No dia 8 de julho de 2010, assim como em
Schoenstatt, Limburg e tantos outros lugares e Santuários do mundo,
a Família de Schoenstatt do Jaraguá se reuniu à sombra
do Santuário Sião para celebrar os 100 anos da ordenação
sacerdotal de seu Fundador, o Pe. José Kentenich. Como o próprio
Fundador disse: "cada nova geração tem a missão
e tarefa de refundar Schoenstatt".
Antes do início da celebração
da Santa Missa, a Liga dos Casais preparou um vídeo com imagens
da vida do Pe. Kentenich que foi transmitido em um datashow. O sacerdote
que presidiu a missa foi o Pe. Vandemir Meister, Superior dos Padres
de Schoenstatt no Brasil, concelebrada pelos Padres Deonilson Nogueira,
Reitor do Santuário, e Ottomar Schneider, que atualmente trabalha
no sul do Brasil e que teve a honra de conhecer o Pe. Kentenich pessoalmente
no tempo que ainda era estudante dos padres na Alemanha.
Quem foi o Pe. Kentenich?
Na sua homilia, o Pe. Vandemir começou com uma pergunta reflexiva
a todos os presentes: O que representa a figura do Pe. Kentenich para
cada um de vocês? Depois também citou São Francisco
de Assis e disse que Deus escolhe cada santo, para cada época...
Desde menino, o pequeno José Kentenich
sempre sonhou com o tema do sacerdócio e com o dia em que seria
ordenado sacerdote e que cultivou isso em seu coração.
Em 1955, o Pe. Kentenich fez uma retrospectiva e recordou que desde
a sua infância, Deus o conduziu aos caminhos da vocação
sacerdotal e que a pequena consagração que sua mãe
realizou à Virgem Maria, quando ele ainda tinha 9 anos, não
foi uma "coisinha que aconteceu", ali já estava a semente
do que viria a ser a grandiosidade de Schoenstatt e que a Mãe
de Deus o havia escolhido para algo grandioso.
A Mãe de Deus foi moldando o jovem
José Kentenich no decorrer de sua vida e nos momentos difíceis
é quando ele mais sentia a presença de Maria ao seu lado.
Eram tempos em que por ser filho de mãe solteira, ele sofria
por preconceito mesmo dentro de algumas instituições católicas.
Os Pallotinos o receberam sem descriminação e deram a
José Kentenich a oportunidade de realizar o seu sonho.
Uma vida dedicada aos sacerdotes
e as vocações
O jovem Kentenich foi ordenado na cidade de Limburg, nas margens do
rio Lahn na Alemanha, junto com mais 7 seminaristas na Casa dos Pallotinos
no dia 8 de julho de 1910. Para o Pe. Kentenich, ser sacerdote não
era somente uma escolha, mas também uma graça de Deus
e por isso ele admirava cada sacerdote pelo mistério desta vocação.
Por isso, ele sempre dedicou uma atenção especial aos
sacerdotes.
Logo após sua ordenação,
o trabalho do Pe. Kentenich foi voltado aos seminaristas, primeiro como
professor, depois diretor espiritual e após a fundação
de Schoenstatt, ele começou a dar retiros para sacerdotes de
toda a Alemanha. A forma como pregava seus retiros chamou a atenção
de centenas de padres que começaram a procurar o Pe. Kentenich
e a buscá-lo no pequeno vale de Schoenstatt.
No ano de 1932, ele pregou retiros a
2.180 sacerdotes e entre as décadas de 20 e 30 para cerca de
1 terço do clero alemão. Ele passou a ter bastante influência
no clero germânico e nos tempos da Segunda Guerra Mundial, foi
declarado um dos principais inimigos do Regime Nazista, por justamente
ser contrário ao Partido. No final de um desses retiros, ele
também atendeu confissões e um dos padres lhe perguntou:
"o senhor não está cansado de além do retiro,
ter que atender os padres que querem se confessar contigo?" Porém
o Pe. Kentenich respondeu: "não, e mesmo que eu me canse,
para mim é uma honra que um sacerdote venha se confessar comigo
e que eu possa dar a ele o dom da graça de Deus que é
o perdão de seus pecados e escutá-lo, por isso, sempre
estou pronto para atendê-los".
Através do batismo, todos
somos sacerdotes
Uma outra característica do Pe. Kentenich citada pelo Pe. Vandemir
durante a homilia foi que o Fundador de Schoenstatt, era um homem que
sabia interpretar o tempo, ou seja, um profeta que interpretava os sinais
de Deus através do tempo: "Deus se manifesta no tempo e
nos acontecimentos reais das coisas. O tempo vem mudando a passos agigantados
em todas as áreas e conseqüentemente isso está trazendo
muitas transformações ao mundo e que com isso, algumas
carências também estão crescendo: o pensar em si
próprio, o egoísmo, a satisfação do prazer
e das coisas materiais, a economia que passa a mover os valores humanos
e a falta de fé.
O Pe. Kentenich já previa que
o homem estava mudando e que as estruturas sociais também seriam
abaladas. Em resposta a essas mudanças, Schoenstatt é
a ferramenta para transformar o homem no "Homem Novo" e o
mundo à sua volta. Schoenstatt não é somente para
a santificação de nós mesmos, mas deve transformar
o tempo atual através da Aliança de Amor, pois somos os
herdeiros da missão, somos a geração que novamente
precisa refundar Schoenstatt, seja na escola, no trabalho, na vida política
e no dia-a-dia.
Temos que dar uma resposta ao nosso tempo,
vivermos inseridos no mundo e sermos Igreja e que essa Igreja transforme
o mundo. O sacerdócio do Pe. Kentenich é também
o nosso sacerdócio diário. Através do batismo,
cada pessoa também tem um pouquinho desta vocação
e por isso devemos nos santificar e transformar o mundo à nossa
volta. Tudo o que aconteceu na vida do Pe. Kentenich tem o toque maternal
de Maria e das pessoas que Deus colocou em seu caminho para juntos com
ele, fundarem o Movimento de Schoenstatt".
Sim Pai, vou contigo
No final da celebração o Pe. Vandemir mostrou um molde
de bronze que tem estampado a mão do Pe. Kentenich e que normalmente
sempre está presente nas casas filiais dos Padres de Schoenstatt
no mundo todo. Ele disse que, assim como as pessoas quando entram em
uma capela ou igreja, fazem o sinal da cruz tocando na água benta,
os Padres de Schoenstatt entram em suas capelas e casas filiais e tocam
esse molde, como se assim estivessem tocando a mão do Fundador.
Por isso, após dar a benção com a "mão
do Pe. Kentenich", ele pediu para que cada peregrino se aproximasse
ao altar para assim também tocar na mão do Pai Fundador.
O Pe. Vandemir recordou um dos fiéis companheiros do Pe. Kentenich,
Pe. Alexandre Menningen que sempre acompanhou ao Pe. Kentenich, nos
momentos bons e ruins, sempre dando o seu "sim Pai, vou contigo".
Por isso, cada peregrino que se aproximava da "mão do Pe.
Kentenich", escutava a pergunta: "Vens comigo?" e dava
a resposta: "Sim Pai, vou contigo".
Fonte: http://cmsms.schoenstatt.de/pt