O grupo dos doze

12 de julho de 2015

A missão compartilhada de Cristo busca mais e mais adeptos.

discipulos santa ceiaPe. Nicolás Schwizer – Como consegue Jesus, em apenas três anos, inaugurar toda uma revolução no mundo, uma transformação profunda do homem e dos povos?

Ele utiliza uma estratégia muito adequada: dedica-se a formar e preparar testemunhas, instrumentos, seus enviados, seus apóstolos.

Se prestarmos atenção nos Evangelhos, nos chama a atenção o fato de que Jesus, em sua vida pública, quase nunca aparece sozinho. Em todo momento o vemos rodeado pelos doze discípulos ou por alguns deles – são como sua sombra, sua permanente companhia. Tampouco a eles nunca os vemos sozinhos. Jesus pode aparecer sem a multidão, mas não sem esse grupo de amigos. Estão associados aos seus ensinamentos, às suas obras, à sua tarefa. São um prolongamento seu, sua extensão; não apenas amigos ocasionais, que amanhã poderiam afastar-se.

Um segundo aspecto é que se trata de um grupo fixo. Não são uns quantos amigos, que hoje estão uns e amanhã outros, os apóstolos formam uma unidade irrompível. São um conjunto, um colégio com um número bem definido: doze. Com esse nome, “os doze”, se lhes designa quase sempre o evangelho. Outras vezes se lhes chamará os doze discípulos ou apóstolos. A lista do grupo se repete várias vezes no evangelho e, às vezes, muda um pouco a ordem em que são citados, mas nunca são introduzidos novos nomes, nem falta nenhum desses doze eleitos.

Os próprios apóstolos consideram, depois da morte de Jesus, importante esse número. Eles elegem Matias para suprir a falta de Judas.

Mas o dado mais chamativo é que esses doze foram eleitos para algo bem concreto. Jesus não se limita a dar-lhes um ensinamento, como faz com a multidão. Não lhes expõe uma série de verdades que eles podem aceitar ou não. O que Jesus lhes oferece é uma missão, que lhes compromete totalmente – nela está sua condição de escolhidos. E não se trata de uma missão qualquer. Não têm que fazer uma parte da tarefa de Cristo – não são seus ajudantes. Têm a mesma missão de Jesus: “Como me enviou meu Pai, assim eu os envio”. E eles não serão simples “cronistas”, não terão apenas que contar o que Cristo fez. Deverão continuar essa missão, fazê-la sua, prolongá-la. “Ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Trata-se de uma missão salvadora: uma missão para a qual nenhum homem está capacitado, se não recebe seu poder especial do “alto”, porque é a mesma missão de Cristo. Por isso, Jesus lhes entrega o Espírito Santo, porque só com essa força sobrenatural e sobre humana poderão realizá-la.

Assim, fica claro que a missão de seguir Jesus é uma missão permanente. Serão as testemunhas e os representantes autênticos de Cristo. Serão mais que simples portadores de sua mensagem, autênticos atores da obra de Deus.

E para poder realizar essa tarefa sobre humana, receberão também poderes sobre humanos: Jesus lhes dá poder de perdoar pecados; entrega-lhes as chaves do Reino. Ele lhes dá também “a autoridade para expulsar espíritos imundos e curar toda enfermidade e doença”. E tudo isso não é uma missão que possam realizar individualmente, se não unicamente todos juntos. Por isso devem “ser um” (Jo 17, 20), porque apenas trabalhando juntos é que farão o mundo crer.

A partir de seus apóstolos, seus seguidores de todas as nações, Jesus constituirá um povo novo, unido entorno d’Ele. É a “pequena grei” a qual seu Pai dará o Reino. Devido à extraordinária entrega e fidelidade dos apóstolos e por graça e amor de Deus, todos nós formamos parte dessa grei do Senhor, dessa Igreja que Ele fundou.

Peçamos a Jesus que nos dê esse espírito apostólico dos primeiros, para que também nós possamos ser instrumentos aptos para a conquista do Reino de Deus.

Perguntas para a reflexão

1. Sinto-me um enviado?
2. Comporto-me como uma continuação de Jesus?
3. Sinto que tenho uma missão divina?

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