O vínculo ao Fundador – parte 3

11 de novembro de 2015

É preciso penetrar na alma e no carisma do Fundador.

ir-elisabet

Ir. M. Elisabet Parodi: “Para poder compreender o espírito de uma pessoa, o fundamental é amá-la”

Acompanhe a terceira parte da entrevista com a Ir. M. Elizabet Parodi, sobre a vinculação e carisma do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich. O tema é a palavra do Fundador:

Em Schoenstatt costuma-se usar muito as palavras do Fundador. Vemos muitas vezes citações de suas palavras e, às vezes, dizemos: “parece que ele disse isso ontem ou hoje”. De fato, é importante sempre repetir de novo as palavras do Fundador?

Em primeiro lugar, creio que se partimos de “repetir palavras”, estamos em uma base equivocada, porque não se trata de repetir, e sim de viver, isso é o fundamental em Schoenstatt e em outros movimentos. Em Schoenstatt há um marco em nossa missão, nesse sentido, que é a pedagogia dos vínculos e a Aliança de Amor. É preciso penetrar no espírito do Fundador e um dos meios privilegiados – não é o único – é por meio da palavra. Ou seja, se eu não conheço o que ele disse, o que ele pensou, o que ele escreveu, dificilmente posso penetrar em seu espírito. Se eu considero que a comunidade é dele, então é normal que eu estude, que fale e converse sobre a palavra do Fundador. Agora, pedagogicamente em outro âmbito, não é necessário repetir o que diz o Pe. Kentenich, desde que eu, como portador desse carisma, o conheça. Não tem tanto que ver com repetir, mas com conhecer e amar, isso é fundamental. Para nós, a palavra do Fundador, assim como para cada pessoa que participa de um carisma, é uma palavra a se conhecer e se aprofundar, a penetrar cada vez mais.

Como interpretar a palavra do Fundador, aplicando às situações atuais, sem descontextualizá-la da realidade na qual ele a pronunciou?

Com isso entramos em um tema complexo, que inclui olhar para a Sagrada Escritura. O processo de descontextualizar é sempre posterior ao processo de contextualizar, ou seja, o texto no contexto. Para eu poder entender, tanto a Sagrada Escritura como qualquer escrito, tenho que conhecer o contexto no qual foi dito. Por exemplo, se quero ler A Divina Comédia, tenho que conhecer o contexto histórico e religioso no qual Dante viveu, também entender que há palavras que ele utilizou e que hoje em dia não se usa mais. Por isso, é importante conhecer o contexto para compreender o espírito. Depois, como segundo ponto, é preciso contextualizá-lo, dizendo qual é o núcleo. Por fim, esse núcleo eu o transmito e o enxerto na realidade de hoje. Ou seja, trato de dar uma resposta e comparar o contexto atual com o núcleo daquilo que disse o fundador. Então, analisar o texto e o contexto é a base para depois poder, justamente, aplicar esse texto, aplicar esse espírito ao novo contexto.

Veja também a parte 1 e parte 2

Em breve acompanhe a continuação da entrevista