No Ano da Misericórdia: Vinde, Espírito Santo!

15 de maio de 2016

“Cada Santuário dedicado a Maria é também um Cenáculo”.

20141016_4060Willkommensfeier_BrehmGeni Maria Hoss – Na caminhada da Igreja em preparação à solenidade de Pentecostes de 2016, o Papa Francisco fala reiteradas vezes sobre a ação do Espírito Santo na Igreja: “O protagonista da Igreja é o Espírito Santo. É Ele que desde o primeiro momento deu força aos apóstolos para proclamar o Evangelho”[1]. Essa mesma força da Igreja nascente é que mantém a dinâmica da Igreja através dos séculos, fiel à sua doutrina, porém de forma sempre nova e criativa presente nas diferentes realidades humanas. O Pe. José Kentenich nos apresenta o Espírito Santo como alma da Igreja e, como tal, tem “uma função criadora, uma função formadora, uma função que dá alma, uma função ordenadora. Assim também o Espírito Santo é o princípio criador na Igreja. É ele propriamente que cria a Igreja”[2]. Em Pentecostes não só celebramos a vinda do Espírito Santo do início do cristianismo, mas também sua presença vivificante que sustentou a Igreja na sua trajetória vitoriosa na história e, quando houve desvios, a reorientou sempre de novo. A integridade do anúncio e testemunho evangélico é obra do Espírito Santo.

Por outro lado, o Papa Francisco alerta para a resistência ao Espírito, o fechamento e indiferença diante de suas inspirações. “Há muitas maneiras de fechar-se ao Espírito Santo: no egoísmo do próprio benefício, no legalismo rígido – como a atitude dos doutores da lei que Jesus chama de hipócritas –, na falta de memória daquilo que Jesus ensinou, no viver a existência cristã não como serviço, mas como interesse pessoal, e assim por diante. O mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio”. A resposta de cada cristão é tornar-se dócil ao Espírito Santo, pois sempre e em todo o lugar “o mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo”[3]. A docilidade ao Espírito é uma atitude a ser nutrida por um profundo espírito de oração e entrega. “Com a ajuda do Espírito Santo, podemos interpretar as inspirações interiores e os acontecimentos da vida à luz das palavras de Jesus”[4].

Chamado a ser discípulo missionário na força do Espírito Santo

O Papa Francisco alerta para o excesso de diagnóstico do contexto e carência de ações efetivas para solução dos problemas. Na exortação Evangelii Gaudium (EG), onde expõe sua linha de atuação, ele afirma: “O que quero oferecer situa-se mais na linha de um discernimento evangélico. É o olhar do discípulo missionário que ‘se nutre da luz e da força do Espírito Santo’”[5]. Podemos e devemos dialogar com os diversos saberes, especialmente de humanas, mas não sem colocar no centro a confiança na ação do Espírito Santo. É ele que nos ilumina e nos conduz na missão no meio do mundo e garante o caráter cristão do nosso agir.

Olhar o mundo sob a luz do Espírito Santo nos permite identificar com clareza os sinais dos tempos que, em última análise, são a voz e os apelos de Deus no nosso tempo. De modo particular, somos chamados neste Ano da Misericórdia a sermos missionários da misericórdia para que muitos encontrem o caminho ao coração misericordioso de Deus, o que significa, em primeiro lugar, confiar a nós próprios e todos os desafios do mundo contemporâneo à ação do Espírito Santo: “O Espírito Santo, que conduz os passos dos crentes de forma a cooperarem para a obra de salvação realizada por Cristo, seja guia e apoio do povo de Deus a fim de ajudá-lo a contemplar o rosto da misericórdia”[6].

O Espírito Santo e o carisma de Schoenstatt

Pode-se afirmar com segurança que a fé profunda na ação do Espírito Santo se faz presente já na etapa anterior ao ato de fundação, em 18 de outubro de 1914. Em diversas circunstâncias o Pe. José Kentenich evoca o Espírito Santo e fala de sua ação na vida da Igreja. “Meus queridos congregados, quantas vezes e com quanta insistência nos últimos tempos, suspiramos e ansiamos pelo Espírito Santo! Veni, Sante Spiritus – sim, vinde, vinde ó Espírito Santo! […] Ó vinde! Enchei com a força da vossa graça o coração que tu mesmo criaste!”[7]

A profunda união de Maria com o Espírito Santo, como testemunha a comunidade reunida no Cenáculo (cf. At 2, 1-11), não permite dissociar a devoção a Maria da fé profunda e prática no Espírito Santo. Neste sentido, o Pe. José Kentenich estava convencido: “Quanto maior for o amor a Maria, com tanto maior abundância e continuidade jorrarão os dons do Espírito Santo. […] Nós somos felizes porque nos vinculamos a Maria, porque a ela recomendamos as nossas intenções, colocamos a seus pés nossos desejos e pedidos ao Espírito Santo”[8].

Dessa forma, cada Santuário dedicado a Maria é também um Cenáculo, a partir do qual o Espírito Santo derrama seus dons e graças. A ação do Espírito Santo no mundo acontece também por meio de instrumentos que se colocam inteiramente a seu dispor: “Quando quer imprimir o rosto de Cristo no mundo, ele não o faz sozinho, mas usa instrumentos, faz se dependente de instrumentos. Sim, o Espírito Santo necessita de instrumentos!”[9]

Pela Aliança de Amor, tornamo-nos instrumentos aptos para a ação do Espírito Santo na sociedade contemporânea. Com sua força, levamos Cristo ao mundo, seguindo o exemplo de Maria.

Referências

[1] PAPA FRANCISCO, Homilia, 28/04/2016. Disponível: pt.radiovaticana.va
[2] PE. JOSÉ KENTENICH, Retiro para Sacerdotes Diocesanos, 7 a 13 de outubro de 1934.
[3] PAPA FRANCISCO, Homilia 24/05/2015. Disponível: w2.vatican.va.
[4] PAPA FRANCISCO, Homilia 08/06/2014.  Disponível: w2.vatican.va.
[5] PAPA FRANCISCO. Encíclica Evangelii Gaudium (EG), 2013, n. 50.
[6] PAPA FRANCISCO, Bula de Proclamação do Jubileu do Ano Extraordinário da Misericórdia, 2015.
[7] PE. JOSÉ KENTENICH, Conferência aos Congregados Marianos, Schoenstatt. 31 de maio de 1914.
[8] PE. JOSÉ KENTENICH, Conferência…. 31 de maio de 1914
[9] P. JOSÉ KENTENICH, Retiro… 7 a 13 de outubro de 1934.