Regras do diálogo conjugal - I

Padre Nicolás Schwizer

 
 

Para que o diálogo seja enriquecedor e fecundo, devemos cumprir determinados requisitos. Cada casal, ao possuir uma identidade própria, terá que encontrar sua maneira particular. Há, entretanto, determinadas regras básicas.

Quais são estas regras do diálogo conjugal? Podem ser resumidas assim: o diálogo conjugal, para que seja eficaz e criativo, deve ser: humilde, paciente, simpático.

1. Humilde. A primeira qualidade do diálogo é a humildade. Não se deve dirigir ao outro envaidecido por sua própria perfeição, seguro do definitivo de suas razões. Não existe o cônjuge ideal, tampouco alguém é dono de toda a verdade. Semelhante atitude impossibilita o diálogo desde o começo.

O perigo frequente de todo diálogo conjugal é que torne-se uma acusação: tortura-se, ataca-se, acusa-se reciprocamente, e sai-se desta situação mais distanciado que nunca. Por isso, é conveniente que os esposos, na hora de iniciar o diálogo, tenham a prudência de exercer a autocrítica.

É algo básico. Tem que ter um grande cuidado – na hora das recriminações, críticas, perguntas constrangedoras - para examinar-se e verificar até que ponto aquele que fala não pode ser ele mesmo sujeito de censura. Não é tão raro que um projete suas falhas e limitações no outro. Com uma atitude de humildade e autocrítica, a conversação se desenvolverá num clima de lucidez, calma e compreensão.

2. Paciente. Num só dia não se conseguirá a compreensão do cônjuge. Como tudo, na vida a dois se requer um longo aprendizado, uma permanente educação.

E toda educação descansa sobre a paciência. Sabemos que consiste, antes que nada, em repetição incansável, em incessante recomeçar. Assim ocorre entre marido e mulher. Às vezes, será necessário repetir durante toda uma vida a mesma observação, formular o mesmo pedido.

Não significa que o outro tenha má vontade; acontece que simplesmente se esquece ou não se consegue criar o hábito, que só nasce com a repetição. O importante, pois, é saber repetir com paciência que, também, é atributo de fortaleza. No caso da vida matrimonial, esta paciência é ainda mais importante, já que na maioria das vezes, estão em jogo somente detalhes. Mas estas coisas sem importância, ao multiplicar-se, tornam-se irritantes. A impaciência cresce e ameaça manifestar-se nos momentos de diálogo. E, é isso o que se deve evitar. A paciência dará ao diálogo um clima de calma, de serenidade, sem tensões e irritação.

3. Simpático. Para que o diálogo conjugal seja um instrumento de aproximação, não se devem utilizar termos agressivos, pelo contrário, agir da forma mais simpática, agradável. De outra maneira, não farão mais do que se defender e voltar a atacar.

No momento em que os dois se encontram cara a cara para iniciar uma análise da situação conjugal, importa muito o sentir-se amado.

Os atritos inevitáveis da vida em comum criam, ao multiplicar-se, uma antipatia reprimida que, cedo ou tarde, explodirá. Se, triunfa a antipatia sobre a simpatia, o clima do diálogo torna-se denso e chega a sufocar. E então as pessoas se fecham, se recolhem em si mesmas ou se irritam. A conversação torna-se então impossível, inútil. Em tais condições dá-se um estranho diálogo de surdos em que ninguém quer escutar a ninguém. Só a simpatia presente em cada momento, assegura um intercâmbio frutífero.

Perguntas para a reflexão

1. Protesto antes que o outro termine de falar?

2. Impaciento-me quando outros falam?

3. Tenho um diálogo de surdos com as pessoas?

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