Pe. Antonio Marcos, instrumento nas mãos da MTA

Ir. M. Nilza P. da Silva

Pe. Antonio Marcos Depizzoli, Dioc. de Jacarezinho, faz o mestrado em São Paulo e, alguns fins de semana ao mês, atende as peregrinações no Santuário Tabor da Permanente Presença do Pai, em Atibaia/SP. É comum vê-lo horas seguidas atendendo confissões. Quem é esse jovem sacerdote com espirito missionário e empolgado pela sua vocação? Esta conversa com ele é após ele ter atendido confissões durante 6 horas seguidas. Vamos conhecê-lo!


- Fala-nos um pouco sobre o senhor.

Meu nome é Pe. Antonio Marcos, nasci em Tomazina/PR, na diocese de Jacarezinho/PR. Lá também fiz o Seminário, me formei em Filosofia, Teologia e fui ordenado sacerdote.

- Como conheceu o Movimento Apostólico de Schoenstatt?

Conheci o Movimento em Jacarezinho, logo que entrei no Seminário. A primeira Irmã de Maria que conheci é a Ir. M. Vera Lúcia Mangas, que atualmente mora em Roma, e depois, Ir. M. Jacinta Donati. Elas realizavam encontros periódicos - 15 em 15 dias - no Seminário. Portanto, o contato com as Irmãs era bem próximo.

- Sendo do Paraná, como o senhor está ajudando em Atibaia/SP?

É que eu fui enviado pela minha diocese para fazer um mestrado em São Paulo/SP. Na mesma ocasião, Ir. Marineusa, que há anos estava em Jacarezinho, foi também transferida para Atibaia. No ano passado, ela já havia me convidado para vir ao Santuário, para fazer este trabalho, mas não foi possível. Então, fiquei com outros atendimentos e outras pastorais em São Paulo. De setembro em diante, passei a atender o Santuário de Vila Mariana, uma vez por semana, às terças feiras.

No final do ano, conversei com as Irmãs e se combinou que eu viria para cá, a cada 15 dias. Tudo deu certo em minha agenda.

- O senhor também preside missas, mas a maior parte do tempo, está atendendo confissões. O que o leva a sair de São Paulo, de 15 em 15 dias e passar o dia inteiro aqui no Santuário?

Até pode parecer bastante difícil e complicado ficar até 7 horas atendendo confissões. Hoje, por exemplo, fiquei 6 horas. Embora atenda pessoas com questões diferentes, sinto uma alegria e uma graça em atender bem a cada um. Isto está bem ligado ao meu ministério sacerdotal, tenho bastante convicção de que isto faz parte da minha missão: atender as pessoas em confissão.

Outra coisa que sinto aqui no Santuário é que as pessoas vêm muito sensíveis, abertas para a experiência do perdão, da misericórdia. Muitas até testemunham isto na conversa.

Então, eu presencio, aqui no Santuário, graças e bênçãos imensas, na vida das pessoas. Isso me anima. Quem está de fora pode me perguntar como consigo atender todo esse tempo. Mas, quem está ali como eu, naquela experiência de pessoa a pessoa, é diferente. Eu não sito dificuldade de ficar tanto tempo atendendo. Para mim é um momento de muita graça, poder acompanhar, participar do drama da vida, da superação do perdão, da experiência de Deus, da experiência de Nossa Senhora É muito bom!

- O senhor já atendeu romarias muito numerosas. O que o senhor pensa sobre este movimento de Romarias?

Pela experiência que tenho tido, desde o começo do ano, com as romarias, acho muito positivo! É um momento que as Irmãs de Maria sabem aproveitar bem. Digo isso, pensando naquela organização que existe, com as atividades para dia todo, oração, atendimento para as pessoas e, por outro lado, por esta parte que, às vezes, fica mais sob a minha responsabilidade: atendimento de confissões.

Ainda hoje, estava pensando: como seria bom se as romarias que viessem e trouxessem mais 2 ou 3 padres para atender confissões. Pois, é um momento em que as pessoas estão abertas para isso. Elas se deslocam, fazem até sacrifícios, para chegarem até aqui. Olha, por exemplo, a chuva que estava hoje, e quanta gente veio! Elas estão aqui animadas, motivadas, por este desejo de chegar aqui, poder participar da missa, visitar o Santuário, poder se confessar, enfim, fazer este dia de retiro.

