevista, Ir. M. Elizabet Parodi fala sobre a vinculação e carisma do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, em todas as gerações:

Quando você fala que é necessário refletir sobre a palavra do Fundador, na realidade da qual ele falou, e quando diz que é preciso penetrar no espírito dele, em outras palavras está dizendo que é necessário um vínculo com o Fundador. Qual o meio para se ter um vínculo pessoal ao Fundador? O Pe. Kentenich já faleceu há tantos anos, como uma pessoa pode ter um vínculo pessoal com alguém que já não está presente no momento fisicamente?

Com a palavra ‘vínculo’, estamos nos referindo a uma relação pessoal com alguém que nos interpela como um todo. Isso é importante, justamente como marco de uma missão, marco de um carisma, o marco de minha vocação para Schoenstatt. Segundo o grau de compromisso e de entrega que minha vocação supõe, é também correspondente o grau de vínculos. Agora, como se cultiva a vinculação? Em primeiro lugar, a vinculação ao Fundador é uma graça, uma graça que está unida a minha vocação.

Há uma linha intelectual, do conhecimento. Mas, na verdade, para poder compreender o espírito de uma pessoa, poder levá-lo pars as novas circunstâncias, o fundamental não é só o intelectual, mas, em definitivo, é amá-lo. É algo que vai além de um compromisso de minha pessoa com seu carisma. Isso é o que define justamente a vocação, neste caso a vocação para Schoenstatt.

Para a pergunta se é possível um vínculo depois da morte ou não, eu responderia também que depende da vocação. Se eu tenho vocação para Schoenstatt, se sei que Deus me chama para ser portador desse carisma, posso dizer, ao mesmo tempo, que Deus preparou minha alma, preparou minha missão pessoal, minha identidade, para que eu possa chegar a me integrar, para que eu possa chegar a dizer: ‘isso é meu’. Porque, senão não é possível a fecundidade. Então, nesse sentido, se pode dizer: Deus me preparou para esse carisma, eu participo nesse carisma pelo Fundador. Se poderia dizer que, então, há um “parentesco espiritual” com ele. É o nosso sangue espiritual, uma sintonia interior que parte justamente do fundamento de que ele e eu temos, em definitivo, a mesma missão. Cada um com seus dons, mas, participamos e nos entregando pelo mesmo (carisma). Isso que disse até agora vale para cada fundador ou fundadora, para cada vocação nascida de um carisma pessoal que há dentro da Igreja.

No caso de Schoenstatt, isso é ainda mais marcante. Pois, uma parte essencial de nossa missão é viver os vínculos. Os vínculos não são, em primeiro lugar ou somente, um contato exterior ou uma colaboração. Mas, se trata de saber que um é para o outro um complemento e um caminho para Deus. Isso é parte da nossa missão. É o que chamamos de organismo de vinculações, Aliança de Amor ou espírito de Família, é o Schoenstatt que queremos viver, onde se supõe que cada um tem sua originalidade.

Tem que haver uma capacidade de universalizar os vínculos entre si e com o primeiro receptor do carisma, que nesse caso é o Fundador, ou seja, o Pe. Kentenich. A tudo isso, os movimentos eclesiais – que são uma realidade predominantemente do século passado e tiveram seu auge a partir do Concílio Vaticano II  – talvez, justamente em base da experiência que nos presenteia a história da Igreja, tenham uma vinculação ao Fundador muito mais marcante, ou seja, é justamente uma característica.

O que me ocorreu é que um canônico já falecido, bastante conhecido, via justamente essa característica que se pode observar nos movimentos. Isso não como uma forma de marginalizar-se, de querer “ser exclusivo”, ou de dizer “Eu sou diferente dos demais”. Mas, como um modo de aprofundar o próprio, também a raiz, como já disse, da experiência na história da Igreja, onde a comunidade muitas vezes não teve muito presente qual era o carisma do fundador. Agora, sempre há o perigo do exclusivismo, de querer ser exclusivo, de parcializar-se, não é esse o sentido, mas o contrário.

Há duas correntes de pensamento em relação ao período pós-fundação de Schoenstatt. Uma corrente diz que o vínculo dessa geração atual – do centenário da Aliança – ao Fundador é muito importante, porque é ela que transmitirá o Fundador para a geração seguinte. Porém, há outra corrente também, que assegura que a geração seguinte ao Fundador não deve se preocupar tanto com o vínculo a ele, mas muito mais em atualizar o seu carisma. Qual sua opinião sobre isso?

Penso que é preciso esclarecer que se trata de uma declaração do ponto de vista teológico, da Teologia dos Fundadores. A cada 25 anos, aproximadamente, uma nova geração surge. Nós já vamos chegar aos 50 anos desde a morte do Pe. Kentenich. Então, já são duas gerações, desde que ele faleceu. A geração que está hoje ativa, em Schoenstatt, praticamente já não o conheceu. Há uma coisa que é fundamental: cada geração, com base na proximidade que tem dele, tem algo diferente. Mas, o vínculo ao Fundador recorre a todas as gerações. Porque o vínculo ao Fundador, por assim dizer, é parte de minha vocação para Schoenstatt. É uma parte fundamental de minha vocação à Schoenstatt, no sentido de que é um caminho que me permite conhecer e viver o espírito que tenho que transmitir e que levar. Nesse sentido, independente da geração, porque em cada geração os desafios são diferentes – o desafio da primeira geração fundadora, é assegurar melhor aquilo que é vivido, e das gerações que seguem é algo mais projetado ao futuro – se dão os mesmos elementos.

Veja também a parte 1 , parte 2 e parte 3

Em breve acompanhe a continuação da entrevista