Muitos o conheceram e o recordam com
gratidão como seu confessor. Um casal o chamou espontaneamente
“nosso confessor sorridente” quando souberam do seu falecimento.
O Padre Johannes Andreas Weikamp morreu no domingo, 27 de Junho deste
ano, e seu velório foi no sábado, 3 de Julho, às
10h30 na Igreja de Peregrinos em Schoenstatt, onde ele passou seus últimos
anos como confessor, intermediando o amor e a misericórdia de
Deus a uma grande quantidade de pessoas.
Padre Weikamp falava muitas vezes de
sua vida aos seus irmãos. Alegremente utilizava as datas especiais
para comemorar com sua comunidade. Não era uma manifestação
de vaidade, mas sim a alegria ingênua de uma vida feliz, cercada
pelo amor ao povo e, finalmente, a benevolência da Divina Providência.
A gratidão expressa em seu permanente e maravilhoso sorriso.
Uma infância protegida
Sua vida pode ser definida em quatro períodos marcantes. Filho
de Bernhard e Josefine Weikamp, nasceu em Bocholt no dia 29 de novembro
de 1926 e foi batizado no dia seguinte, na Igreja Paroquial de Nossa
Senhora. A sua família participou muitas vezes do sacramento
do batismo. Antes dele, sua mãe trouxe dez filhos ao mundo, embora
apenas três deles sobreviveram à infância dos dias
da Primeira Guerra Mundial e do tempo que seguiu. Junto a sua irmã
Maria, dois anos mais velha, e seu irmão Willi, dez anos mais
velho, cresceu como uma criança cercada de amor. Nunca faltou
o amor, nem sequer durante a II Guerra Mundial, período em que
terminou seus estudos e se matriculou, em 1945, no Ginásio de
Bocholt. Mesmo visto de outra forma, este tempo serviu de base sólida
para seu trabalho posterior. Não foi chamado ao serviço
militar antes do fim da II Guerra Mundial.
Vocação
Em 1945, quando tinha que tomar uma decisão sobre seu futuro,
o Padre Heinrich Struth, sacerdote de Schoenstatt, lhe falou sobre Schoenstatt
e os Padres Pallotinos. Após uma viagem cheia de aventuras a
Schoenstatt, reuniu-se com o Padre Alex Menninger. Décadas mais
tarde, o Padre Weikamp ria alegremente da forma como Padre Menninger
usou a informação errada: ele pensou que Johannes queria
entrar para o noviciado Pallotino. Embora a idéia não
tenha passado pela sua cabeça, Johannes a seguiu, e assim começou
o segundo período de sua vida (1947-1948) no Noviciado Pallotino
de Olpe.
Seguiu seus estudos no Colégio
Pallotino de Schoenstatt, onde Johannes assimilou as matérias,
mas, sobretudo, a espiritualidade mariana de Schoenstatt. Conscientemente,
tomou como um dom da Providência de Deus, o fato de ter sido enviado
a um lugar de graças de Maria. Com um grande senso de humor,
gostava de contar sobre um encontro com Padre Kentenich, que lhe perguntou
sobre o andamento de seus estudos. Quando Johannes respondeu que em
breve seria ordenado padre, o Padre Kentenich se surpreendeu com sua
juventude e brincou com ele sobre isso.
Padre Weikamp resumiu a experiência
de sua vida com uma observação profunda: "Eu sempre
fui jovem e minha vida foi conduzida com um objetivo, eu só tive
que dizer ‘sim', como a Santíssima Virgem na Anunciação."
Ao longo da sua vida se manteve muito grato e unido à comunidade
Pallotina, a quem devia seus estudos. Mesmo durante seus últimos
anos de vida e afetado por problemas de saúde, não deixou
de viajar de Schoenstatt a Limburgo para assistir ao funeral de um irmão
de comunidade.
