“O mundo deve saber que eu amo o Pai” (Jo 14, 31)

4 de abril de 2015

A oração sacerdotal de Jesus é um dos mais belos hinos de seu amor filial ao Pai.
CRISTO R

Ir. M. Nilza P. da Silva – Antes de sua paixão, morte e ressurreição, Jesus se reúne com os apóstolos e profere o seu testamento, no qual dezenas de vezes ele os conduz ao Pai.

“Eu vou ao Pai” é a frase mais pronunciada em seu profundo discurso de despedida. Ele insiste que os apóstolos se alegrem com essa verdade, assim como ele se alegrava. Ele quer que sua alegria esteja em nós. Que alegria? A alegria de estarmos sempre, nele e com ele, unidos ao Pai.

Ele quer gravar no coração de seus prediletos que o Pai é o sentido final de nossa vida e para isso o Filho veio ao mundo, pois, como afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14, 6)

Por amor ao Pai, para que nele, no Filho, nos tornemos filhos do Pai e vivamos conforme essa verdade, Jesus sofre as mais terríveis dores e morre, esgotado de tanto sofrimento. “Com soberana liberdade aceita em silêncio a condenação à morte, como vontade do Pai… é tão abrigado no Pai que suporta sem cuidado despojarem-no das vestes, a cada golpe geme resignadamente porque o Pai do céu assim o quer.” (Cf Via Sacra – Rumo ao Céu)

E porque o Pai o quer? Para que não se perca nenhuma ovelhinha de seu rebanho, para que todos vivenciem que o Pai os ama. O Pai assim quis por causa de você, por causa de mim, por causa daquele que ainda vive em forma de embrião no ventre materno. Para sermos à imagem de seu Filho (Rom 8,29), pois, como afirma Paulo, “desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa.” (Gal 1, 16) Vejam que dignidade possui o embrião humano! Desde o momento da concepção é amado pessoalmente pelo Pai e nele se revela o Filho.

O Filho vive em nós. Na escola do Santuário de Schoenstatt a Mãe e Rainha sela conosco uma aliança de amor, a fim de nos ajudar a revelar o Filho que vive em nós por meio do batismo. Ela quer educar em nós o Filho amado, que ama heroicamente o Pai e vive conforme a sua vontade. Pe. Kentenich, que manifestou exemplarmente essa imagem de filho, nos ensina a rezar:

“Concede-me carregar alegremente a lasca de cruz que o Pai me envia pelas circunstâncias da vida… todo o meu ser e agir louvem filialmente ao Pai… em ti, quero orientar-me sempre no Pai… em sagrada união contigo, preso à mão da Mãe e ao seu olhar, voltar à casa do Pai!” (Cf Via Sacra – Rumo ao Céu)

Qual é a lasca de cruz que o Pai coloca sobre meus ombros? São as aflições e sofrimentos diários, quer seja por minha família, em minha comunidade, em meu trabalho, com os amigos, por minha fraca saúde, etc. Meditemos sobre o heroico amor de Jesus ao Pai. Peçamos à Mãe e Rainha de Schoenstatt que, na aliança de amor, nos ajude a amar o Pai com a mesma intensidade que Jesus amou.

“O mundo, deve saber que amo o Pai” insiste Jesus em sua despedida. santifiquemo-nos por esse mundo, “para que também eles sejam santificados pela verdade.” Pois só a verdade liberta, só a verdade traz vida. Santifiquemo-nos pelos que não são da verdade, para que saibam que são amados pelo Pai e por isso precisam sempre escolher, pois, a vida.

Quanto mais vivemos como filhos do Pai, tanto mais irmãos fraternos nos tornamos, tanto mais nos empenhamos na defesa de nossos irmãozinhos mais fragilizados, também os que estão ainda no ventre materno, e assim revelamos ao mundo o amor de Jesus ao Pai e seu sofrimento não terá sido inútil para as pessoas que compartilham conosco do mesmo privilégio, de sermos chamados a viver no Filho e nele amarmos o Pai.