O vínculo ao Fundador – parte 2

9 de novembro de 2015

ir.elizabet

Nesta segunda etapa de entrevista, Ir.M. Elisabet Parodi, cujo doutorado é sobre os Fundadores, fala sobre a atualização do pensar do Fundador por meio de seus seguidores:

Se os seguidores devem desenvolver criadoramente o pensar do Fundador em circunstâncias que ele não viveu, não se corre o risco de desenvolvê-lo de acordo com próprio ponto de vista e não sobre o ponto de vista do Fundador?

Hoje temos perguntas concretas que o Pe. Kentenich não responde diretamente, porque não pode responder, porque não vive nesta época atual. Por exemplo, Schoenstatt na Ásia. Pe. Kentenich não podia responder essa pergunta, ele não viveu esse contexto. Agora, é possível ou não é possível levar o carisma à Índia, por exemplo? Claro que é possível. Aí se trata justamente de tomar o espírito do Fundador, e eu, que vivo neste contexto, neste lugar, devo levá-lo ali. Esse é um desafio fascinante, por assim dizer, que Deus põe em nossas mãos. Todo fundador depende de seus filhos espirituais. Ele, por assim dizer, tem as mãos atadas, porque somos nós que os fazemos presentes, que levamos seu carisma partindo da convicção de que esse carisma não é uma questão pessoal apenas, mas é um presente de Deus para a Igreja, um presente do qual eu participo e essa é minha vocação. O fundador necessita de mim – eu sou seus braços, suas mãos, sua voz hoje – não para levá-lo adiante, mas para levar o presente que Deus oferece ao mundo por meio dele.

Quando alguém se empenha para penetrar no espírito do Fundador, na sua forma de ser, isso não pode ter como consequência um saudosismo, um tradicionalismo, sem encarar a realidade como de fato ela é?

Bom, essa crítica tem algo de justificável. É um perigo que realmente existe. Sempre há um desafio em viver e se aproximar cada vez mais do espírito do Fundador, com isso, não ficar parado no passado, mas, projetar-se ao futuro. É preciso justamente uma nova fecundidade, tanto da pessoa que se vincula com ele, como também do movimento, da associação que tem que responder aos desafios do presente. Por isso, se fala de um vínculo com o Fundador, que não se trata de repetir cegamente o que ele disse, mas assimilá-lo e conhecê-lo, conhecer sua riqueza, para dar forma ao futuro.

Você me faz uma pergunta muito linda que tem a ver com a verdadeira fidelidade. A fidelidade, uma palavra às vezes tão desgastada, que se toma no sentido de “ser fiel fazendo sempre o mesmo”. Não (isso não é fidelidade). Ser fiel é manter vivo o espírito na realidade de hoje. Esse é o porquê do título da minha tese. Segundo a Carta aos Gálatas, a fidelidade é fruto do Espírito Santo. Por quê? Porque o Espírito Santo faz com que o amor esteja sempre vivo. É esse sentido de verdadeira fidelidade. É sempre uma fidelidade que olha para o futuro, que, poderíamos dizer, é dinâmica, criadora. Agora, justamente entre o perigo de ficar estaticamente só no passado e o perigo de olhar só para o futuro, e no fundo eu “inventar” um movimento, um carisma, uma espiritualidade, está o ponto médio: eu me arraigo no espírito do fundador e, desse espírito e nas circunstâncias nas quais Deus hoje me coloca, trato de representar, de viver, de dar uma resposta a atualidade por meio desse carisma.

Veja também a parte 1

Em breve acompanhe a continuação da entrevista