África do Sul
O Padre Johannes foi ordenado sacerdote, em 27 de Julho de 1952, pelo
Bispo Bernhard Stein, de Treves. Em maio de 1953, viajou para as missões
na África do Sul. Foi fácil para ele aprender inglês
e seu dialeto de origem (ele veio da Renânia do Norte) o ajudou
a dominar rapidamente o africano. Com esta preparação,
passou a primeira época de seu fecundo sacerdócio, de
1955 a 1970, em Hot Spring. Até sua morte, aproveitou cada oportunidade
para comparar suas experiências recentes com estes quinze anos
e tirar suas próprias conclusões. Seu interesse se centrou
em dois grupos muito distintos: como um missionário clássico,
trabalhando junto com os irmãos pallotinos, e como sacerdote
entregue aos problemas de seu povo - também se ocupou com problemas
matrimoniais - amou aos africanos e aos negros com carinho e sinceridade.
Junto a Irmã Laetitia, Irmã
de Maria de Schoenstatt, sua dedicação e carinho o conduziu
a uma comunidade de Irmãs fundadas pelo Bispo Bruno Hippel SAC,
que queria assimilar-las as Irmãs de Maria. Em 1965, quando se
fundou a Comunidade dos Padres de Schoenstatt, soube imediatamente que
era sua vocação. No entanto, em uma conversa com o Padre
Kentenich em Schoenstatt, prometeu manter-se com as Irmãs da
África do Sul, até que o padre solucionasse o problema,
visitando a África do Sul novamente. No entanto, o sucessor do
Bispo Manfred Gottschalk SAC, Monsenhor Skin, terminou inesperadamente
com a experiência das Irmãs no local. Juntamente com a
morte do Padre Kentenich, em 1968, marcou uma mudança brusca
na vida do Padre Weikamp. Considerado concluído seu trabalho
na África do Sul (duas das irmãs da comunidade local tinham
entrado no Instituto das Irmãs de Maria) ele voltou para Schoenstatt,
e se uniu a nova comunidade dos Padres de Schoenstatt.
Confessor em Schoenstatt
A quarta e mais longa época da vida do Padre Weikamp foi vivida
em Schoenstatt, trabalhando ali com os Padres de Schoenstatt. Por mais
de 30 anos, se dedicou quase exclusivamente aos peregrinos exercendo
a pastoral da confissão. Por anos, se podia ve-lo por Schoenstatt,
em sua bicicleta, sorrindo e saudando a todos em seu caminho ao confessionário,
desde o Santuário Original, que visitava todos os dias. Só
quando tinha oitenta anos de idade e suas forças começaram
a falhar, teve que parar seu trabalho de aconselhamento e perdão
em nome do nosso Senhor. O resto de sua vida terrena foi dedicado ao
apostolado da correspondência, recebendo todos os pedidos a Nossa
Senhora, no Santuário Sião.
Em seus últimos dias de vida,
teve que enfrentar deficiências físicas e em parte também
uma diminuição das faculdades mentais. Ele ficou surpreso
e não conseguia entender porque não podia fazer bem muitas
coisas. Pouco a pouco, ele entendeu que não havia como algum
m édico ajudá-lo. Foi enfraquecendo e em dezembro, foi
necessário mudar para uma casa de repouso. Graças a Deus,
foi possível encontrar um lugar para ele em Schoenstatt, tornando
menos difícil para ele aceitar a transferência. Nossos
sinceros agradecimentos a cada uma das pessoas que o ajudaram, nesta
última parte de sua jornada.
No sábado, 26 de junho, foi necessário
chamar os serviços de emergência, pois estava com dificuldades
respiratórias e teve que ser transferido a Unidade de Terapia
Intensiva, do Hospital Militar de Coblença. Ali foi diagnosticada
uma paralisia intestinal, provavelmente provocada pelo mal de Parkinson.
Foi realizada uma cirurgia de emergência, mas estava muito debilitado
e ele faleceu na mesa de cirurgia.
Que o Pai Celestial receba com um sorriso
o Padre Johannes Weikamp e lhe permita compartilhar, com sua alegria
de filho, celebrar as glórias do céu!
Tradução: Priscila Bernardo,
São Paulo - Brasil
Fonte: http://cmsms.schoenstatt.de/pt