O Sr. João Luiz Pozzobon era um homem bom

26 de junho de 2016

Uma amiga fala sobre o Pozzobon que conheceu

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Casa em que Pozzobon viveu com sua família

Ir. M. Nilza P. da Silva – A Sra. Annita Trevisan pertence à União Apostólica Feminina de Schoenstatt, da qual foi dirigente nacional, por muitos anos. Residente em Santa Maria/RS, não somente conheceu o Diácono Pozzobon, mas, muitas vezes o acompanhou em seu apostolado com a Mãe Peregrina. Deixemos que ela nos conte um pouco sobre esse servo de Deus:

1. Onde e quando a senhora conheceu o Diác. João Luiz Pozzobon?
Eu nasci na rua em que o Sr. João morava, Rua Osvaldo Cruz, em Santa Maria/RS. Ao ir para o Santuário, ele passava sempre na frente de minha casa. Quando ele começou a fazer seu apostolado com a Mãe Peregrina, regularmente, ele ia à minha casa, levando a imagem. Na segunda metade da década de 50, encontrava-me quase diariamente com ele. Eu já pertencia ao Movimento Apostólico de Schoenstatt. Eram os anos em que a Obra de Schoenstatt passava por situações muito difíceis (exílio do Fundador ) e o Sr. João tinha muitos problemas com seu apostolado levando a Mãe Peregrina. Então, à noite, muitas vezes, ele ia nos visitar e contava de suas dificuldades. Quando ele não podia ir à nossa casa, ele escrevia uma cartinha e me entregava, de manhã, quando íamos para a missa. Nessa época, muitas vezes vi o Sr. João chorando por causa das dificuldades. Mas, em cinco minutos ele já se dominava outra vez e estava sorrindo.

2. Alguma vez, o Diác. Pozzobon pensou em desistir da Campanha?
Não, isso não. Ele tinha um amor tão grande a Nossa Senhora de Schoenstatt, que não poderia ser diferente. Ele não tinha muita facilidade para comunicação, mas era um homem da verdade. Todos os que conversavam com ele percebiam isso. Com tantos contatos que tive com o Sr. João, com anos de conversas diárias, eu nunca ouvi de sua boca uma crítica negativa de alguém. Ele passou por tantos sofrimentos, mas nunca criticou. Quando ele contava sobre os grandes milagres que a Mãe de Deus intercedia, ele era tão feliz e atribuía os méritos, sempre à Ela.
Outra coisa que sempre me chamou a atenção é o seu respeito muito grande para com os sacerdotes. Mesmo quando os sacerdotes não aceitavam o seu trabalho, ele nos contava, sofria, mas dizia: ele pode ter suas razões. Nunca ouvi dele uma critica. Tinha também um grande amor ao seu bispo e um grande respeito com todas as pessoas.

3. Como o Diác. Pozzobon unia a espiritualidade de Schoenstatt com suas atividades na paróquia?
Ele fazia tudo de modo tão simples. Pregava as verdades da fé, os mandamentos de Deus e da Igreja, os sacramentos e unia tudo com a Aliança de Amor. Por isso, tudo o que ele falava sempre foi bem aceito, até mesmo pelos padres. Isso tudo venha do Espírito Santo. Tudo o que ele aprendia da espiritualidade de Schoenstatt era transmitido de forma compreensível tanto por médicos como por pessoas simples, mas tudo isso pelo poder da graça.

4. O que mais a impressionou na vida do Diác. Pozzobon?
A sua bondade. O Sr. João era um homem bom. Por isso ele quis, por exemplo, construir a Vila Nobre da Caridade. Por causa de sua vinculação a Maria ele sabia educar as famílias, a fim de que elas também pudessem adquirir a sua própria casa. Ele sabia tirar a pessoa do nada e torná-la uma pessoa com possibilidade de crescimento autônomo.
Outra coisa que me impressionou foi o seu grande amor à eucaristia. Algumas vezes acompanhei o Sr. João em suas orações e nas visitas, levando a eucaristia, às famílias. Ele sabia fazer isso com tanto respeito e dignidade. Não era uma oração demorada, mas, com muita sacralidade, muita nobreza.
Ele fazia de tudo para salvar uma alma impenitente. As vezes, passava horas rezando, fazia muitas penitências pela conversão das pessoas e, por isso, pôde alcançar transformações maravilhosas para elas.


5. A senhora acha importante que o Diác. Pozzobon seja canonizado?

Acho, porque Sr. João é um pai de família, com sete filhos. Filhos normais como todos os outros, que davam também muito trabalho, e o Sr. João soube acolher cada um. Uma filha dele, por causa da morte da mãe, não trabalhou fora. Mas, o Sr. João cuidou de pagar o INSS para essa filha, a fim de que um dia ela pudesse também se aposentar. Ele foi um esposo muito carinhoso para com D. Vitória, um comerciante que trabalhou com honestidade e retidão. Uma pessoa soube unir a sua vida de fé com sua dedicação à família.