Sei que faz parte dos planos, dos desejos da comunidade do Santuário, ter a colaboração de mais padres para as confissões e isso é uma riqueza espiritual muito grande.

- Apesar do senhor atender confissões durante tantas horas, com certeza, há muitos que ainda gostariam de se confessar, mas, não conseguem, porque não deu tempo.

Com certeza! Hoje, teve gente que ficou mais de três horas na fila. Digo isto porque uma pessoa disse que já fazia três horas que estava esperando. Às vezes, algumas passam até mais do que isso na fila e outras desistem de esperar tanto tempo. Então, se tivesse mais dois ou três padres, para que pudéssemos nos organizar para o atendimento de confissões, teria realmente público para isto. Mas, no geral, o que eu presencio e vivo aqui no Santuário é de uma riqueza de graças muito grande.

- Provavelmente, o senhor atende confissão de pessoas que há muito tempo não se confessam.

Isso acontece muito. Atendi gente que há mais de três décadas (30 anos) não se confessava. É mesmo a força da graça! Digo para a pessoa, quando ela se coloca nesta situação, talvez até esperando receber uma repreensão, a frase da oração da paz: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”. E digo, “você está aqui, diante de mim, como Igreja. Fique feliz, porque Deus está feliz. Ele olha neste momento o seu retorno e a fé que está te animando, te movendo.

Todos os domingos acontecem situações de gente que há muito tempo não se confessava. Mas, elas chegam aqui realmente dispostas a abrir a vida. É bem interessante isso que acontece.

- O que é o Santuário para o senhor?

Não é copiar o que já disseram ou o que o Santuário diz, mas eu perguntava para as crianças na missa das 11 horas: “por que você está aqui? Por que você veio?” Então, um menino de 12 anos, disse: “Eu vim aqui porque quero receber as três graças: do abrigo, da transformação e do ardor apostólico”. Ele sabe de cor! Que coisa linda!

Não é para copiar o que ele disse e o que a espiritualidade do movimento sempre repete, mas para mim é justamente isso. Estar aqui no Santuário, ou em torno dele, é justamente isto, é vivenciar essa graça do abrigo, da transformação e do ânimo, da renovação para a missão. Também é um lugar de se receber muitas experiências.

Eu li algumas obras do Padre Kentenich e do movimento. Eu gosto muito desta simplicidade nas obras. Há muito exemplo corriqueiro, do dia a dia, então isto me chama muito a atenção. As analogias com coisas muito simples de se entender e que trazem uma mensagem muito profunda. Este particular, para mim, é muito significativo.

- Se o senhor conhece o Mov. de Schoenstatt, desde o seminário, já selou a Aliança de Amor?

Não. Eu até cheguei fazer uma caminhada de preparação. Numa ocasião, em que havia um grupo de seminaristas que participava da preparação, eu participei por alguns meses, mas não cheguei a selar. Mas, no domingo passado, conversei sobre isso, com uma Irmã, e vou ver uma data para vir e selar a Aliança de Amor, aqui no Santuário.

- O senhor esteve presente na recepção do Símbolo do Pai, na Vila Mariana. O que o senhor acha que a visita desse Símbolo pode deixar de bênçãos para o Brasil?

É algo que eu dizia na Vila Mariana. Ali se repetiu e eu meditei a respeito: para mim, a maior marca que o Símbolo do Pai deixa, nos locais e em mim também, é aquela frase: O Pai me vê, o Pai me ama, o Pai precisa de mim.

Isto sintetiza e marca muito bem o rastro de Deus, que fica onde está passando o Símbolo do Pai. No olho, simbolizado no triângulo, no símbolo da Trindade, refletimos sobre esta realidade: o olhar de Deus é um olhar cuidadoso, um olhar de amor, um olhar de misericórdia sobre nós, seus filhos.

Pe. Kentenich soube muito bem assimilar isto e aproveitar isto como um símbolo muito especial dentro do contexto da espiritualidade do Santuário. Ele viveu isto e era ele mesmo o revelador deste aspecto amoroso, misericordioso e fraterno, de Deus para nós. Eu imagino que a graça maior, que a passagem do Símbolo do Pai tenha deixado é justamente essa consciência desse olhar de Deus sobre nós. Mas, não de um olhar qualquer e nem de um olhar para pune os erros ou castiga, e sim de um olhar que cuida, que é misericórdia, que ampara e que quer ver o filho bem.