Rumo a nossa própria ascensão

Padre Nicolás Schwizer

 
   

Como está Cristo conosco, em nossa terra?

Cristo está presente. Cristo está aqui, na terra, conosco, e não nos abandonará jamais. Está presente nos sacramentos, principalmente na Eucaristia. Está presente na comunidade cristã. Está presente no nosso coração que é um templo de Cristo e do Deus Trino

A Ascensão do Senhor quer nos revelar algo mais que sua presença invisível no meio de nós. Revela-nos como vai terminar nosso destino, nossa vida terrena. Creio que esta é uma pergunta que inquieta a todos. E a festa da Ascensão do Senhor nos dá a resposta: nosso final será uma ascensão.

Algum dia nos encontraremos no céu, assim como agora estamos reunidos na terra. Nossa presença em cada missa dominical, não faz mais que prefigurar, anunciar e preparar essa grande assembléia final em torno ao Senhor. Ao final da missa a vida nos dispersará; mas será algo meramente transitório, até que chegue a hora de nossa ascensão final.

Tudo é transitório: alegrias, tristezas, bens…
Porque tudo o que acontece aqui embaixo nesta terra é transitório. Quantas vezes nos desanimamos por qualquer contrariedade, qualquer sofrimento e cruz, dizendo: não é possível que Deus exista e permita estas coisas; não é possível que Deus dirija nossa vida e que a transforme desta maneira. Sim, é verdade que as coisas não nos resultam sempre fácil. Mas esperemos, tenhamos paciência, não julguemos até ver o final. Porque sabemos por experiência que depois da Paixão e do Calvário vem sempre a Ressurreição e a Ascensão.

Por isso, toda tristeza é transitória. Somos desventurados, mas somente por um breve tempo.

Por que rezei e Deus não me escutou? Porque Deus se reserva o direito de dar-me muitas coisas e muito melhores que as que eu me atrevi a pedir-lhe. Por que continuo enfermo, sem forças? Porque logo ficarei curado para sempre. Por que tenho que lamentar a morte de una pessoa querida? Ou por que a vida me separa dos únicos com quem gosto de viver? Porque logo me encontrarei reunido para sempre.

Também a alegria, toda alegria deste mundo, é efêmera. Os filhos sabem que não podem ter sempre consigo seus pais. Os pais sabem também que não guardarão para sempre a seus pequenos. Também a mulher o seu marido, o marido a sua mulher, e assim todas as pessoas que se amam. Não existe mais que um só lugar definitivo aonde nos juntaremos para sempre, e este lugar não está aqui nesta terra.

A mesma coisa com nossos bens: Não podemos levá-los conosco: os perderemos todos. Algum dia, nossas mãos se abrirão para entregá-los todos. Hoje ainda estamos a tempo de abrir-las para oferecê-los livremente. Porque tudo o que não ofereçamos a Deus, vamos perder.

Levar o mundo a Deus. Em todas as Missas, oferecemos um pouco de pão, um pouco de vinho – em representação de nós mesmos, de nossas vidas, de nossos trabalhos, de nossos bens. E o sacerdote tomará tudo isto e o consagrará levando-o ao mundo de Deus.

• Assim em cada uma de nossas Missas, um pouco de nosso mundo passa a formar parte do mundo do outro mundo.

• Em cada uma das Missas, tem lugar a ascensão de um pouco de terra ao céu.

• Em cada uma das Missas, os cristãos, somos convidados a elevar-nos, a separar-nos um pouco da terra, a dar um passo rumo o mundo de Deus.

Perguntas para refletir

1. Já pensei na minha própria ascensão?
2. O que me custaria deixar hoje: meus bens…?
3. Vivo como se nunca fosse deixar este mundo?

Se desejar inscrever, comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva para: pn.reflexiones@gmail.com

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