O vínculo ao Fundador – parte 1

5 de novembro de 2015

“O carisma é uma graça que nos é transmitida em forma de missão”.

ir-elisabet

Ir. M. Elizabet Parodi estudou a relação e o vínculo das comunidades religiosas aos seus fundadores

A vinculação ao Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, é algo essencial na espiritualidade de Schoenstatt, pois reflete um dos fundamentos de sua pedagogia, o organismo de vinculações. O tema instigante fez com que Ir. M. Elizabet Parodi, do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, pesquisasse justamente a relação entre a figura dos fundadores e a fidelidade de sua organização ao carisma fundacional, em que medida ambos se relacionam.

Ir. M. Elizabet é argentina e fez o doutorado em Teologia na Alemanha, na Faculdade de Teologia dos Padres Pallottinos, em Vallendar. A tese intitulada “O vínculo com o Fundador – Por quê? Para que?”, da disciplina de História da Igreja, analisa as diversas comunidades, congregações e associações religiosas e sua relação pessoal com os fundadores.

Atualmente Ir. M. Elizabet trabalha em Roma, na Congregação pela Causa dos Santos: “O trabalho neste dicastério é especificamente analisar e preparar um relatório para ratificar o Santo Padre sobre a santidade do candidato, do Servo de Deus que se apresenta, ou sobre o mártir, onde se analisa a morte por amor à fé, também os milagres que realiza um beato ou um santo”, explica. Ela trabalha justamente na secretaria onde correm os processos de beatificação do Diác. João Luiz Pozzobon, da Ir. M. Emílie Engel, de José Engling e outros herois schoenstattianos.

Ir. M. Elizabet Parodi compartilha um pouco de sua análise sobre a vinculação ao fundador, revelando uma visão teológica de algo que os schoenstattianos reconhecem em sua própria vida. Acompanhe a primeira parte desta entrevista:

Nós estamos iniciando o segundo século da nossa história de Schoenstatt e os tempos e as circunstâncias mudaram muito desde 1914; faz sentido, ainda hoje, o vínculo ao nosso Fundador? Por quê?

Sim, faz sentido. Justamente porque as circunstâncias mudaram – e esse não é o único porquê. Ele é circunstancial, poderia se falar também de um porquê fundamental. Basicamente, porque quando Deus presenteia um carisma como um dom para a Igreja, como o carisma de Schoenstatt, o presenteia por meio de uma pessoa concreta, que é a pessoa do fundador. É assim que todos os que se sentem chamados a esse carisma, a participar desse Movimento, são partícipes do carisma do Fundador. Ou seja, para nós, sermos schoenstattianos é de alguma maneira continuar o carisma do Fundador. Esse é justamente o sentido para o qual Deus presenteia um carisma a um fundador, ele não presenteia apenas à sua pessoa, que está limitada ao tempo no qual vive. O carisma é um presente à Igreja que se faz vivo por meio de seus filhos.

Muitas comunidades levam o nome de seu fundador. Por exemplo, os Franciscanos – não se pode falar dos Franciscanos sem falar de Francisco. Quanto mais o tempo passa, novas perguntas surgem para os Franciscanos responderem. São perguntas que Francisco não conheceu. Por exemplo, o problema das drogas. Como eles fazem para responder a essa pergunta com esse carisma? Tem que se inserir na pessoa de Francisco, em seu espírito, para poder dar, com sua própria voz hoje, respostas aos problemas e continuar, por assim dizer, o carisma de Francisco.

Quanto mais distância há entre a vida e a morte do Fundador, mais importante é recorrer a seu espírito, penetrar seu espírito, para poder responder situações concretas. Isso não é algo específico de Schoenstatt. Isso nos ensina a história da Igreja e é algo próprio de cada comunidade religiosa, cada movimento eclesial. Quando uma comunidade se reúne para seus capítulos, seus congressos, está justamente voltando à fonte par iluminar o momento presente a partir do carisma recebido.

Quando uma pessoa assume o carisma de seu fundador, isso não significa que essa pessoa nega sua própria missão pessoal?

Eis uma linda pergunta! O carisma do fundador, por natureza, traz a amplitude necessária para que cada um, com sua própria missão, com sua própria identidade, enriqueça esse carisma. O carisma do fundador ou da fundadora é um bem, uma graça. É um modo de viver a relação com Deus, que foi própria dele, e que nos foi transmitida em forma de missão. Mas, eu contribuo com esse carisma, o atualizo, o vivo com minha própria identidade.

Obviamente que quando tratamos de penetrar no espírito do Fundador, há sempre o perigo de absorver-se. Sobretudo quando se trata de uma pessoa que busca esconder a sua insegurança ou sua debilidade. Isso é obviamente um perigo. Agora, não se trata justamente disso, mas de uma integração vital.

Se eu sinto que tenho vocação para esta Família, neste caso à Família de Schoenstatt, eu participo, com minha riqueza, com minha missão pessoal, com minha identidade, dentro do carisma do Fundador.

 

Em breve acompanhe a continuação da entrevista