No matrimônio: ser um instrumento da misericórdia

17 de julho de 2016

Último dia de Congresso.

congressoKaren Bueno – Na definição de Marcelo e Gislaine Mafra, o domingo, 17 de julho, é dia de “pósgustar” todas as grandes vivências da véspera. Assim, com gosto de gratidão e alegria ainda presente, começa o último dia do Congresso da Obra das Famílias de Schoenstatt, sobre a beleza da vocação matrimonial, em Londrina/PR.

“Ousamos dizer que nesses dias estamos experimentando o Tabor, o Tabor da glória da famílias”, comentam Bernadete e José Roberto Nassif em sua animação para o dia. A proposta para o domingo é descobrir meios de mostrar ao mundo a beleza da vocação matrimonial em vários campos. “Desafiamos todos a sair desse encontro com a consciência de que fizemos história, de frutificar todas as sementes que foram lançadas em nosso coração nesses dias”, propõe o casal superior do Instituto no Brasil.

A palestra do Pe. Marcel Mouras – “O Ano da Misericórdia e a família” – convida a contemplar o matrimônio como melhor lugar para viver o Ano Santo. “A misericórdia é o tema central da nossa vida cristã e tem um acento especial nos últimos anos”.

Ele recorda o “caminho da misericórdia” traçado pelos Papas: “O Papa João Paulo II tinha uma grande preocupação em ir ao encontro da Igreja; ele olhava para o nosso tempo e dizia: uma coisa que não pode faltar na construção do novo milênio é a caridade. Isso se faz forte também com o Papa Bento XVI, especialmente por meio da Encíclica Deus é amor. A essência de Deus é a essência da vocação cristã. A misericórdia é um caminho que vem se dando na Igreja”.

Com o Papa Francisco, pode-se dizer, vem o ápice dessa corrente. “O Papa Francisco inventa, no espanhol, palavras novas. Quando se fala na expressão ‘em saída’, é muito difícil traduzir isso para outras línguas. No começo do Pontificado, ele cria o verbo ‘misericordiar’, não é só um substantivo, é mais forte, é um verbo, uma ação”.

Ele continua: “O programa do Papa é claramente o programa da misericórdia. Deus nos olha nos olhos e nos chama, é uma experiência muito pessoal – isso está no coração do Papa Francisco: Deus não se cansa de amar, de perdoar, de misericordiar”.

Sentir para testemunhar

“Ele é um Papa pastor, por isso junto com sua preocupação de buscar e anunciar a verdade (no sentido teológico), olha as necessidades e as carências do homem de hoje, com um coração de pastor. Mais do que falar somente a verdade de que Deus é amor e misericórdia, para o Papa é preciso vivenciar a misericórdia. Nesse sentido, o Santo Padre e nosso Fundador, Pe. Kentenich, estão muito próximos, ambos percebem que a grande necessidade do homem de hoje não é só saber que Deus é amor e misericórdia, mas experimentar esse amor misericordioso”.

Pe. Marcel cita a primeira frase da Bula Misericordiae Vultus, que diz: ‘Jesus Cristo é o rosto da misericórdia de Deus’. “A máxima expressão da misericórdia é Jesus Cristo, nosso Senhor, isso é nossa fé. O Papa Francisco nos convida a um encontro pessoal com um ‘TU’ que transforma a vida inteira. A Igreja se identifica muito com mandamentos e regras e, por isso, perdeu a vivência pessoal de encontro com o TU, é o que nosso Pai e Fundador traz como reflexão. Não que não haja uma verdade, ela existe, mas é necessário ter a experiência pessoal da misericórdia”.

“Muitas vezes nos perguntamos: o que eu tenho que fazer? Qual obra de misericórdia vou realizar? A primeira experiência deve ser a de receber essa misericórdia, senti-la, vivê-la. A imitação primeira é saturar o copo, o vaso da nossa vida com a misericórdia”, pontua o Pe. Marcel.

Matrimônio: Aliança de Amor e de Misericórdia

“A Aliança de Amor no Santuário, em Schoenstatt, é o desposamento da misericórdia de Deus com a fragilidade, pequenez, com a miséria humana. É muito forte o que diz o nosso Pai e Fundador: ‘Quem faz a Aliança de Amor é uma criança, é o encontro de Deus com nossa pequenez’. A Aliança de Amor é um casamento da misericórdia divina com a fragilidade humana. O Pe. Kentenich disse: ‘A Mãe de Deus tem a missão de ser essa presença misericordiosa de Deus’. Ela sela a Aliança e, para isso, escolhe pessoas que são instrumentos de sua misericórdia”.

Sobre a vocação matrimonial, Pe. Mouras indica: “Deus escolheu um TU concreto (um cônjuge) para que ele seja um instrumento da misericórdia para mim, para que, por meio dele, eu sinta seu amor de predileção. Ele elege um TU para mim. Precisamos descobrir a grandeza de um TU que me ama, que foi pensado desde toda a eternidade para mim. Devemos descobrir como Deus me ama pelo amor do meu cônjuge”.

O doar-se também é necessário: “Deus nos elegeu para amar um TU como Ele quer amá-lo. Ele me escolheu para amar meu esposo, minha esposa, como ele o ama. Deus me confiou uma tarefa, uma missão para que eu seja o rosto da misericórdia, que ama de forma concreta, meu cônjuge. Minha missão é amar como Deus te ama – essa é nossa missão, nossa vocação de vida. Por isso a vocação matrimonial é uma forma perfeita de viver o amor”.

Viver a misericórdia em família

Pe. Marcel continua: “Nossa vida matrimonial é o primeiro lugar onde precisamos experimentar, de maneira viva, concreta, a misericórdia, pois é o lugar do nosso amor. Meu coração, minha vida, estão para o meu cônjuge, e eu sou o instrumento predileto de Deus para mostrar-lhe sua misericórdia”.

“A escola do amor humano é a família. Isso precisa de esforço, não é uma gratuidade ser família. Viver a vida dos Cursos, da comunidade, da Família de Schoenstatt também é viver numa escola de misericórdia. Isso para crescer no amor e construir um mundo novo, que precisa de misericórdia”, diz Pe. Marcel. Além disso: “Não se pode ser cristão sem ter uma preocupação por aqueles que não têm amor, que não têm misericórdia, essa é nossa tarefa. Temos a missão de transmitir esse amor a todas as pessoas. Sejamos todos o rosto visível da misericórdia para os nossos irmãos”.

Com tantas reflexões profundas, os participantes ainda têm muito trabalho nas oficinas. Eles são instigados a refletir sobre o matrimônio nos âmbitos de relacionamento conjugal, educação de filhos, trabalho e política. Casais da Liga, da União e do Instituto aplicam esses temas e compartilham sua experiência de vida. Assim, a manhã desperta profunda e cativante com exemplos próximos e concretos para realçar sempre mais a beleza da vocação matrimonial.