Matrimônio: Um milagre que traz beleza e desafio

20 de julho de 2016

Falam-nos Pepo e Patricia Kostner.

patricia e pepoKaren Bueno – Nesse final de semana, 15 a 17 de julho, a Obra das Famílias de Schoenstatt realizou seu Congresso Internacional para refletir sobre a beleza da vocação matrimonial.

O casal Pepo e Patricia Kostner, da Argentina, contribuiu nessa reflexão apresentando a visão do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, para os casais schoenstattianos. Eles são membros da direção geral do Instituto de Famílias de Schoenstatt e nos ajudam a entender um pouco mais sobre o amplo tema da beleza matrimonial. Acompanhe:

Qual a beleza da vocação matrimonial, onde está essa beleza?

Patricia: Acredito, em meu humilde entender, que no lugar da palavra ‘beleza’ eu colocaria a palavra ‘milagre’. Porque creio que ocorre isso com duas pessoas que estejam pensadas desde toda eternidade para dividir suas vidas, sem terem se conhecido antes. Há um momento na vida em que se conhecem e nesse momento começam a se amar de uma maneira especial e começam um caminho juntas, onde não faltam dificuldades, não faltam problemas e não faltam, dessa forma, momentos felizes, porque vivem tudo a dois e não perdem sua liberdade e sua individualidade, mas começam a viver a dois, e tudo é dessa forma. Creio que é um milagre e, como todo milagre, é belo. Creio que a nível humano é inexplicável. E, se entre duas pessoas que se amam, que se casam, não existe a terceira pessoa, que é Jesus, é impossível levar adiante um casamento por anos, onde esse milagre sempre seja como no primeiro dia.

Em que as famílias consagradas se diferenciam (ou deveriam) das demais?

Pepo: Uma família consagrada não leva um hábito (veste) religioso, por isso de fora não é possível distingui-la fisicamente – não tem uma batina ou um hábito religioso, como uma monja, por exemplo. São pessoas que vivem no meio do mundo e a consagração a Deus deveria ser vista através de sua presença, de seu testemunho de vida, de como se comportam na vida diária: se são pessoas confiáveis, honestas, pela forma como agem em seu cotidiano no espaço público, no trabalho. E depois, o amor se transmite também através do testemunho de vida presente. Hoje não vale somente declarar que nós amamos, mas temos que demonstrá-lo por meio de sinais de proximidade, de carinho, inclusive depois de muitos anos de casados, por exemplo, dando as mãos – isso é algo que quase não se vê. Que lindo é ver, às vezes, pessoais mais velhas, de 70, 80 anos, com muitos anos de casados, com as mãos dadas, fazendo alguma carícia; ver um homem que a toma pelo braço, pelo ombro, lhe dá um beijo, uma carícia. Isso é o melhor testemunho, que existe um amor, que existe unidade, de que há uma verdadeira consagração.

Nós vemos isso muito claramente na Obra das Famílias de Schoenstatt…

Patricia: Tratamos de ser aquilo que o Pai e Fundador queria para nós, modelos de família. Ainda nos falta muito, ou seja, não é fácil, mas aspiramos a poder sê-lo. Hoje em dia, quando se vive essa cultura do descartável – passo um tempo com uma pessoa, as coisas já não funcionam e eu vou com outra –, ante a primeira ou segunda dificuldade se deixa tudo, creio podermos dar um testemunho de que é possível superar as dificuldades e seguir juntos e voltar a escolher a mesma pessoa uma e outra vez. É um grande desafio, mas também uma linda missão a que nos sentimos chamados. E poder consagrar-nos a Deus, consagrar nossa vida pessoal e matrimonial a Deus, para cumprir com essa missão para a qual nos sentimos chamados, é muito lindo, é muito grandioso, é sentir-se útil para Deus.

Como construir um casamento santo, à exemplo de Helene e Fritz Kühr?

Pepo: É um grande testemunho que nos dão Fritz e Helene. Eles não viveram muito tempo juntos e tiveram muitíssimos problemas ao viverem separados pela guerra. Esse tema da fidelidade matrimonial está por cima de todas as circunstâncias adversas e creio que esse é o grande exemplo que os dois nos podem confiar. Hoje em dia, justamente falamos da cultura do descartável: quando algo vai mal eu o descarto e me dedico a outra coisa. E ali [com os Kühr] se vê que foi vivida uma fidelidade a toda prova, apesar da distância, apesar da guerra, permaneceram fiéis um com o outro. É algo tão lindo que festejamos agora, de poder vê-los novamente juntos.

Patricia: Eu estava pensando que sempre, para cada tempo da humanidade, Deus nos envia modelos. Assim são os santos, por exemplo, e também aí podemos contar com modelos de matrimônio santos, que, não faz muito tempo, os últimos Papas têm canonizado. Creio que nós, como Obra de Famílias, somos privilegiados nisso, porque temos nosso próprio casal modelo, que viveu a fidelidade, apesar de todas as dificuldades, que foram imensas. Podermos nos espelhar nesses modelos para construir nosso matrimônio é importante, devemos dar graças a Deus porque ele sempre se ocupa de nos dar esses espelhos onde podemos nos refletir.

Que aspectos práticos os senhores destacariam na vida desse casal?

Patricia: Para mim, fundamentalmente, em ambos, apesar de estarem em distintas situações, a fortaleza de vida, porque viveram num campo de concentração. Essa condição que viveu Fritz devia ser horrível; também para Helene, que viveu num país onde desconhecia as pessoas, o idioma, estava só no meio campo. Eles tinham que ter uma fortaleza imensa para poder seguir adiante. E depois, uma fé muito grande e apoiar-se em Deus. Isso não é explicável a nível humano, somente a partir da fé, de saber que Deus estava presente neles, só por isso puderam permanecer fiéis até as últimas consequências.